
Com o Grêmio liberado para realizar treinamentos coletivos no CT Luiz Carvalho a partir desta segunda-feira (13), o técnico Renato Portaluppi voltará a se fazer presente na rotina diária dos jogadores. Aguardado para desembarcar em Porto Alegre no final da manhã, o treinador terá de passar por uma bateria de exames e testes para covid-19 para, enfim, se reaproximar dos atletas.
Liberado pela diretoria para permanecer no Rio de Janeiro, o ídolo gremista se fez ausente da retomada dos trabalhos da equipe nestes últimos meses, mas não deixou de ser notícia. GaúchaZH recorda agora os fatos públicos em que Renato se envolveu durante o período de quase quatro meses.
Idas à praia
Com a paralisação dos campeonatos e até mesmo dos treinos na metade de março, Renato viajou para ficar com a família, em sua residência no Rio de Janeiro. O técnico gremista, inclusive, havia se manifestado duramente, cobrando que as competições fossem interrompidas por temer o avanço da pandemia em território brasileiro. Mesmo assim, três dias depois, ele foi fotografado na praia de Ipanema, na capital carioca, tomando banho de mar, conversando com amigos e até jogando futevôlei.
A cena voltaria a se repetir durante o período em que o ídolo tricolor permaneceu longe do Grêmio, o que gerou inúmeras críticas nas redes sociais.
Doação de alimentos
Mesmo estando longe, o ídolo gremista se mostrou solidário com a crise econômica vivida por algumas famílias carentes em Porto Alegre. Em abril, o treinador doou uma tonelada de alimentos para a ONG Projeto Renascer, da Restinga, na zona sul da Capital. Em maio, foi a vez de distribuir sete toneladas na Vila Liberdade, na zona norte.
Conversa com Bolsonaro
No final de abril, o presidente da República, Jair Bolsonaro, revelou em entrevista que havia conversado com um técnico do Rio Grande do Sul para saber a opinião dos profissionais acerca da volta do futebol. No dia seguinte, Renato confirmou ao colunista Eduardo Gabardo que foi ele o treinador procurado pela autoridade máxima do país. No diálogo entre ambos, o comandante gremista revelou a Bolsonaro que era favorável ao retorno das partidas, desde que respeitados os protocolos de saúde. Porém, os jogadores permaneciam contrários à retomada.
Orientação para ficar no Rio
Depois de muito planejamento, o Grêmio voltou às atividades no CT Luiz Carvalho no início de maio. Orientado pelo departamento médico, o treinador foi liberado da reapresentação em Porto Alegre. Pertencente ao grupo de risco da doença, por ter realizado procedimentos cirúrgicos no coração recentemente, o profissional de 57 anos de idade foi recomendado a permanecer no Rio de Janeiro, respeitando o isolamento social. Enquanto isso, os trabalhos da equipe seriam coordenados pelo auxiliar Alexandre Mendes.
Primeira entrevista
No final de maio, o treinador concedeu ao canal do próprio clube sua primeira entrevista durante o período de pandemia. Direto de seu apartamento no Rio de Janeiro, ele respondeu a perguntas feitas pela assessoria de imprensa do Grêmio e elogiou a estrutura montada e os protocolos adotado no CT Luiz Carvalho.
— O Grêmio está de parabéns pela estrutura que foi montada e que não é nada barato. Por isso, a gente segue à risca o que o departamento médico nos passa, porque nessas horas todo o cuidado é essencial. Até para os jogadores se sentirem tranquilos e saírem de casa, sabendo que vão chegar no seu clube para trabalhar, mas que têm todas as garantias — disse ele.
Explicações sobre a praia

Após a terceira aparição pública na praia, Renato tentou justificar seu comportamento ao colunista Eduardo Gabardo. O treinador gremista argumentou que não havia desrespeitado nenhuma regra, já que a ida à praia estava liberada pela prefeitura do Rio de Janeiro. E ainda respondeu que não estava em Porto Alegre para não causar maiores despesas ao Grêmio, uma vez que vive em um hotel custeado pelo clube.
— No dia em que os trabalhos com contato, como os coletivos, estiverem autorizados, eu estarei aí — prometeu ele.
Direção solta nota
Por conta do debate que se formou a partir das idas de Renato à praia, no Rio de Janeiro, o Grêmio divulgou uma nota abordando o tema. Nela, o clube dizia que vinha "orientando seus colaboradores sobre cuidados necessários para barrar eventual contágio, além de implementar rígidos protocolos médicos e sanitários, seguindo todas as determinações das autoridades municipal e governamental".
— Nós encaramos como um processo de resiliência. O Renato é essa figura, é essa personalidade. É essa situação de ser uma grande liderança. Ele tem da sua própria formação o seu jeito. Esse jeito que o fez um atleta campeão da América e do mundo. E um vitorioso que nos trouxe agora para ser campeão da Copa do Brasil e da Libertadores — afirmou o vice-presidente de futebol, Paulo Luz, em entrevista à Rádio Gaúcha naquela ocasião.
Redução salarial
Quando o clube anunciou o acerto com o elenco, de que pagaria 55% dos salários em 2021, o técnico divulgou uma nota por meio de sua assessoria de imprensa. Embora distante, o treinador foi consultado e, em conjunto com lideranças do vestiário, chegou a um consenso com a direção sobre a readequação financeira que seria implantada.
— Tudo isso só foi possível por conta da relação e extrema confiança que existe entre o presidente Romildo Bolzan, a comissão técnica e os jogadores — dizia o texto.
Entrevista para jornal italiano
Enquanto o Grêmio aguardava o desfecho da negociação que envolvia a venda do volante Arthur, do Barcelona para a Juventus, Renato ganhou destaque na imprensa italiana. Responsável por ter lançado o atleta ainda em 2017, o treinador concedeu uma entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport, referendando a contratação de seu ex-comandado.
— Um jogador como ele (Arthur) se adapta a qualquer estilo. Pergunte a qualquer treinador, ele vai dizer que gostaria de ter o Arthur. Pode melhorar, como todos: do Messi, com quem jogava, ao Cristiano (Ronaldo), com quem jogará — declarou.
Quase ida à Criciúma
Diante da possibilidade de o Grêmio mandar seus treinos em Criciúma, com a impossibilidade de realizar trabalhos coletivos em Porto Alegre, o treinador começou a fazer as malas para deixar o Rio de Janeiro. O objetivo era que ele desembarcasse em Florianópolis e viajasse direto, por estrada, rumo ao sul do Estado de Santa Catarina. Porém, como a missão foi abortada, o treinador poderá enfim retornar à capital gaúcha.
Abordagem policial na praia
Um dia antes de voltar ao Rio Grande do Sul, Renato foi visto mais uma vez na praia, no Rio de Janeiro, ao lado de amigos. Desta vez, porém, o treinador foi interpelado por um policial.
— Muito educadamente ele veio pedir apenas para ninguém ficar sentado na areia. Nada além disso — afirmou ele, por meio de sua assessoria.

