
Duas décadas se passaram. Ele jogou final de Libertadores, Champions League, Premier League e Campeonato Italiano, sem falar na camisa da Seleção Brasileira, mas nada se compara com o que viveu no dia 26 de novembro de 2005.
Lucas Leiva define aquele jogo como o mais importante de sua carreira, em documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição, que será lançado às 16h desta quarta (26) em GZH.
— Foi o jogo mais importante daminha carreira. Não tenho dúvidas. A gente nunca vai saber como seria pro Grêmio e pra minha carreira se a gente não conseguisse aquele acesso. Foi um divisor de águas — lembra.
À época, era um garoto de 18 anos. Foi jogado definitivamente ao futebol profissional. O ex-volante entrou no início do segundo tempo e viveu seu primeiro grande teste com a camisa do Grêmio, apenas algumas semanas depois de sua estreia.
Na partida decisiva, jogou todo o segundo tempo (no intervalo, entrou na vaga do atacante Ricardinho).
Temporada atípica
Gremista de coração, Lucas entrou em 2005 esperando jogar a temporada na base, como já vinha acontecendo anteriormente.
— Minha ideia era fazer o ano todo nos juniores. Talvez treinar com o profissional, mas achava difícil jogar — conta.
Aos poucos, chamou atenção de Mano Menezes nos coletivos e foi integrado ao elenco principal. Estreou como titular já no quadrangular final daquela Série B, justamente no jogo contra o Náutico, no Olímpico.
Num grupo altamente pressionado, mas muito unido, encontrou apoio:
— A gente sabia que o Grêmio tinha a obrigação de subir. Quando um menino sobe para o profissional, precisa desse abraço. E Sandro Goiano foi uma peça importantíssima na minha adaptação.
Aflição em Recife
Ao contrário do que muitos podem imaginar, Lucas entende que a pouca idade foi um fator positivo pra ele na épica Batalha dos Aflitos:
— Com 18 anos, você não pensa muito. Acho que essa foi minha sorte. Eu queria desfrutar e jogar, apesar da responsabilidade enorme.
A trajetória que começava ali mudou de patamar nos anos seguintes: Lucas virou referência na equipe e se detacou nos vices do Brasileirão de 2006 e na Libertadores de 2007, quando foi vendido ao Liverpool, onde tornou-se ídolo e é aclamado até hoje.
As coincidências da vida colocaram Lucas e Grêmio diante de um cenário semelhante ao que viveram em 26 de novembro de 2005. Quis o destino que ele retornasse ao clube que o criou justamente em uma Série B, 18 anos depois. Mais do que isso, foi dele um dos gols que decretou o Tricolor de volta à elite em 2022, justamente contra o Náutico, no mesmo local do jogo mais importante da sua vida, como bem define o ex-jogador.
Para mais detalhes, assista ao documentário Memórias da Batalha – 26 Minutos de Aflição.
*Esta reportagem foi supervisionada pelo jornalista Felipe Bortolanza


