
A relação conflituosa entre Grêmio e Arena Porto-Alegense levou a direção do clube a compartilhar com conselheiros um plano para tentar mudar um quadro que se arrasta desde 2013. Desde aquele ano, sob a gestão do então presidente Fábio Koff, o Grêmio debate a administração do estádio.
O Grêmio precisa resolver a questão da Arena em duas frentes. A primeira é sobre o direito de superfície, que garantiria a possibilidade de gerir a estrutura. A segunda é a propriedade do estádio, ou seja, ter a posse do bem.
Na avaliação da gestão do clube, o problema mais importante a ser solucionado é a questão da propriedade. E o Grêmio trabalha com vários cenários para resolver a situação.
O caminho mais fácil seria o pagamento por parte da Arena Porto-Alegrense do valor da alienação fiduciária (garantia em que o devedor transfere o bem para o credor) da propriedade, uma forma de garantia do pagamento da dívida pelo financiamento da construção do estádio. Dívida esta que seria de aproximadamente R$ 300 milhões.
Pela garantia dada pela construtora no momento da contratação do financiamento com Santander, Banrisul e Banco do Brasil para a construção da Arena, o estádio representa apenas 8% da dívida total, o que daria cerca de R$ 24 milhões.
Quando esses R$ 24 milhões forem depositados pela gestora do estádio em juízo, a troca das chaves de Olímpico e Arena pode ocorrer sem o clube ter riscos de ser cobrado pelas dívidas passadas.
Por iniciativa da direção, uma solução jurídica também é buscada. Há uma cláusula no contrato de financiamento da construtora com os bancos dizendo que, a partir de uma determinada data, a alienação fiduciária deveria ser levantada.
O clube ingressou com uma ação na Justiça solicitando que esse dispositivo seja acionado. Uma audiência em agosto tratará sobre esse pedido.
Compra da gestão do estádio
No caso do direito de superfície, que garante a gestão do estádio, a solução é negociar com a Arena Porto-Alegrense. Seria necessário pagar à empresa para encerrar o contrato atual.
Em 2023, o clube abriu negociações e tinha encaminhado a compra da gestão por cerca de R$ 60 milhões, mas o negócio não avançou. A gestão de Romildo Bolzan também tratou deste cenário, mas igualmente teve suas iniciativas rejeitadas na reta final da aquisição.
Entenda os termos do negócio
Direito de superfície
É o direito de gerir o estádio.
Propriedade do estádio
É ter a posse do bem. Não garante poder de decisão sobre a operação do estádio.
Alienação fiduciária
É a garantia do negócio jurídico em que o devedor (fiduciante) transfere a propriedade de um bem (imóvel, veículo etc.) para o credor (fiduciário, geralmente um banco) como garantia de um empréstimo ou financiamento.
Quer receber as notícias mais importantes do Tricolor? Clique aqui e se inscreva na newsletter do Grêmio.


