
Vinte anos depois da Batalha dos Aflitos, e novamente no comando do Grêmio, Mano Menezes diz que o episódio que garantiu o acesso à Série A em 2005 foi determinante para sua trajetória como treinador.
Em entrevista ao documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição especial que será lançado na tarde desta quarta (26) em GZH, o treinador relembra com carinho e emoção daquele aflito 26 de novembro de 2005.
— Acho que fomos escolhidos para viver aquele momento. Nunca vimos nada parecido no futebol e tenho certeza que nunca mais vamos ver nessa proporção. Acho que os deuses do futebol disseram: esses caras vão passar por isso — lembra Mano.
Guinada na carreira
Contatado do Caxias para a Série B, o técnico gaúcho tinha 43 anos e vivia sua primeira chance em um clube grande. Não havia cláusula de renovação automática em caso de acesso. Se o Grêmio ficasse na Série B, ninguém sabia qual seria o próximo passo da carreira dele.
— Era a minha primeira oportunidade. Quando você recebe as primeiras, não exige nada. Aceita e vai. Naquele momento eu não pensava em nada sobre minha carreira. Só tinha como pensar no que estava vivenciando ali, ser responsável no que tinha que ser feito — afirma.
O que veio depois daquele histórico jogo o treinador sabe bem e lembra com carinho: terceiro lugar no Brasileirão no ano seguinte e vice da Libertadores em 2007 pelo Grêmio. Após sair do clube, foi para o Corinthians, ganhou títulos nacionais e chegou à Seleção Brasileira.
— Aquele momento direcionou a vida profissional de todos nós. Foi e sempre será o momento mais importante que vivi no futebol.
E se o rumo fosse outro?

Muitos gremistas e envolvidos na Batalha, mesmo passados 20 anos, se perguntam: “E se a o pênalti de Ademar tivesse entrado?”. Ainda assim, Mano diz evitar o exercício de imaginar como teria sido o futuro em caso de derrota naquele dia:
— As oportunidades aparecem para muitos, o que faz diferença é o que você faz com elas. Mas não tenho dúvida de que, se não tivesse acontecido daquele jeito, os questionamentos seriam outros. De herói, poderia virar o técnico que perdeu o controle do time. A proporção seria igual, só que para o outro lado.
Para mais detalhes, assista ao documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição.
*Esta reportagem foi supervisionada pelo jornalista Felipe Bortolanza



