
Um clássico conta muito mais do que o resultado que vai para a história. É também um microcosmos do seu tempo. O Gre-Nal 449 sintetiza os dias atuais do futebol brasileiro. Em uma rivalidade que ultrapassa os 100 anos, contada por muitos gaúchos que vestiram vermelho e azul, o jogo das 20h de domingo (25), no Beira-Rio, terá muitas cores e sotaques. Jogadores de fora do país não são raridade, mas nunca tantos simultaneamente nos dois elencos. Pela primeira vez, os dois técnicos são estrangeiros.
Contando os brasileiros, são 12 nacionalidades. Nem todas estarão em campo pelo clássico da 5ª rodada do Gauchão. Nessa espécie de assembleia da ONU pampeana, o uruguaio Paulo Pezzolano, no Inter, e o português Luís Castro, no Grêmio, são os principais conferencistas. A chegada de técnicos de fora do país deixou de ser uma onda, uma moda. Virou tendência. Criou raízes em nosso futebol. Todos os 12 grandes clubes brasileiros contaram com um profissional estrangeiro no comando de suas equipes.
Mais de 500 anos depois de os lusitanos chegarem ao Brasil, os brasileiros encontram os técnicos portugueses. Apenas quatro das camisas mais pesadas do Brasil não contaram com um português. A nau de Castro aporta em terras brasileiras pela segunda vez. Ele fez parte de uma das levas recentes ao comandar o Botafogo, em 2022.
O Inter está entre os clubes que mais recorrem a outros países para contratar seus treinadores. Dos últimos 10, cinco foram estrangeiros. O clube navega na tentativa de implantar um futebol moderno em meio à urgência de uma grande conquista. Pezzolano é o mais recente empreendimento na tentativa de acalmar mares turbulentos.
Ao longo do tempo, colorados e gremistas se acostumaram aos gols do paraguaio Villalba e do uruguaio Luis Suárez, aos dribles dos argentinos D’Alessandro e Sabella, à bravura de zagueiros com o chileno Figueroa e o uruguaio De León, entre tantos outros. Forasteiros nunca foram novidade. Mas, em geral, são sul-americanos atraídos por um mercado mais aquecido e culturalmente próximo.
Legião estrangeira
As fronteiras do Mercosul foram rompidas em busca de mercados alternativos para concorrer contra gente mais endinheirada. Atravessou-se o Atlântico. Diversificaram-se os sotaques. Fonemas nunca antes ouvidos ganharam o vestiário. Da Dinamarca veio Braithwaite. Na terra de Tin Tin buscou-se Amuzu, belga de origem ganesa, país de Benjamin, revelação colorada nos primeiros jogos do Gauchão.
— Pessoal, peço que façam a pergunta devagar para que ele possa entender.
A orientação acima para os repórteres se tornou recorrente antes das apresentações de jogadores na dupla Gre-Nal. Perguntas em português ao baterem no tímpano de recém-chegados soam quase indecifráveis. São 11 jogadores estrangeiros no Inter, 12 no Grêmio.
Antes de a partida começar, os dois times posarão para fotos. Talvez elas se percam em meio às centenas de clássicos, como tantas outras formações. No futuro, alguém as encontrará e verá diante de si um retrato deste tempo.
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