O empresário Sérgio Canozzi foi o segundo participante na série de entrevistas do Grupo RBS com pré-candidatos à presidência do clube para o triênio 2026/2028. Ele esteve do programa "Sem Filtro", no YouTube de GZH, na noite desta quarta-feira (2).
As entrevistas serão transmitidas a partir das 19h, com duração de 90 minutos. A série terá sequência na quinta-feira, com Gladimir Chiele. Na sexta, Denis Abrahão. Por fim, na segunda, 7 de julho, Marcelo Marques. Paulo Caleffi foi o primeiro, no dia 30.
Antes de responder aos temas, Canozzi explicou a situação polêmica que envolve seu vínculo como sócio. Para concorrer, é preciso ter 10 anos de contribuição. A atual administração do clube não confirma que o empresário cumpra este requisito. Canozzi, que vive em Santa Catarina, entrou na Justiça no Estado vizinho para tentar comprovar sua situação. Alegando perseguição política, argumenta:
— Sou sócio do Grêmio há 21 anos, esse título está em dia. Houve um problema do ponto de vista formal de registro dele, por conta de uma decisão administrativa. E eles sabem do meu potencial verbal, da minha capacidade, do meu conhecimento de Grêmio. Sinceramente, (a gestão) tem medo de mim.
A definição sobre o caso deve ocorrer nos próximos dias. Se não puder concorrer, Canozzi sinaliza apoiar Chiele ou Denis.
Confira abaixo os 6 temas abordados e as ideias de Sérgio Canozzi
Arena e Olímpico
"Eu advogo que se possa ali fazer (no terreno do Olímpico) um estádio multiuso, uma arena, não vou chamar nem estádio, porque ela vai se viabilizar só com shows, com 38 mil ou 40 mil lugares. E o exemplo é muito claro, é só ir ali a Curitiba e ver a Arena do Athletico. Estou falando no modelo arquitetônico feito por eles lá, numa zona semelhante ao que é a Azenha em Porto Alegre. Nós voltaríamos a ter sede social, piscina e desfrutar de momentos com os meus amigos na área social. O dinheiro é o mais fácil. Aquela área do Olímpico hoje, se a gente aproveitar o que o plano diretor de hoje permite, eu consigo gerar para o Grêmio, numa permuta com um incorporador. Então, a resposta é essa, é fazer um projeto que comporte financeiramente isso e que a legislação municipal contemple. Enquanto isso, o Grêmio jogaria na Arena. Quer dizer o seguinte, se o troço é prejuízo, eu não vou abraçar aquele troço. (Sobre comprar a Arena) ... se tiver rentabilidade comprovada, sem ser o que o Grêmio hoje paga lá, os números são estratosféricos, eu iria analisar o que fazer. O Grêmio poderia ficar com dois estádios? Poderia. Num, ele priorizaria shows e receita, e no outro, futebol. É uma coisa a se avaliar."
SAF
"O dinheiro que um clube toma, ele custa o dobro do que um dinheiro que uma SAF toma. A SAF pode fazer parcerias, pode se registrar na CVM, pode fazer fundo, fazer parceria com o jogador. O clube não consegue fazer isso, a não ser com valores muito maiores de custo. Então, eu realmente sou favorável à SAF. E vou dar um exemplo aqui importante, eu acho, que é o exemplo do Fortaleza. Quem é o dono da SAF é o Fortaleza, é o clube. E por que a SAF é importante? Porque ele criou uma série de mecanismos de investimentos parados para entrar no Fortaleza. A SAF que eu defendo é a mesma, não é a do Textor (John) no Botafogo. Eu acho que é uma questão de convencimento (no Conselho Deliberativo), é conversar com eles, explicar a situação, mostrar, fazer número, trazer uma consultoria de alto nível para ajudar a fazer isso. Seria apenas uma migração de modelo: sai de um clube associativo e vai para uma SAF de mercado. Só isso"
Futebol masculino
"Vamos procurar fazer uma gestão absolutamente profissional. Não tem essa história de trazer um zagueiro por R$ 26 milhões porque está desesperado e precisa de zagueiro no dia seguinte. Não. A partir do planejamento, tu vais para a ação. Então, se tu tens um fluxo de caixa compatível, com R$ 10 milhões, tu vais trabalhar com R$ 10 milhões. Eu não vou sair correndo atrás de jogador para atender a torcida, porque o negócio está indo mal. Não, o clube vai ir bem. Nós vamos planejar e fazer os investimentos compatíveis com a capacidade financeira do clube. E acho uma verdadeira barbaridade o que está acontecendo no Grêmio em relação ao futebol. Falo em grana. O Grêmio gasta entre R$ 17 milhões e R$ 18 milhões (com folha de pagamento). E jogando para não cair no Brasileiro. Graças a Deus, depois de três anos, trouxeram o Felipão."
