O advogado Gladimir Chiele foi o terceiro participante da série de entrevistas do Grupo RBS com pré-candidatos à presidência do Grêmio para o triênio 2026/2028. Ele participou do programa Sem Filtro, no YouTube de GZH, na noite desta quinta-feira. As entrevistas serão transmitidas a partir das 19h, com duração de 90 minutos. A série terá sequência na sexta-feira (4), com Denis Abrahão. Por fim, na segunda, 7 de julho, a sequência fecha com Marcelo Marques.
Sobre uma possível unificação com as candidaturas de Sérgio Canozzi e Denis Abrahão, Chiele deixou margem para uma conversa futura.
Confira abaixo os 6 temas abordados e as ideias de Gladimir Chiele
Arena
"A Arena é um absoluto e excelente negócio para o Grêmio, com possibilidade de aumento de receita, para mudar o clube de patamar. O valor varia, dependendo da negociação da gestão, entre R$ 180 milhões e R$ 220 milhões. Pode ser um pouco mais, um pouco menos, mas o que acontece? Com a entrada do empresário (Marcelo Marques) na jogada, certamente o freio de mão foi puxado (pela gestora) e esses valores podem ser acrescidos. E aí, eventualmente, pode-se criar uma dificuldade até operacional e financeira para que a negociação seja realizada por este caminho. Mas tem outros caminhos. Tem fundos de investimentos interessadíssimos nessa operação. Porque estamos falando de US$ 50 milhões, nem isso. Valor para fundos de investimento que têm interesse, por exemplo, em firmar parcerias. Não ser uma SAF para mandar. Um fundo de investimento comprou a SAF do Coritiba por R$ 1 bilhão. Então, são fundos que já trabalham nessa área e que nós não precisaríamos fazer uma operação de transferência de propriedade ou de um endividamento impagável, para poder viabilizar isso. Se nós fizermos um cálculo, US$ 100 milhões para um fundo de investimentos nessa área é um dos, talvez, menores negócios que essa turma tem. Nós temos alternativas para fazer. Agora, as alternativas, elas têm que ser executadas, elas têm que ser postas em prática, tem que ter, inclusive, vontade de natureza política. Ir para cima, resolver o problema. E nós temos essa dificuldade, não é de hoje, de empacar nas coisas e as coisas não avançarem."
SAF
"A Arena Porto Alegrense foi a primeira SAF do Brasil, sem termos lei. Sem termos projeção, sem ninguém falar em SAF naquela oportunidade. Por que eu digo isso? Nós temos uma SAF dentro de casa, que é a Arena. Para o bem e para o mal. Para o mal porque desde a inauguração nós temos uma relação conflituosa e permanente, que nós não conseguimos nos acertar. Isso mostra que a SAF tem esse problema e nós estamos vivendo ele diariamente. Mas a SAF para o bem significa que nós não precisamos vender o Grêmio para o Grêmio se constituir numa empresa. O entendimento muito simplificado de uma SAF é pegar uma associação sem fins lucrativos como o Grêmio e transformar ela numa SAF. Não é isso. A transformação do Grêmio numa SAF envolveria transferir patrimônio, transferir tudo aquilo que ia acontecer lá em 2012. Transferir o time, transferir tudo."
Futebol masculino
"Temos dois profissionais fantásticos. O Felipão, não só pela história, não só pela vinculação que ele tem com o Grêmio, mas pela competência. Hoje, seguramente, no país, é um dos caras que mais entende de futebol. Mas entende também das relações, ele entende de quem são as pessoas que comandam o futebol, ele tem essas relações, tanto é verdadeiro que ele foi para a CBF (na apresentação de Ancelotti). O Mano é um técnico que me agrada pessoalmente, porque é um técnico não só que conhece a aldeia, nós precisamos disso. E eu acho que o grande problema que nós tivemos esse ano foi justamente um elenco com muitos jogadores de fora (do país). Nós temos que nos indignar com o resultado negativo, coisa que não acontece mais. E nós temos que fazer com que a torcida sinta isso também. Porque na medida em que a geração nova vai se conformando em termos a possibilidade de ganhar Gauchão, nós estamos mal. Nós temos de ir para cima e ganhar campeonatos. Sobre a permanência do executivo de futebol, será necessária uma avaliação profunda."
Categorias de base
"O nosso projeto é criar em cada um dos municípios uma escolinha oficial de futebol do Grêmio em parceria com o poder público. O Grêmio é uma associação sem fins lucrativos que pode conveniar, tem os convênios prontos, tem a legislação pronta, tem o procedimento pronto. Convenia com o Grêmio, monta a escolinha e agrega ali as crianças no turno inverso da escola. Então nós temos ali um programa não só para o clube, um programa social baseado no esporte. Se a gente fizer uma média de 100 crianças por município, em média, estamos falando de 30 mil crianças, 30 mil atletas. O interior de São Paulo, o que ele faz? Ele fabrica jogadores para vender para o Nordeste e para vender para nós aqui no Interior. Por que o Grêmio não pode fazer isso? Produzir jogadores de R$ 100 mil, R$ 200 mil e vender para o Norte e Nordeste do país, vender ao interior de São Paulo. Fazer o contrafluxo, ao invés deles mandarem para nós, nós mandamos de volta para eles".
Futebol feminino
"(A ideia) é executar o mesmo projeto do masculino, igual. Então, se vai ter estrutura para o masculino, vai ter para o feminino. Se botou a camiseta do Grêmio, tem que assumir na integralidade aquela responsabilidade de fazer funcionar. Inclusive na captação lá no Interior das escolinhas masculino e feminino. Tem que ser os dois. Para os dois juntos, claro que talvez no feminino nós tenhamos menos quantidade nessa iniciativa. Mas a minha filha tem 12 anos, gosta mais de jogar futebol do que qualquer outro esporte. Então, é a tendência natural que está crescendo. O Grêmio tem de acompanhar isso, com a estrutura necessária".
Conselho Deliberativo e Conselho de Administração
"Embora o presidente seja o comandante do clube, eu considero a renovação do Conselho Deliberativo a mais importante. Do resultado dessa eleição vão emergir forças políticas que sejam interessantes. Por quê? Porque o Conselho de Administração, diferentemente das áreas técnicas, que tem de ser profissionais, ele tem que ter um perfil que entenda da situação administrativa. E, ao mesmo tempo, tenha uma condução política. Quem vai comandar o Grêmio tem que ter essa vinculação com as ideias, com os projetos. Porque, senão, nós vamos ficar de novo trabalhando aquela velha prática que está ali no Grêmio e está também no Internacional há 120 anos. Os tempos estão alterando, os tempos estão mudando. A ideia de trabalhar o Grêmio como uma empresa não significa transformá-lo numa empresa, mas sim adotar práticas administrativas pelo seu comando gerencial, que ela tem essa condução. A gente sente essa dificuldade de dirigentes. Então, nós temos que ter perfis, nós temos que trabalhar o projeto e a execução dos perfis com base nesta linha de atuação."
*Pré-candidato ainda não definiu os membros de seu Conselho de Administração
Confira o calendário de entrevistas do Sem Filtro
- Segunda, 30 de junho: Paulo Caleffi
- Quarta, 2 de julho: Sérgio Canozzi
- Quinta, 3 de julho: Gladimir Chiele
- Sexta, 4 de julho: Denis Abrahão
- Segunda, 7 de julho: Marcelo Marques
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