
Rodrigo José Galatto sempre foi um homem de palavra. Antes da partida que entraria para a história como a Batalha dos Aflitos, em 26 de novembro de 2005, quando o Grêmio iria enfrentar o Náutico no jogo final da Série B, o atleta de 22 anos prometeu dar a camiseta usada na partida para César Cidade Dias, hoje gremista identificado do grupo RBS.
Os dois se conheceram trabalhando na base gremista. Apesar de todo o significado ganho por aquele jogo, o então goleiro gremista cumpriu a promessa e deu o presente para CCD.
Mas pelos caminhos da vida, 20 anos depois da Batalha dos Aflitos, a camisa está de novo nas mãos do ex-goleiro. A peça virou quadro que Galatto passou a usar aos torcedores em eventos consulares.
No aniversário de 20 anos da Batalha dos Aflitos, o ex-goleiro, hoje com 42 anos, está próximo de dar um destino final à relíquia:
— Quero dar para o Grêmio colocar no Museu, é um desejo de nós dois.
Em entrevista ao documentário Memórias da Batalha – 26 minutos de aflição, que será lançado às 16h desta quarta (26) em GZH, Galatto também relembra as dificuldades, as preocupações e o que passou pela sua cabeça após a marcação do pênalti, aos 34 minutos do segundo tempo:
— Valeu a pena todo o meu esforço de chegar no Olímpico com 13 anos, de não ser uma promessa, de não ter projeção de ser titular... Escolhi o meu lado esquerdo e tirei a bola com a perna direita. Nem comemorei porque ainda tinha 10 minutos com quatro jogadores a menos.
A defesa e as várias versões das narrações de sua defesa nos Aflitos viraram orgulho da família. O filho, Theo, de três anos, é quem mais se diverte fazendo defesas imaginárias.
— Ele se atira no chão e fala: "Galaaaaaaaaatto! Galaaaaaaaaatto!" É motivo de alegria. Gosto de ouvir pessoas com histórias sobre o 26 de novembro – conta o ex-goleiro, que é pai também de Lívia, dez anos.
Nesses 20 anos, muitos gremistas agradecidos cruzaram o caminho de Galatto. Ele se emociona com o contato com os torcedores. Ganhou presentes. Também ouviu histórias que o comoveram e mostram que sua defesa ganhou dimensão além do feito esportivo.
— A defesa ajudou um rapaz a sair da depressão, para ele encarar a vida de frente. Me marca que o rapaz pensou em tirar a vida e com a Batalha dos Aflitos, ele superou.
Fim de jogo inacreditável
No primeiro tempo daquele 26 de novembro de 2005, Galatto começou com sorte. O Náutico desperdiçou um pênalti. Bruno Carvalho chutou na trave. No segundo tempo, o jogo era morno até que, aos 34, o juiz marcou pênalti, alegando toque no braço de Nunes.
Após 25 minutos de paralisação e três expulsões, o lateral Ademar bateu o pênalti e Galatto defendeu. Escanteio. A zaga afastou e a bola sobrou para Anderson, que sofreu falta no campo de ataque. O zagueiro Batata foi expulso.
Aproveitando desatenção dos marcadores, Anderson invadiu a área, passou por dois marcadores e, de canhota, marcou o gol. O estádio calou, o Náutico esmoreceu e, nove minutos depois, o jogo acabou.
Náutico 0x1 Grêmio
Série B - Brasileirão 2005 — última Rodada — 26/11/2005
Náutico: Rodolpho; Bruno Carvalho (Miltinho), Tuca, Batata e Ademar: Tozo (Betinho), Cleisson, David (Romualdo) e Danilo; Paulo Matos e Kuki. Técnico: Roberto Cavalo
Grêmio: Galatto; Patrício, Pereira, Domingos e Escalona; Nunes, Sandro, Marcelo Costa e Marcel (Anderson); Ricardinho (Lucas Leiva) e Lipatin (Marcelo Oliveira). Técnico: Mano Menezes
GOL: Anderson (G), aos 60min do segundo tempo.
PÚBLICO: 29.891
CARTÕES AMARELOS: Pereira (G); Bruno Carvalho e Paulo Matos (N).
CARTÕES VERMELHOS: Patrício, Domingos, Nunes e Escalona (G); Batata (N).
ARBITRAGEM: Djalma José Beltrami Teixeira (RJ), auxiliado por Hilton Moutinho Rodrigues (Fifa-RJ) e Carlos Henrique Alves de Lima (RJ).
LOCAL: Aflitos, Recife (PE)
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