
Além da derrota por 1 a 0 para o Mirassol, o Grêmio teve outro motivo para lamentar. No começo do segundo tempo, o centroavante Braithwaite deixou o gramado após sentir fortes dores na perna esquerda. No mesmo dia, o Grêmio confirmou que o atleta rompeu o tendão de Aquiles.
A lesão aconteceu aos oito minutos do segundo tempo. No campo de ataque, o dinamarquês tentou passar pelo zagueiro Jemmes e foi desarmado. O jogador caiu no gramado e teve de deixar o campo de maca, sendo substituído por André Henrique.
Nesta segunda (16), Braithwaite passou por cirurgia e só deve retornar aos gramados em 2026.
A lesão tende a ser a pior da carreira do dinamarquês. Na temporada 2021/2022, quando defendia o Barcelona, o jogador teve lesão no joelho e ficou afastado por 144 dias. Ao que tudo indica, o tempo de recuperação desta vez será maior.
Entenda a lesão

Segundo o Dr. Luis Rubin, ortopedista com Especialização em Cirurgia do Pé e do Tornozelo, o tendão de Aquiles é um dos tendões mais fortes do corpo humano, fundamental em atividades como caminhada, corrida, assim como no impulso para saltar e arrancar. O médico explicou o lance em que Braithwaite tem a ruptura do tendão.
— Ele coloca o pé para trás para pegar impulso e arrancar rapidamente, que é o que se faz no futebol, em um drible, em uma jogada de mudança brusca de direção. O pé é colocado para trás e o tendão de Aquiles, com a musculatura toda da panturrilha, faz uma força muito forte em um espaço de tempo muito pequeno. Então, é uma força rápida e, às vezes, é nessa situação que o tendão acaba rompendo pelo excesso de força que a pessoa faz com a panturrilha — explicou.
Rubin ainda pontuou que há um aumento na incidência de casos de ruptura do tendão de Aquiles nos últimos anos e coloca o basquete e o futebol americano como outros esportes que registram tal lesão com maior frequência. Ele informa que ela é mais comum em homens acima dos 30 anos. Braithwaite tem 34 de idade.
Como é a cirurgia?
Sobre a cirurgia, o ortopedista lembra que ela não é necessária em todos os casos, mas é a solução na maioria dos casos, como ocorreu com Braithwaite.
— As cirurgias têm sido feitas com técnicas especiais, com menos invasão, cortes menores, técnicas chamadas minimamente invasivas. Isso permite uma recuperação melhor e mais rápida. Mas ainda assim o que é necessário é abrir e suturar o tendão, basicamente. Como é um tendão muito importante, a recuperação é bem lenta e gradual, que começa bem cedo, logo depois da cirurgia, com muita fisioterapia — comentou Luis Rubin.
Como será a recuperação?

Após o reparo cirúrgico do tendão rompido, Braithwaite encara o período de reabilitação. O fisioterapeuta Daniel Carrasco, que trabalha com a seleção brasileira de judô e com os atletas da Sogipa, explica as etapas.
— Após o procedimento, o protocolo prevê ao menos seis semanas sem apoiar o pé, pois é importante o cuidado com a sutura do tendão, principalmente nas primeiras semanas. Em seguida, há uma longa fase de fisioterapia, que pode levar de cinco meses até um ano para a recuperação completa. É uma lesão grave, que exige paciência, disciplina e um processo cuidadoso de reabilitação para evitar recidivas (retorno da lesão) — disse o fisioterapeuta.
Por ser tratamento individualizado, cada jogador tem a sua forma de responder ao período de recuperação. Everton Cebolinha, por exemplo, ex-Grêmio e hoje no Flamengo, ficou longe dos gramados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, o que equivale a 171 dias.
Outro jogador que rompeu o tendão de Aquiles recentemente foi o goleiro João Paulo, do Bahia. Entre abril e novembro de 2024, quando estava no Santos, ele ficou longe dos gramados, totalizando 176 dias.
No fim de março deste ano, o volante Otávio, do Fluminense, também rompeu o tendão de Aquiles. Ele retornou no dia 31 de agosto, após 167 dias. No sábado (13), na derrota por 1 a 0 para o Corinthians, ele esteve em campo por 90 minutos.





