
Desistir não é uma opção. A bolinha felpuda cruza a rede zunindo. Seria preciso um braço do tamanho da asa de um avião para alcançá-la. Sabe-se lá como, a bola volta. Um golpe seco a deixa morta no outro lado da rede. Punhos cerrados e um rugido selam a comemoração.
Poderia ser um lance de Rafael Nadal em uma final em Roland Garros. Trata-se apenas de uma partida qualquer de Luís Castro em uma quadra de padel na zona norte de Porto Alegre.
A competitividade surge como uma das facetas do treinador campeão gaúcho pelo Grêmio em sua imersão por Porto Alegre. Outros aspectos de sua personalidade aparecem pelas ruas do Moinhos de Vento e pelos restaurantes da cidade.
O técnico gremista encontrou no padel, esporte queridinho de jogadores e ex-jogadores, um espaço para desopilar a pressão vivida desde a estreia no Grêmio em janeiro. Apesar de ser um escape, a vontade de vencer permanece. Nem o par ou ímpar para definir quem saca Luís Castro quer perder.
— Ele joga bem. Tem bons fundamentos. Tem boa mobilidade, agilidade e tempo de bola. Ele é muito sanguíneo, sempre esbraveja quando erra. Para ele, perder é difícil — relata Rogério Furtado, o Rogerinho, dono das quadras onde Castro gasta o seu padel.

Fotos e autógrafos
Na primeira visita à academia, o português cravou um boné na cabeça. Passou quase despercebido. Nas seguintes, dispensou o acessório. Após a vitória sobre o Atlético-MG e a goleada por 3 a 0 sobre o Inter, atendeu a todos que solicitaram foto e autógrafo. Foram muitos os pedidos. É melhor chegar cedo da próxima vez.
Toda a repercussão de vitórias, derrotas e declarações não impedem a tentativa de uma vida normal. Escolheu um apartamento em zona nobre para morar. Sempre que possível, sai a caminhar pelas ruas do bairro.
Nas próximas semanas, ganhará a companhia da esposa. As duas filhas são aguardadas para uma visita mais adiante. Enquanto a família não desembarca, confia a amigos a missão de conhecer a cidade.
Às vésperas da final, participou de uma entrevista coletiva sobre os clássicos decisivos que se avizinhavam. Após responder diversos questionamentos, uma bateria de perguntas à queima roupa foi proposta para distensionar o momento. Costela ou picanha? Costela, respondeu Castro sem sequer piscar. Costela ou picanha? Repetiu-se a pergunta como um teste de convicção. COSH-TE-LA sublinhou sem esconder as origens.
Churrascarias
Ele se atracou em algumas costelas em visitas à churrascarias da capital. Churrascos sempre regados a um bom vinho. Em um dos encontros, um dos comensais levou um vinho bem envelhecido e encorpado, como Castro gosta.
— Quando o assunto é vinho, ele se empolga — conta uma pessoa próxima.
O técnico gremista veio ao mundo em Vila Real, uma pequena cidade no norte de Portugal, na região do Douro. A localidade é uma referência mundial na bebida de Baco. Dentro de seus limites foi demarcada a primeira região vinícola demarcada do mundo (1756). Donde, a degustação e o conhecimento se tornam naturais para ele.
Exigente, detalhista e metódico
Como se naturalizou o nível de profissionalismo imposto por Castro nos bastidores do Grêmio. Exigente. Detalhista. Metódico. São três das palavras mais repetidas por quem acompanha de perto o seu cotidiano no CT Luiz Carvalho.
As partidas nunca terminam em si. Os vídeos apresentados aos jogadores com análises de partidas e correções são elogiados pelo nível de precisão dos conteúdos.


