
A série Planeta Gauchão conta histórias de jogadores do Estadual que atuaram em países fora da rota tradicional do futebol. No episódio de hoje, confira as vivências e os perrengues enfrentados pelo volante Keverton, do São José.
"Com a cara e a coragem", guiado pelo desejo de viver uma "experiência maravilhosa" e pela esperança de encontrar uma oportunidade que lhe abrisse portas na Europa, o volante Keverton atravessou o oceano. Deixou o Hercílio Luz para vestir as cores do FK Kapaz, no Azerbaijão, levando na bagagem sonhos maiores que o medo do desconhecido.
A cultura distante, o frio intenso e, sobretudo, a alimentação figuravam entre suas principais preocupações. Antes mesmo de embarcar, o brasileiro tratou de investigar a nova casa, tentando reduzir as incertezas do caminho.
— A alimentação era um dos meus maiores medos. Mas fui pesquisando e vi que tinha tudo o que tem aqui: frango, carne, arroz normal — contou.
Ainda assim, nenhum preparo foi capaz de blindá-lo completamente das surpresas. E foi logo nas primeiras manhãs que o choque cultural se fez mais marcante.
— No hotel, não tinha pão normal. O café era diferente, o pão era uma massa meio molenga, meio doce. A pior experiência foi no café da manhã — relembra.
E a comunicação?

Em meio a um idioma estranho e costumes novos, Keverton encontrou alívio ao ouvir uma língua familiar. Braga, também brasileiro, já estava no Azerbaijão há mais tempo e serviu como ponte entre mundos.
— A adaptação foi rápida muito pela ajuda dele. Ele não falava tanto inglês, mas entendia bastante. Nos treinos, me explicava tudo — recorda.
Quando a companhia não estava por perto, a tecnologia assumia o papel de aliada. O tradutor do celular tornou-se o segundo melhor amigo do volante durante aquele período.
— A maioria das pessoas falava inglês. Então eu vivia com o celular na mão. Com o tempo, fui aprendendo algumas coisas e já conseguia entender mais ou menos o que diziam no dia a dia e nos treinos.
Experiência para a vida

A passagem pelo Azerbaijão não foi longa — menos de seis meses bastaram. Ainda assim, o tempo foi suficiente para deixar marcas profundas e lições duradouras.
— Não me arrependo nem um pouco dessa decisão. Foi um período difícil da minha vida, mas o aprendizado foi maior do que os problemas.
Agora, de volta ao Brasil e defendendo o São José, Keverton segue colecionando experiências. Ao lado da esposa Aline e da pequena Yara, de apenas um ano, alimenta o sonho de, um dia, cruzar novamente fronteiras.
— O sonho máximo é disputar uma Champions League, defender um clube grande da Espanha ou da Inglaterra.





