
Em tempos de cofres raspados, cada real gasto conta. Quanto mais abrir a carteira para sacar cerca de R$ 55 milhões. O valor refere-se ao investimento do Grêmio para a contratação dos argentinos Leonel Pérez, de 21 anos, e Juan Nardoni, 23. O custo será proporcional à cobrança e responsabilidade sobre os dois volantes, titulares nas duas partidas mais recentes.
Com características complementares, existe a possibilidade de que joguem mais vezes juntos, como contra Vasco e Vitória. Mais jovem, Pérez é uma aposta para médio prazo. Atua como um volante mais fixo à frente da defesa. Entrou no time com a incumbência de substituir Noriega, um dos principais jogadores do time na temporada.
Mais experiente, Nardoni apresenta no currículo maior versatilidade. Tem condições de jogar nas três primeiras funções do meio-campo. Chegou com o status para brigar pela titularidade. As primeiras conclusões sobre eles começam a surgir.
— Eles podem jogar juntos, mas eu sou mais ter um primeiro marcador e um segundo jogador de mais chegada, com um bom passe, como o Arthur. A gente tem de ver mais dos dois, o Pérez jogou muito pouco — avalia Wolnei Caio, ex-meio-campista tricolor.
A derrota para o Vasco foi a primeira com Nardoni em campo. E a primeira em que ele teve maiores obrigações ofensivas. Nas outras, a ideia de Caio esteve em campo: Nardoni sempre teve um meia ao seu lado.
Presença de um meia
Diante do Vitória, foi Willian. Nos outros três jogos em que atuou (Chapecoense, Bragantino e Atlético-MG), Noriega abriu o meio-campo, com Nardoni jogando ou com Monsalve ou com Gabriel Mec como parceiros.
Até aqui, Nardoni se mostrou mais eficiente com e sem a bola nos seus cinco jogos disputados quando comparado com Pérez. Além de ter marcado um gol, tem uma média de 3,6 roubadas de bola por jogo — o índice de Arthur no Brasileirão é de 5,5. Uma delas no campo ofensivo. Ela originou o gol gremista contra o Vasco.
— Pérez e Nardoni são jogadores diferentes, de espaços distintos no campo. O primeiro é centromédio, o segundo, meio-campista que conecta as duas áreas. Pérez teve atuação em alto nível, contra o Vitória, e foi pavoroso contra o Vasco, assim como o restante do time. Nardoni ainda não encontrou seu encaixe no meio-campo. Mas o gol conta o Vasco surge de sua característica principal, de desarmar e iniciar as ações ofensivas — opina o comentarista Leonardo Oliveira.
Pérez foi escalado em duas partidas, além de ter entrado nos minutos finais diante do Bragantino. Apesar do poder de marcação, recupera, em média, 1,7 bola por jogo, sempre no campo defensivo.
— A gente tem que procurar ver mais dos dois. Dar mais tempo a eles para a gente conhecer melhor o futebol deles. É preciso se ambientar aos companheiros, ao estilo de jogo. Às vezes demora um pouquinho. Mas deram boa impressão — considera Caio.
Ainda são poucos jogos, mas Nardoni e Pérez já entenderam a responsabilidade sobre seus ombros. Não é simples em tempos de cofres vazios gastar R$ 55 milhões.





