
Com a compra da Arena do Grêmio pelo empresário Marcelo Marques na última sexta-feira (11), a empolgação se instalou entre os torcedores, mas muitas dúvidas, também. Afinal, o problema se arrastava desde 2013 e era grande a expectativa para que o estádio fosse de propriedade do clube.
Agora, será instaurado um período de transição da gestão do estádio, que atualmente é de responsabilidade da empresa Arena Porto-Alegrense. A oficialização só ocorrerá em 2026, mas o Grêmio pretende passar a fazer as coisas do seu jeito ainda este ano, a começar pela partida contra o Alianza Lima, na próxima quarta-feira (23), em que o clube promete mudanças que agradarão aos torcedores.
E como fica o Olímpico nessa história? O Grêmio vai ter que pagar alguma coisa? Essas foram algumas perguntas respondidas em coletiva nesta terça-feira (15) que reuniu Marcelo Marques e o presidente tricolor, Alberto Guerra. Zero Hora reuniu as respostas e os pontos mais importantes sobre esse passo histórico para o clube.
Tudo sobre a compra da Arena do Grêmio
O que foi comprado?
O empresário Marcelo Marques comprou os direitos de gestão da Arena do Grêmio por R$ 50 milhões e dois terços da dívida pelo financiamento para a construção do estádio por R$ 80 milhões.
Os beneficiados foram a Arena Porto-Alegrense, responsável pela administração do estádio, e o fundo de investimentos Reag, ligado à empresa de gestão imobiliária Revee, respectivamente. O negócio, que totalizou R$ 130 milhões, abre caminho para que o Grêmio assuma a operação do estádio e a posse definitiva do imóvel.
Quem administra a Arena?
A Arena é administrada pela Arena Porto-Alegrense, Sociedade de Propósito Específico montada na época da construção do estádio e ligada a OAS 26, empreiteira parceira do clube no empreendimento e responsável pelas obras do estádio. Ela é quem controla toda a operação em dias de jogos e eventos como shows, bem como fica com as receitas provenientes desses eventos. O atual contrato do Grêmio com a empresa prevê 20 anos de exploração comercial pela construtora, até 2033.
Quais os próximos passos?
Uma transição será feita para a troca da gestão da Arena Porto-Alegrense para o Grêmio, em um processo que deve durar até dezembro de 2025. O clube passará a administrar toda a operação do estádio apenas em 2026, mas os dirigentes estimam já poder intervir sobre assuntos como definição do preço dos ingressos e manutenção do gramado, entre outros, nos próximos jogos.
— Tem uma transição agora, Grêmio e Marcelo vão tomar todas as medidas possíveis, dentro dos prazos, para que tudo melhore, desde o acesso ao gramado. Mas não vai ser do dia para a noite. Vai ser paulatinamente, na medida que a gestão chegar ao Grêmio — disse o presidente Alberto Guerra.
O Grêmio vai pagar algum valor pelo negócio?
Não. Marcelo Marques afirmou que os valores destinados à compra da Arena serão doados ao Grêmio, sem contrapartidas do clube. O direito de superfície (gestão) ficará de posse dele até o fim do ano, quando poderá ser transferido ao Grêmio. Como o Grêmio já tinha um terço da dívida da Arena, o financiamento para a construção do estádio, a grosso modo, está quitado.
— A gente nunca teve dúvida de que era para entregar ao Grêmio. Não por poder, mas para destravar isso e que esse gesto sirva para o nosso torcedor entender que o Grêmio é dele, a Arena é dele e o Grêmio vai chegar aonde o torcedor quiser. Por isso que a gente resolveu doar — declarou o empresário.
Quando a Arena passará a ser do Grêmio?
O Grêmio será, de fato, proprietário do estádio quando ocorrer a troca de chaves com as empresas OAS 26 e Karagounis. O clube recebe a Arena e entrega a área do antigo estádio Olímpico, no bairro da Azenha. Essa permuta estava prevista no acordo para a construção do estádio, mas não saiu do papel.
