
A nova desistência de Marcelo Marques de concorrer à presidência do Grêmio foi anunciada nesta segunda (22), em sua segunda retirada de pré-candidatura ao cargo. Em carta aberta aos torcedores, ele justificou sua decisão com três motivos.
A decisão mexe com o cenário político gremista mais uma vez. No final do mês de agosto (dia 27/8), Marques já havia desistido, alegando que o fator político havia sido o motivo. Nesta segunda, no entanto, não citou isto diretamente.
Como fica a corrida presidencial do Grêmio sem Marcelo Marques?
Desta vez, em carta aos gremistas, ele cita três razões. Primeiramente, a "exposição pública", que, segundo o empresário, o transformou em "cifras fora de contexto", fato que teria o constrangido e assustado sua família.
Em segundo lugar, a "responsabilidade intransferível" com sua empresa, em que diz exigir sua presença diária. Por fim, "amor ao Grêmio", pois ele crê que o clube precisa de alguém com "mais disponibilidade e conhecimento" sobre futebol para assumir a posição.
Os três motivos da nova desistência de Marques
- "Exposição pública": "me transformou involuntariamente em cifras fora de contexto e acabou constrangendo e assustando minha família";
- "Responsabilidade intransferível" com sua empresa: citou que necessita estar presente diariamente em sua empresa;
- "Amor ao Grêmio": entende que o clube precisa de alguém com "mais disponibilidade e conhecimento" sobre futebol para assumir o cargo.
Confira a íntegra do pronunciamento de Marcelo Marques
"Escrevo com serenidade e em oração, pedindo a Deus a sabedoria. Depois de muita reflexão, decidi retirar minha pré-candidatura à presidência do Grêmio.
Sou uma pessoa simples, que ama o Grêmio, a família e o trabalho. Depois de refletir profundamente, cheguei à conclusão de que existem apenas três motivos que me conduzem a esta decisão, e nenhum outro além destes. O primeiro é a exposição pública em torno da minha pessoa, que me transformou involuntariamente em cifras fora de contexto e acabou constrangendo e assustando minha família.
O segundo é a responsabilidade intransferível de estar presente diariamente na minha empresa, ao lado de todos os colaboradores que nela se dedicam com tanto empenho. E o terceiro, por amor ao Grêmio, é a necessidade de deixar o ego de lado e reconhecer que o Clube precisa de alguém com mais disponibilidade e conhecimento sobre o mundo do futebol para assumir essa missão. Não posso, por vaidade, querer abraçar tudo e correr o risco de não fazer o melhor pelo nosso Grêmio. É uma escolha muito bem pensada, tomada com serenidade e consciência, e é definitiva.
Quero registrar que desde 27 de agosto, após participar do programa Sala de Redação, essa decisão já estava tomada em meu coração. Recuei naquele momento, sobretudo, pelo apoio e carinho que recebi do nosso torcedor, que sempre me fortaleceu nessa caminhada. Também esperei pelo bem do Clube, para não prejudicar jogos decisivos, como a partida contra o Flamengo e, principalmente, o clássico Gre-Nal.
Além disso, havia negociações importantes (janela de contratações) em curso, e tornar pública a decisão poderia gerar ruídos e afetar o ambiente. Por isso, aguardei até o limite.
Considero uma verdadeira honra ter contribuído de forma decisiva para a maior conquista administrativa da nossa história: a quitação da dívida da Arena, a compra da gestão e a devolução definitiva do estádio ao Clube. Foram doações pessoais, pesadas e muito significativas, acima de meus limites financeiros. Um esforço incansável, do qual não me arrependo, para que a Arena voltasse a ser 100% do Grêmio. Aquele dia foi, sem dúvida, um dos mais felizes da minha vida, pois sempre afirmei que essa conquista era ainda mais importante do que ser presidente.
Sigo com o compromisso de cuidar da gestão da Arena até 01/01/2026, entregando-a em sua melhor versão: moderna, tecnológica e preparada para grandes espetáculos. Um espaço multiuso de excelência, com estrutura de padrão internacional e soluções inovadoras, tudo isso sem nenhum custo adicional ao Clube. Esse será o meu legado: consolidar nossa casa como uma das arenas mais moderna da América Latina.
Agora, faço um pedido sincero a todos os gremistas: que me permitam voltar a ser apenas mais um torcedor. Quero estar ao lado da minha família nas arquibancadas, como qualquer gremista, vibrando com cada vitória, sofrendo com cada derrota e vivendo a emoção que só o nosso Clube proporciona.
Agradeço profundamente a cada torcedor pelo carinho, apoio e força. Em cada gesto, vi a grandeza da nossa gente. Rezo para que Deus abençoe a torcida e nos mantenha unidos pelo que realmente importa: um Grêmio forte em campo e uma instituição sólida. Agora é hora de união e de apoiar também o presidente Alberto Guerra, que, assim como nós, é torcedor, tem família e trabalha de forma abnegada pelo nosso Clube."
As eleições gremistas
Após a inscrição das chapas para o Conselho Deliberativo, o próximo passo é a votação dos associados, que está marcada para 27 de setembro. Depois, com as 150 cadeiras preenchidas, o foco vira para a eleição presidencial do clube.
O primeiro passo deve ser a publicação de um edital, o que deve ocorrer no início de novembro. Segundo o estatuto do Grêmio, a eleição para presidente deve ocorrer na primeira quinzena de novembro. Os candidatos que tiverem mais de 20% dos votos avançam para a assembleia dos associados.
Depois de 10 dias da promulgação do resultado no Conselho Deliberativo, e havendo dois candidatos que ultrapassaram a cláusula da barreira, os sócios poderão votar. O clube irá oferecer a possibilidade do voto pela internet ou presencial na Arena.
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