Categorias de base
"O meu time ideal é de 4-3-3 reversível para 4-4-2, modelo Felipão 1995, com Arilson e Carlos Miguel. E eu acho que um time com uma divisão de base como a nossa, não pode nunca não ter três ou quatro jogadores da base no plantel profissional e no time titular. Agora, por exemplo, o Felipão deve estar subindo sete. Então, nós vamos ter ali 10 ou 11. No time titular tem de jogar quatro jogadores, não é possível. A não ser que, enfim, haja uma situação muito diferente da que eu estou falando. Então, teria de ter três ou quatro jogadores para dar alma ao Grêmio. E eu acho que o time tem que ter uma espinha dorsal: goleiro, zagueiro, meio-campista e centroavante. É a vertente do time, na minha visão."
Conselho Deliberativo
"Política é a arte da conversa. Política é a arte de buscar o entendimento. E eu acho que muitos do que ali estão hoje estão desgovernados em relação a coisas, até eu diria a vocês, porque tem muitos que não deveriam ser conselheiros. Eu não posso julgar as pessoas, mas eu julgando em nível macro, muita gente ali que não deveria ser conselheiro, não tem condições de ser conselheiro. Então, nós lá no Pró-Grêmio (movimento), tomamos uma decisão na comissão presidida pelo Fortunati (ex-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati), que nós não vamos levar a chapa a nenhum nome que não tenha currículo. Currículo. Eu não tenho nada contra o dono do botequim, contra o lixeiro, motorista de caminhão. Pelo contrário, são gente como eu sou, eu não sou melhor do que ninguém, mas cada um tem a sua competência. Então, no caso do Conselho do Grêmio, defendemos que o sujeito tem que ter currículo para isso. Tem que, no mínimo, ser um médico que cuida do seu consultório como se a empresa fosse e que tenha um currículo não desabonador. Então, essa é a pré-condição nossa."
Futebol feminino
"Fiquei até triste outro dia quando vi que as gurias estavam quase caindo. Isso me deixou realmente muito triste. Sabe o que acontece? A economia é a política que define recursos limitados para necessidades ilimitadas. Então, você tem que fazer opções. O sujeito tem que avaliar quanto ele vai comprar de pão, quanto ele vai comprar de leite, quanto ele vai gastar em roupa para os filhos, porque senão falta dinheiro no final do mês. Um clube que vem mal gerido, faltando dinheiro, o que aparece, o que é? É o masculino. É o profissional. Então, o dinheiro está indo para lá e as meninas, na verdade, estão sendo esquecidas. Eu acho que o futebol feminino tem de ser realmente valorizado. É um assunto que a gente não tem informações, porque eles não nos dão informações. A gente tem de avaliar os orçamentos, tem que investir mais no futebol feminino, tem que buscar patrocínios maiores. Existem empresas enormes interessadas. O Grêmio pouco valoriza o seu feminino. No masculino gastamos R$ 18 milhões por mês disputando para não cair! Quer dizer, então, é má gestão, falta gestão. O Grêmio hoje, infelizmente, eu tenho que dizer, é um clube mal gerido. Gestão é tudo. Vai ter um gestor do feminino, que seguramente vai ser uma ex-jogadora ou uma jogadora, porque tem identidade com a mulherada, e essa pessoa vai fazer uma gestão com métricas. Olha aqui, nós queremos chegar no campeonato regional a ser campeões. Em três anos, temos que ganhar dois.”
*Pré-candidato ainda não definiu os membros de seu Conselho de Administração
Confira o calendário de entrevistas do Sem Filtro
- Segunda, 30 de junho: Paulo Caleffi
- Quarta, 2 de julho: Sérgio Canozzi
- Quinta, 3 de julho: Gladimir Chiele
- Sexta, 4 de julho: Denis Abrahão
- Segunda, 7 de julho: Marcelo Marques
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