— A partir do momento que não existe mais oneração (dívidas) sobre a Arena, a permuta pode ser feita. É evidente que, para que essa escritura pública seja assinada, é necessário providências burocráticas. No momento que faz a escritura, a propriedade da Arena passa a ser do Grêmio, a propriedade do Olímpico passa a ser de duas empresas, Karagounis e OAS 26, e fica consolidada a propriedade do Grêmio, mais a superfície que o Marcelo adquiriu — explicou o vice-presidente Eduardo Magrisso.
E o que será feito do estádio Olímpico?
Com a troca de chaves entre as partes, a área do Olímpico deixa de ser propriedade do Grêmio e passa a ser das empresas privadas. O plano inicial previa a demolição do antigo estádio para a construção de empreendimentos imobiliários na região, em uma área central de Porto Alegre. Por enquanto, não há nenhuma projeção de quando isso deve ocorrer.
Quem fará as obras do entorno da Arena?
Como contrapartida para a construção do novo estádio no bairro Humaitá, a OAS se comprometeu a realizar obras viárias e de saneamento na região. Essas obras nunca saíram do papel e viraram tema de discussão na Justiça, ainda sem definição de quem será o responsável por executá-las.
— O Grêmio tem extremo interesse nas obras do entorno, porque a comunidade do Humaitá e Vila Farrapos sofre muito sem essas obras. Mas o Grêmio não é e nunca foi responsável por elas. A empresa responsável é a OAS. Ela ofereceu para a prefeitura um dos terrenos do Olímpico em pagamento a essas obras do entorno. O Grêmio vai acompanhar, mas a responsabilidade é de OAS, Karagounis e prefeitura. E, como morador do bairro, o Grêmio, junto com toda a comunidade, tem a expectativa de que isso se resolva o quanto antes — disse Magrisso.
Qual o impacto financeiro da compra da Arena para o futuro do Grêmio?
Ao assumir o controle da Arena, o Grêmio deixará de pagar R$ 20,5 milhões anuais à Arena Porto-Alegrense para que seus sócios tenham acesso livre ao estádio. Além disso, terá direito à renda da bilheteria em dias de jogos e outros eventos e poderá explorar o espaço comercialmente, ao mesmo tempo em que também passará a arcar com os custos de manutenção e operação. Mesmo assim, o clube estima um incremento de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões anuais em receitas.
— A Arena vai ser muito rentável. O custo anual, o Mauro (diretor da Arena) passou que é em torno de R$ 50 milhões para manter funcionando. Nós tiramos fácil isso com movimentação de bilheteria, vendas de publicidade. Isso é tranquilo. E tem muitos outros benefícios. Pagando os custos e o que traz de benefícios, o nosso cálculo pessimista é de uns R$ 50 milhões líquidos a mais para o clube, e o otimista é uns R$ 100 milhões. Aí depende do torcedor — afirmou Marques.
— De 10 a 20% do orçamento anual do clube, acrescento – complementou Guerra.
Quem arca com as contas da Arena até o final do ano?
— Nossa ideia é que se pague. Um dos pedidos foi que a gente tocasse o negócio, o Grêmio também pediu. O Grêmio não vai ter nenhum ônus nesta transição, nem a OAS. Nesses cinco meses de contrato para passar para o Grêmio, a ideia é fechar no zero a zero. Se der negativo, eu prometi bancar para a OAS. E se der positivo, volta o lucro para o Grêmio. Foi o acordo que fizemos para concretizar. O Grêmio não vai ter nenhum prejuízo. E se der lucro, vai ser do Grêmio — explicou Marques.
O Grêmio vai vender o naming rights da Arena?
— A gente sabe que é uma receita importante, mas, de novo, isso tudo aconteceu em três dias, anunciado numa sexta para um sábado. Nós estamos já na terça-feira, então, tem tempo, existe um processo de transição, mas, certamente, vamos trabalhar essa questão, não só o Grêmio, quanto o Marcelo também, para que a gente possa rentabilizar ainda muito mais a Arena – disse Alberto Guerra.
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