Candidato à presidência do Grêmio, Odorico Roman foi entrevistado no programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha, nesta sexta (7), véspera da eleição gremista. Seu opositor, Paulo Caleffi, também foi entrevistado. A votação ocorre entre os sócios do clube, entre 10h e 17h deste sábado (8), presencialmente na Arena e de forma virtual.
Odorico Roman é economista. Entrou no Conselho Deliberativo do Grêmio em 2010. Integrou as direções das gestões Fábio Koff (2013/2014) e de Romildo Bolzan (2015/2016). Em 2016, ingressou no departamento de futebol, tendo atuado como diretor e depois vice-presidente. Participou das campanhas da conquista da Copa do Brasil e da Libertadores.
Durante a entrevista, Odorico comentou sobre a relação com os empresários Celso Rigo e Marcelo Marques, além de detalhar como pretende arrecadar receitas para o Grêmio. Sobre o futebol, expôs um planejamento voltado para as categorias de base e ainda comentou sobre uma possível reforma no centro de treinamento. A possibilidade de reforços também foi levantada.
Confira a participação de Odorico Roman no "Show dos Esportes" na íntegra
Os reforços para 2026
— No nosso entendimento, o time do Grêmio precisa ser remodelado. É claro que o grupo já é bastante numeroso e nós temos que adequar o tamanho do grupo para poder trazer os jogadores, que nós queremos, para reforçar. A gente entende que, sim, o grupo precisa de reforço para o Grêmio ter um time competitivo.
— Com relação ao tamanho da folha (salarial) do Grêmio, nós temos preocupação, sim. O Grêmio precisa se reorganizar financeiramente. É para isso que nós vamos trabalhar. Uma das nossas propostas é reduzir o endividamento do Grêmio até o final da nossa gestão. Mas queremos ter um time competitivo. E para isso nós temos que adequar o tamanho do grupo atual, reduzir a folha e trazer jogadores que reforcem o time, que atualmente é insuficiente.
— Nós buscamos informações sobre o Pedro (atacante do Flamengo), já que era um jogador que, em um determinado momento, parecia que estaria disponível. O que nós soubemos do Pedro, objetivamente, é que o Flamengo não libera o Pedro para o mercado brasileiro e que o preço dele para fora é em torno de 15 milhões de euros.
Quem será o treinador?
— Nós entendemos que não é momento de falar em técnico ou especular nomes, até porque eu entendo que o Mano Menezes é um bom técnico. E a gente avaliará no fim do campeonato, dependendo do desempenho do time, como chega ao final, se nós vamos fazer alguma mudança ou não.
Como será o departamento de futebol?
— Nós teremos, sim, um executivo experiente, um executivo que conhece o mercado, um executivo que vai nos ajudar a resolver essa questão do grupo de jogadores grande e sem a eficiência que nós entendemos que tem que ter, que é caro e sem o retorno desportivo adequado ao custo da folha.
— O head scout vai ser a pessoa que vai coordenar os analistas de mercado e os analistas de desempenho. E a partir daí, eu pretendo que a gente tenha no departamento de futebol um comitê que decida as contratações. E eu tenho dito isso. Eu vou assinar contrato de jogadores que venha um documento com os nomes da comissão técnica, do coordenador, do gerente executivo, do head scout, do vice de futebol, onde todos informam que houve consciência que aquele jogador é o jogador que eles consideram adequado. Para evitar que aconteça o que parece que acontece, que alguém indica um jogador e o clube sai contratando e depois o treinador não queria.
Gerar receitas e apoio de investidores
— Obviamente que o clube precisa de um aporte inicial para começar a funcionar e começar com condições de fazer frente aos seus compromissos de folha de pagamento, fornecedores, etc. E nós temos algumas alternativas, nós temos pessoas importantes que estão nos apoiando. Pode ser um caminho de formar um fundo, um fundo inicial, de tal forma que a gente consiga um capital de giro para começar a tocar o clube e, ao mesmo tempo, já usar algum recurso para reduzir o endividamento. Porque nós temos que fazer as duas coisas juntas. Nós temos que diminuir o endividamento do Grêmio, pagar menos juros e nós temos que reforçar o time.
— Com certeza o Celso Rigo é uma pessoa que sempre ajudou o Grêmio e claro que, havendo uma necessidade na nossa gestão, ele vai ser uma das pessoas que vão nos ajudar.
— Nós precisamos trabalhar esse equipamento e tirar da Arena todo o potencial que ela pode nos dar. Nós temos uma estimativa de mais de R$ 100 milhões por ano. Então, se nós conseguirmos ajustar o fluxo de caixa do Grêmio e conseguirmos fazer a Arena colocar para dentro do Grêmio esses recursos — existem algumas travas que foram colocadas, o Grêmio pode ficar com 70% da receita da Arena fora a de jogo, que é 100% — nós temos condições, com essa fonte nova de recursos, ir adequando a situação financeira do Grêmio. Ao contrário do que se pensa, nós não queremos dever 100, 200, 300 milhões para o Celso Rigo. Ao contrário, eu quero pagar o Celso Rigo. Eu quero que o Grêmio não tenha dívidas.
