
A série Torcedor de Carteirinha conta histórias de pessoas não apenas apaixonadas pelos clubes do Gauchão, mas que contribuem como sócios há longo tempo. Nesta e nas outras reportagens serão apresentados personagens que estão entre os associados mais antigos de cada equipe. No episódio de hoje, o destaque é Neivo Zago, sócio do Ypiranga há mais de cinco décadas.
A relação de Neivo Zago com o futebol nasceu cedo, ainda na infância, com o sonho de ser atleta. Com o tempo, esse amor encontrou outras formas de expressão: passou pelos microfones de rádio, por colunas de jornal, até criar raízes definitivas nas arquibancadas do Colosso da Lagoa.
Sócio do Ypiranga há mais de meio século, o professor de Letras iniciou sua história com o Canarinho ainda adolescente.
Aos 15 anos, morando em Três Arroios, já fazia parte da massa auriverde que aprendeu a sofrer, vibrar e torcedor pelo clube, adversário do Inter nas semifinais do Gauchão deste ano. O jogo de ida será em Erechim, neste domingo (15). A volta está marcada para o Beira-Rio, no outro fim de semana.
— Desde o tempo do Estádio da Montanha, quando eu estudava no colégio interno, entre 1965 e 1970, acompanhei cada passo da construção do estádio. Estive em todos os jogos de inauguração e vi o gol 1.040 do Pelé — relembra, com a memória viva como se fosse ontem.
Ao longo de seus 75 anos, Neivo também conheceu o Ypiranga por dentro. Nos anos 1990, viveu os bastidores do clube como coordenador da escolinha de futebol, ajudando a formar atletas e alimentar esperanças em tempos difíceis.
— Fui conselheiro do Ypiranga no tempo das vacas magras. Aliás, nem sei se no futebol existem vacas gordas. Mas tive bons momentos. Em 92, 93 e 94, coordenei a escolinha junto com outras duas pessoas — recorda.

Hoje, Neivo Zago segue sonhando. Sonha alto, como quem aprendeu que o futebol é feito de improbabilidades. Um acesso à Série B e um título do Gauchão parecem distantes, mas representam a realização máxima de um torcedor fiel.
— Os sonhos seriam esses: ser campeão gaúcho, algo muito difícil. O Ypiranga é a quinta força, há a dupla Ca-Ju, e o apoio financeiro deles é muito maior, com mais indústrias do que Erechim. E subir para a Série B. É um sonho distante, quase meteórico — finaliza.
Mais do que resultados ou troféus, a história de Neivo Zago se confunde com a própria trajetória do Ypiranga. É feita de presença constante, de memória preservada e de uma paixão que atravessa gerações.
