
Luís Castro é um apaixonado por futebol. Uma paixão que ele vive intensamente, aos 64 anos. Mas quase interrompida durante sua infância em Portugal, por conta de uma doença autoimune, e que não o impediu de viver essa relação dentro de campo por 17 anos.
Da experiência acumulada dos tempos de zagueiro e lateral-direito por clubes de menor expressão em seu país, ele aliou a experiência ao conhecimento de fora das quatro linhas do campo. E não apenas do futebol.
O técnico gremista no clássico Gre-Nal 449 cursou dois anos de Física na Universidade de Coimbra, mas a relação com a bola falou mais alto. Valores que o guiam até hoje, milhares de quilômetros distante de Vila Real, onde nasceu em Portugal, e carregam também a esperança dos gremistas de um resultado positivo neste domingo no Beira-Rio.
Quem o conhece, diz que ele vive exatamente de acordo com as ideias que prega aos jogadores. Já aceitou a realidade do entorno do futebol de valorizar o resultado acima de tudo. Mas para se manter fiel com a profissão que ama, luta no dia a dia para se guiar pela filosofia que acredita. O trabalho é o caminho certo. Para o bem ou para o mal.
— Minha vida não é só resultados. A vida é trabalho com dignidade, isso sempre deve se sobrepor a resultados. Não é só o resultado que conta — disse o técnico, em entrevista quando trabalhou no Botafogo.
Luís se apaixonou pelo futebol com o auxílio do pai, militar, que o levava para ver os jogos em Leiria. Dali puxou a disciplina que o guia até hoje. Mas aos 11 anos, diagnosticado com uma doença autoimune, ouviu dos médicos que não poderia mais jogar, correr ou qualquer atividade que exigisse fôlego. Estava proibido de fazer esforços físicos.
Já era um bom aluno, mas aprofundou a busca por conhecimento neste período. Herança da atenção das professoras, colegas de profissão de sua mãe. Mesmo com o diagnóstico de que não poderia jogar, três anos depois estava curado. E pronto para viver o sonho. Passou por clubes de menor expressão de Portugual. Iniciou como zagueiro, mas seguiu como lateral. No Vitória de Guimarães, em 1986 a 1987, foi treinado por Marinho Peres. Um admirador do atual técnico gremista, pela postura e dedicação. E que também teve Paulo Autuori na comissão técnica.
— Castro, quando fui para Portugal como assistente do Marinho, era um dos laterais do grupo. Um jogador muito centrado, equilibrado. Tinha qualidade técnica, altura. Tentava entender as coisas. Foi um momento importante para ele. O Marinho era um estrategista, especialmente nas questões defensivas. Aí no Sul o bicho pega mesmo na rivalidade. Mas é um profissional com muita experiência, equilibrado. De muita convicção no que faz. Vai sentir o gostinho do Gre-Nal — relembra Autuori.
Quando aposentou as chuteiras, voltou aos livros. Foi aluno por dois anos do curso de Física na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Mas a paixão pela bola falou mais alto novamente.
Voltou para trabalhar nas categorias de base do Águeda, clube pequeno de Portugal. De lá em diante, rodou o mundo até chegar a Porto Alegre.
Palavras do braço direito
Ninguém conhece melhor o técnico do que Vitor Severino, auxiliar e braço direito do treinador desde os tempos de trabalhos em clubes em busca do protagonismo em Portugal. A característica mais marcante de Castro, aos olhos de quem o melhor conhece, é essa aplicação ao trabalho.
— Principal característica é o foco na organização e no rigor, em todas as dimensões. Seja no planeamento do treino, seja na abordagem tática ao adversário, seja na forma como todos os departamentos se organizam em função de servir a equipe. Não diria obsessão, mas algo próximo, pela organização — comentou.
Quem estiver com a expectativa de uma preleção performática, ou de mudanças drásticas nas horas que antecederem o clássico, estará enganado.
— A nossa filosofia é de rotina e constância. Não alteramos comportamentos nem rotinas. E é precisamente essa dinâmica que gostamos de passar aos jogadores. Sabemos que existem jogos "especiais", mas nós queremos ter sempre o mesmo rigor e organização, independentemente da competição ou do adversário. Jogar sempre para ganhar, sabendo que poderemos não ganhar sempre. Atitude, rigor e compromisso, sempre e em todos os jogos — disse Severino.
"Uma pessoa que inspira"
O impacto da chegada de Luís é bem prático no dia a dia do CT. Cordial e simpático nos contatos com os funcionários do clube, o técnico aproveita discretamente a vida em Porto Alegre. E confirmou os motivos que fizeram a direção apostar em sua contratação.
— Luís Castro é um profissional na acepção da palavra. Tem profundo conhecimento de todos os caminhos do futebol. Uma pessoa que inspira e lidera pelo exemplo, está totalmente adaptado ao Grêmio. Estamos muito felizes em ter o Luís trabalhando conosco — disse Antonio Dutra Junior, vice de futebol.
Mesmo com o pouco tempo, já conheceu alguns restaurantes. Provou um bom churrasco, com direito a picanha e costela, acompanhado por amigos. Neste domingo, a partir das 20h, terá uma das experiências preferidas do povo gaúcho. Conhecerá de perto o que é o Gre-Nal.
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