
Vinte anos após a Batalha dos Aflitos, o torcedor Bernardo Kramer ainda consegue reviver cada segundo daquele 26 de novembro de 2005. Testemunha ocular da história, o administrador e empresário era um dos gremistas na arquibancada de visitantes do estádio do Náutico naquele dia.
Em depoimento ao documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição, que será lançado na tarde desta quarta (26) em GZH, Bernardo relembra o que viu e sentiu ao logo daquela tarde em Recife. Do medo e angústia desde a chegada ao êxtase inacreditável com a vitória que decretou o fim de uma fase infernal do Grêmio.
Chegada aflita
O clima de hostilidade começou antes mesmo de pisar no estádio, relembra Bernardo, hoje com 47 anos:
— Dentro da van estávamos levando bumbos, barras, material. Todo mundo com tatuagem do Grêmio. A torcida deles batendo no carro, era pedra, gritaria. Se estourasse um vidro ali eu não sei o que teria acontecido.
Mesmo escoltados pela polícia, a tensão seguiu:
— O policial disse: "Aqui sou eu, sou a divisória". Nos botaram em fila no meio deles. Era confusão, empurrão, tapa, soco. Mas conseguimos entrar.
Na arquibancada
Lá dentro, o ambiente não era menos hostil. A torcida gremista ficou posta na arquibancada próximo à bandeirinha de escanteio do lado esquerdo em que Galatto viria a defender o pênalti de Ademar.
— Não tinha uma divisória fixa (entre as torcidas). A polícia fazia o que dava. O estádio lotado, aquela pulsação deles, música, pressão. O jogo inteiro tenso — relembra Bernardo, que complementa:
— Quando começou a confusão, bateu muito forte: "Nós vamos passar anos aqui de novo". Com o clube daquele jeito, era uma tristeza enorme.
O inacreditável diante dos olhos
— Quando o Galatto pega o pênalti, foi descontrole total. Todo mundo rolando, vibrando.
Mas ainda faltava o capítulo final, a cereja do bolo. O torcedor estava no lado oposto do lance que mudaria de vez a história do Tricolor.
— Quando bate a falta rápido, o Anderson pega a bola e entra na área. Quando ele vira o corpo e enquadra o gol. "Meu Deus! Será? Não pode!" E ele faz. Foi inexplicável —conta Bernardo, emocionado.
— O que aconteceu ali não foi normal. Aquele dia foi um dia da fé. Foi histórico para o futebol mundial. O Grêmio foi protagonista da maior vitória de todos os tempos. E eu estava lá. Me sinto um privilegiado em poder ter vivido isso. Depois daquele dia, eu tenho certeza absoluta: o Grêmio é imortal.
Para mais detalhes, assista ao documentário Memórias da Batalha – 26 Minutos de Aflição.
*Esta reportagem foi supervisionada pelo jornalista Felipe Bortolanza