Relação com Marcelo Marques
— Eu tenho conversado com o Marcelo só por aplicativo. Eu tenho conversado com ele, trocado algumas mensagens e eu penso que com o tempo, eu torço para isso, que depois que ele se recuperar, ele se aproxime do Grêmio. Não para dar mais dinheiro para o Grêmio, como ele disse, que é uma coisa que realmente incomodou muito ele. Ele disse que as pessoas o enxergavam como uma caixa forte, como um cheque ambulante, um cifrão.
— Eu pretendo, ganhando a eleição, pedir para ele me receber para nós conversarmos, porque eu quero perguntar para o Marcelo: "Marcelo, você tem algum pedido especial, especificamente sobre a Arena? Você tem algo para me pedir?"
— O que eu sei é que o Marcelo se afastou por razões pessoais e familiares para tratamento de saúde. É isso que eu sei. E ele nunca me disse nada diferente disso.
Centro de treinamento
— Nós temos um projeto de aperfeiçoar o centro de treinamento e deixar ele mais próximo dos centros de treinamento dos maiores clubes brasileiros. A nossa ideia é afastar os campos. Nós temos lá dois campos, naquela mesma área. Na mesma área, tu afasta os campos e, no meio dos dois, tu constrói uma ala nova, onde vai ter alojamentos para os jogadores, nova área de convivência, de fisiologia, de fisiatria, área médica e academia. E dessa forma o Grêmio terá mais condições de preparação física e de recuperação médica dos jogadores.
— Nós estimamos que o investimento necessário seria entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões. E de onde vai sair esse dinheiro se o clube está endividado? Nós vamos procurar parcerias, porque nós entendemos o seguinte: eu não consigo uma parceria para me dar entre R$ 12 milhões a R$ 15 milhões para eu pagar dívida. Mas eu posso conseguir uma parceria que vai me dar R$ 12 milhões a R$ 15 milhões para reformar o CT e melhorar uma parte importante da estrutura do clube.
Categorias de base
— O que acontece é que venda de jogadores é do dia a dia dos clubes, é da formação de receita dos clubes. Nenhum clube brasileiro deixa de vender jogadores para fazer frente a dificuldades de caixa. O nosso ponto de vista, e nós chegamos a ter isso no Grêmio em uma determinada época, de o Grêmio ter um equilíbrio financeiro e não precisar vender o jogador a qualquer preço. Eu penso que o correto, o clube estruturado, e isso acontece agora com o Flamengo e Palmeiras, tu forma o jogador, tu leva ele para o profissional, ele te dá o retorno desportivo e depois tu vende para realimentar o ciclo. E esta é a forma correta de fazer, esta é a forma correta de administrar a formação de jogadores. E nós temos aqui um conceito que precisa ser observado também que os jogadores estão sendo contratados cada vez mais cedo. Mesmo no Grêmio, nós temos jogadores que foram buscados com oito anos. O Flamengo e o Palmeiras buscam jogadores com 8 anos, 9 anos, 10 anos. Então, para mim e para a nossa gestão, a base do Grêmio começa no Cristal, não é Eldorado. Começa no Cristal.
— Nós temos como uma das nossas diretrizes, que o Grêmio tenha no seu plantel profissional entre 20% a 30% de jogadores formados na base. Claro que isso aí não pode ser uma coisa imposta se tu não tem seis, sete, oito jogadores pra construir o grupo, mas tem que ser um objetivo e isso começa lá em Eldorado. A pessoa encarregada lá de Eldorado vai receber a missão: tem que começar a entregar X jogadores por ano e não é só jogador de lado. Eu quero laterais, eu quero zagueiros, eu quero volantes e eu quero atacantes.
O que pensa para o Gauchão?
— Eu defendo que o Gauchão tem que ser disputado para ser vencido. E tem uma particularidade que eu tenho falado também, que nós temos que ter no Rio Grande do Sul. Para o ano que vem não vai dar, porque já está o regulamento pronto. O jogador que está no BID tem que poder ser utilizado no Gauchão e não ter limite de número de inscritos para disputar a competição. Isso é uma coisa que, se for possível, eu pretendo trabalhar para alterar isso.
Por que votar na Chapa 2
— Eu quero pedir ao torcedor do Grêmio, ao associado do Grêmio, que vote no sábado. Eu quero dizer para os nossos apoiadores, quero agradecer aos nossos apoiadores pelo trabalho feito. Nós fizemos uma campanha propositiva, trouxemos as nossas propostas para o Grêmio. Lá em odoricopresidente.com.br está o nosso projeto. Então, agradeço muito a todas as pessoas que trabalharam, e nós sentimos nessa caminhada que foi uma caminhada em um crescente de apoios, de pessoas que acreditam no nosso projeto. Não só empresários conheceram o nosso projeto e resolveram apoiá-lo, mas a torcida também, o associado do Grêmio. As nossas caminhadas no entorno da Arena foram caminhadas de muito acolhimento, de pessoas chegando, apoiando e dizendo: "Odorico, tu tem que ser o presidente, tu tem que estar junto com o Celso Rigo, com os vice-presidentes da chapa de vocês, porque é muito importante para o Grêmio." Que a Chapa 2 seja vitoriosa, nós temos um projeto consistente e nós queremos trabalhar o Grêmio para preparar o Grêmio para o futuro.
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