
Historicamente visto como o país do futebol, o Brasil também pode ser visto como o país do futsal, já que a seleção é a maior campeã mundial, com seis taças. A última delas, conquistada em outubro de 2024, foi bastante comemorada na época, mas não refletiu da forma esperada dentro da modalidade. Pelo menos é o que garante um dos protagonistas do título.
O técnico Marquinhos Xavier, que liderou o Brasil na conquista em que a equipe superou a Argentina na final por 2 a 1, concedeu entrevista a Zero Hora e entende que o título mundial mais recente não impactou o futsal brasileiro da forma ideal.
— Eu circulo bastante pelo Brasil e não sinto que a conquista do título mundial da seleção brasileira tenha impactado significativamente para o futsal do país. Acho que a gente perde grandes oportunidades, perde a possibilidade de usar, inclusive, essa conquista para avançar em tantas outras frentes que são importantes. Afinal de contas, a visibilidade da seleção brasileira poderia impactar muito o poder público, o poder privado, se houvesse um elo de ligação entre a seleção e as instituições que fazem futsal no nosso país — explicou o técnico.
Marquinhos Xavier reforçou que escuta reclamações de pessoas que vivem a modalidade. Segundo ele, os problemas relatados são antigos e seguem sem resolução por razões de gestores do futsal brasileiro, que estão no esporte há alguns anos.
— Eu converso com muita gente, com muitos atletas, com muitos treinadores, e eles me relatam os mesmos problemas, os mesmos problemas que aconteciam há cinco, 10, 15 anos atrás. Para mim, esses problemas estão muito centralizados na área da gestão do futsal. Então, mudam-se os atletas, mudam-se os treinadores, mas não muda a cabeça das pessoas que fazem o futsal. Cada um está vivendo como pode e se virando como dá, de maneira que a nossa conquista impactou em quase que nada em termos internos, nacionais — reforçou o treinador, que é natural de Lages, Santa Catarina.
Futsal x Kings League

Recentemente, com a ascensão da Kings League, torneio que mistura regras de futebol sete com outras inventadas pela organização, algumas pessoas levantaram o debate sobre a competição estar tirando a audiência e procura do futsal.
Para o técnico da seleção, não existe uma disputa entre futsal e Kings League, já que ele acredita que cada lado tem o seu público. Entretanto, reforça que, assim como o torneio de futebol sete fez, a modalidade da bola pesada precisa tornar o jogo mais atrativo, tanto dentro quanto fora das quadras.
— Muitas pessoas falam que tem que tornar o jogo um espetáculo, eu acho que tem que tornar o jogo atrativo. Para isso, teria que ter algumas adaptações ou mudanças da própria regra. Outras não são relacionadas a regra, são relacionadas a parte comportamental de atletas e membros de comissão, dirigentes, que às vezes adotam uma postura que empobrece o jogo — comentou o técnico que ainda ressaltou:
— Eu acho que qualquer esporte sendo praticado no Brasil ou no mundo, qualquer um que promova a saúde, a atividade física, ele é sempre muito bem-vindo. Nós não temos que nos comparar, nós temos que fazer o melhor e crescer.
Por fim, Marquinhos Xavier disse que o futsal acaba sendo sabotado por pessoas de dentro do esporte:
— Acho que um dos grandes problemas do futsal não são as outras modalidades, nós somos os maiores especialistas em nos sabotar, nós mesmos somos os nossos maiores concorrentes.
O trabalho na seleção brasileira e os próximos jogos

Além de treinador da seleção masculina principal, Marquinhos Xavier também atua como coordenador técnico de futsal da CBF. Sendo assim, ele também tem relações com os trabalhos realizados na seleção feminina e nas categorias de base da entidade.
Nesta semana, a CBF confirmou dois amistosos da seleção brasileira masculina contra o Japão para os dias 17 e 19 de outubro. As partidas serão disputadas na cidade de Shizuoka, no país asiático.
O Brasil ainda vai disputar a Copa das Nações de Futsal com outras seis seleções. O torneio, que terá Brasília como sede, será de 14 a 22 de setembro. Da mesma forma, deve ter em novembro a Liga Sul-Americana, que contempla os 10 países da América do Sul.
Para dezembro, o treinador da seleção confirmou dois amistosos. Segundo ele, a seleção holandesa pode ser a adversária.




