
Até novembro de 2004, Paulo Odone Chaves de Araújo Ribeiro tinha visto quase tudo. Anos e anos atuando como dirigente de futebol e político deram-lhe larga vivência.
Mas nada comparado ao que viveu em 2005 quando exerceu o seu terceiro mandato como presidente do Grêmio. Odone e seus companheiros de gestão assumiram um clube sem dinheiro, sem elenco (só sete atletas profissionais) e com uma Série B pela frente. No aniversário de 20 anos depois da Batalha dos Aflitos, o ex-dirigente, hoje com 83 anos, rememora a trajetória daquela vitória épica.
Em entrevista ao documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição, que será lançado às 16h desta quarta (26) em GZH, Odone relembra as dificuldades, as preocupações e o que passou pela sua cabeça durante os minutos de aflição naquele 26 de novembro de 2005.
— O Grêmio não tinha time. Não tinha jogadores. Não tinha como fazer time. Eu não sabia que estava quebrado, estava falido. Passamos até por humilhação. Tinham jogadores que não queriam vir para o Grêmio porque estava na Segunda Divisão.
Apesar das dificuldades financeiras, o Grêmio montou time para o Gauchão e para a Copa do Brasil. Após a eliminação nas duas competições, reformulou o elenco durante a disputa da Série B. Chegou à última rodada precisando, ao menos, empatar com o Náutico, em Recife:
— Se perdesse aquele jogo, (clube) tava morto. Foi a maior aflição, porque se o Grêmio perdesse, não teria condições financeiras de se erguer mais.
Nenhuma das decisões de sua gestão durante aquele ano foram tão importantes como a tomada em meio à confusão que se seguiu após a marcação do pênalti para o Náutico aos 34 minutos do segundo tempo.

A marcação gerou reclamações, que terminaram com três cartões vermelho. Como já havia um expulso mais cedo, o Grêmio ficou com sete em campo. E havia, no mínimo, mais 15 minutos de partida.
O time fica em campo
Em meio ao tumulto, Odone saiu da arquibancada onde assistia à partida e foi para o campo. No caminho, ouviu sugestões para o Grêmio abandonar a partida. Sugestões vieram do ex-presidente Luiz Carlos Silveira Martins, o Cacalo, e do vice de finanças Túlio Macedo.
No gramado dos Aflitos, Túlio ligou para o Odone pedindo para mandar o time para o vestiário. O pedido teria sido feito pelo neto do dirigente. No fim, a decisão cabia a Odone e mais ninguém:

— Acalmei o pessoal na minha volta e consultei o Renato Moreira (vice de futebol) que é advogado. Também falei com o Mano. Por fim, dei um berro e disse que ia decidir sozinho, com a minha cabeça.
Atrás da meta onde foi batido o pênalti, Odone acompanhou a defesa de Galatto e o gol de Anderson. Após 20 anos, ainda se emociona ao relembrar aquele dia. Na véspera da entrevista, pegou o DVD Inacreditável para assistir:
— Estávamos sozinhos no sofá, eu e minha mulher, disse que precisava ver para rememorar. Quando vi eu tava chorando. Não segura, vem de dentro de ti — relata com os olhos marejados.
Para mais detalhes, assista ao documentário Memórias da Batalha – 26 Minutos de Aflição.
Colaborou Leonardo Bender




