
O público do futsal viu na noite desta sexta-feira (24) a última partida de Rodrigo Capita nas quadras. O confronto entre Magnus e Tubarão, válido pela penúltima rodada da primeira fase da Liga Nacional de Futsal (LNF), marcou o fim de uma Era. Agora, ele irá focar na carreira de comentarista da ge tv.
Aos 42 anos, Capita escolheu o jogo contra o Tubarão justamente por ser o último jogo do Magnus na Arena Sorocaba antes do mata-mata. A vitória de 4 a 0 foi construída ao natural, sem dificuldades, como já era imaginado. Mas independente do resultado, o ginásio lotado só queria se despedir e agradecer a um dos maiores nomes da história do futsal.
Antes da bola rolar, um cerimonial, com vídeos mostrando momentos da carreira, foi feito em homenagem. A entrada na quadra foi emocionante e teve a companhia da esposa, dos filhos e de outros familiares. No vestiário, dividiu com os amigos os momentos finais e contou com a parceria de Falcão, companheiro de Capita no Magnus e na seleção brasileira, que esteve presente na festa.
O último gol
Mesmo começando no banco de reservas, Rodrigo Capita foi quem deu início aos gols. Ele entrou em quadra com 4min17s, justamente no momento em que os paulistas tinham uma falta para cobrar.
Dieguinho, no lado direito, apenas tocou para o centro, próximo da marca do tiro-livre. Coube ao fixo fazer o que faz de melhor. O chute forte, que o rendeu o apelido de "Torpedo Humano", contou com um desvio no adversário, que enganou o goleiro. Em cinco segundos, o ídolo do futsal brasileiro abriu o placar.
O fim da festa
Ainda no primeiro tempo, Dieguinho ampliou a vantagem. Capita quase fez o segundo, faltando 11 segundos para o intervalo. Ele arrancou pelo lado esquerdo e chutou de bico. Gustavo fez grande defesa com os pés.
Entre trocas, o camisa 14, número que foi aposentado no clube, desfrutou do momento em quadra, mas também no banco ao lado dos colegas. Viu Leandro Lino e Vagner fazerem mais dois gols e confirmarem a vitória por 4 a 0. Tentou mais uma bola na rede para o currículo, mas parou em 982 ao longo dos 20 anos de carreira.
Quando o cronômetro da Arena Sorocaba mostrou que faltavam 14 minutos para o apito final, o jogo foi paralisado. Todos presentes pararam para aplaudir o jogador, tanto na arquibancada quanto dentro da quadra. Após o fim do jogo, foi saudado pelos companheiros e levantado por eles para que todos pudessem ver o craque no lugar mais alto.
— Eu sou muito abençoado. Não é possível o cara com cinco segundos de jogo fazer um gol. As coisas acontecem na minha vida e eu procuro sentir o que eu senti hoje. Fazer o gol e correr para os braços de vocês (torcida). Vocês não tem ideia do que é para mim ver vocês pulando comigo. Obrigado a cada um que veio aqui hoje — disse Rodrigo Capita, emocionado, após o apito final.
Lenda do futsal
Conhecido por ter um dos chutes mais potentes da história do esporte e pela liderança, não à toa ganhou o apelido de "Capita". Antes de chegar ao Magnus, foi ídolo da ACBF, time que defendeu entre 2007 e 2013. Entre as principais conquistas estão a Liga Nacional de Futsal de 2009, a Libertadores de 2011 e o Mundial de Clubes de 2012.
Em 2014, foi "convocado" por Falcão para jogar junto com ele no Brasil Kirin, time que depois passou a ser chamado de Magnus. Foram 12 anos na equipe do interior paulista e inúmeros títulos, como três Mundiais (2016, 2018 e 2019), duas Libertadores (2015 e 2024) e duas LNF (2014 e 2020).
Na seleção brasileira, também foi uma liderança importante e deixou o nome na história da equipe. Em 2012, esteve no elenco do Brasil, que venceu a Copa do Mundo da Tailândia.




