
A pandemia de coronavírus já acarreta prejuízos financeiros nos clubes em todo o mundo. Ainda assim, o futebol voltará em algum momento e as equipes terão de buscar reforços para encarar as competições que encontrarão pela frente. Uma das alternativas será trocar jogadores com outros times, devido à escassez de verba para contratações.
Esta prática não é tão nova assim. No lado do Grêmio, um caso é bastante lembrado: a vinda de Paulo Nunes do Flamengo. O atacante, que depois viraria ídolo do clube, chegou a Porto Alegre junto ao centroavante Magno em troca pelo zagueiro Agnaldo. Há outros casos em que a torcida deve recordar, como as vindas de Elano por Miralles, em troca com o Santos, e a de Alisson e Thonny Anderson por Edilson, com o Cruzeiro.
Relembre algumas trocas:
Paulo Isidoro por Éder Aleixo (com o Atlético-MG)

Este foi um negócio que agitou o mercado no início da década de 1980. Éder Aleixo era ponta-esquerda do Grêmio e chamava atenção pela forte finalização com a perna esquerda. Já tinha, até mesmo, convocações para a Seleção Brasileira. Por outro lado, o Tricolor recebeu do Atlético-MG o meia Paulo Isidoro, também com histórico com a camisa canarinho. Foi figura importante no título do primeiro Campeonato Brasileira da história do clube, em 1981.
Magno e Paulo Nunes por Agnaldo (com o Flamengo)

Um dos negócios mais emblemáticos da história gremista. O Flamengo queria contratar o zagueiro Agnaldo, um dos destaques do Grêmio na conquista da Copa do Brasil de 1994. A equipe gaúcha aceitou negociá-lo no ano seguinte sob uma condição: receber uma quantia em dinheiro, mais dois atletas. O primeiro era o centroavante Magno, um pedido do técnico Felipão. O segundo foi escolhido depois de os cariocas entregarem uma lista com oito nomes para que o Tricolor selecionasse um. E o escolhido foi Paulo Nunes, que acabaria tornando-se ídolo com a camisa gremista.
Elano por Miralles (com o Santos)

Em julho de 2012, o Grêmio anunciava a contratação de um jogador com histórico de Seleção Brasileira: o meia Elano, então no Santos. Em troca, a equipe gaúcha cedeu o argentino Ezequiel Miralles para o time da Vila Belmiro. Elano já tinha 31 anos, enquanto Miralles tinha 28. Ainda assim, a troca acabou sendo boa para o Tricolor, que recebeu um jogador que logo tornou-se titular nas mãos de Vanderlei Luxemburgo e mandou para o Santos um reserva, que também não conseguiu se firmar na equipe paulista.
Walace por Marquinhos (com o Avaí)

Destaque no título da Copa do Brasil de 2016 pelo Grêmio, o volante Walace chegou ao clube em 2013, ainda para as categorias de base, em um negócio envolvendo o retorno do meia Marquinhos ao Avaí. O clube gaúcho aceitou liberar o veterano, ídolo no clube catarinense, mediante a chegada do baiano, natural de Salvador. Indicado pelo então coordenador de formação tricolor Júnior Chávare, o negócio foi fechado. Anos depois, com título no currículo, Walace foi negociado com o Hamburgo, da Alemanha, por 10 milhões de euros.
Barcos por Vilson, Rondinelly, Léo Gago e Leandro (com o Palmeiras)

O Grêmio tinha a pretensão de conquistar a Libertadores de 2013, ano de inauguração da Arena. Até mesmo por isso, montou uma equipe forte, repleta de estrelas. Uma delas foi o centroavante argentino Hernán Barcos, vice-artilheiro do Brasileirão do ano anterior, com 17 gols. Ele chegou ao clube gaúcho vindo do Palmeiras, em um troca que envolveu a ida do zagueiro Vilson, do atacante Leandro, do volante Léo Gago e do meia Rondinelly por empréstimo, além de uma quantia em dinheiro. O "Pirata" permaneceu em Porto Alegre por pouco mais de dois anos e tornou-se o maior artilheiro estrangeiro da história do clube.
Rhodolfo por Souza (com o São Paulo)

Em setembro de 2014 foi sacramentada a permanência do zagueiro Rhodolfo, que pertencia ao São Paulo, em Porto Alegre. Ele estava emprestado ao Grêmio que, para mantê-lo, precisou ceder o volante Souza à equipe paulista. À época, os técnicos Felipão, que estava no Grêmio, e Muricy Ramalho, do Santos, concordaram com o negócio. Os dois jogadores foram bem em suas respectivas equipes e, um ano depois, foram negociados com o futebol europeu, mais especificamente da Turquia — Rhodolfo foi para o Besiktas e Souza foi para o Fenerbahçe, em 2015.
Diego Rosa por Walace Reis (com o Vitória)

Campeão mundial sub-17 com a seleção brasileira no ano passado, o volante Diego Rosa, 17 anos, chegou ao Grêmio como moeda de troca para o empréstimo do zagueiro Wallace Reis ao Vitória, em junho de 2017. Uma das principais promessas da base gremista, o garoto estava no sub-15 do time baiano quando veio para o Tricolor. A equipe nordestina deseja contar com o zagueiro gremista, que não estava nos planos do técnico Renato Portaluppi. O Vitória, porém, não tinha condições de arcar com os salários do jogador. Por isso, cedeu Diego Rosa para o Grêmio em troca do empréstimo de Wallace Reis, que continuo tendo os vencimentos pagos pela equipe gaúcha.
Alisson e Thonny Anderson por Edilson (com o Cruzeiro)

O Grêmio havia acabado de conquistar o tri da Libertadores e chegado à final do Mundial, tendo o lateral-direito Edilson como um dos destaques. Assim, surgiu o interesse do Cruzeiro no jogador. Para levá-lo, no início de 2018, o clube mineiro teve de desembolsar uma quantia em dinheiro e repassar outros dois jogadores ao Tricolor: os meias Alisson e Thonny Anderson. Um deles tornou-se titular da equipe gaúcha, com gols importantes, e o outro foi negociado pelo Grêmio neste ano com o Red Bull Bragantino por 3 milhões de euros.
Victor Ferraz por Madson (com o Santos)

No início deste ano, com a saída de Léo Moura e Rafael Galhardo, o Grêmio buscava um lateral-direito titular. Madson, que estava emprestado pelo clube gaúcho ao Athletico-PR, havia terminado bem 2019. Por isso, surgiu a possibilidade de Victor Ferraz chegar a Porto Alegre e Madson seguir para o litoral paulista. E foi isso que aconteceu. O experiente lateral de 32 anos, que estava no Santos desde 2014, foi um dos destaques da equipe tricolor neste início de ano, antes da paralisação do calendário esportivo em razão do coronavírus.
Orejuela por Machado e Jhonata Robert (com o Cruzeiro)

Também para a lateral direita, o Grêmio buscou o empréstimo do colombiano Orejuela junto ao Cruzeiro, que foi rebaixado à Série B e não teria condições financeiras de arcar com o salário do jogador. Assim, também por empréstimo, o clube gaúcho cedeu os garotos Machado e Jhonata Robert aos mineiros e ainda pagou um valor em dinheiro. Até agora, Orejuela teve poucas oportunidades no Rio Grande do Sul. Foram apenas quatro jogos com a camisa gremista e nenhum gol nem assistência.



