
Ídolo e tido por muitos como o maior jogador da história do futsal, Falcão não está contente com o que vê da modalidade no Brasil. Aposentado das quadras desde 2018, o ex-jogador esteve em um evento para cerca de 3 mil torcedores em Juiz de Fora, Minas Gerais, e comentou sobre o assunto.
Em entrevista ao GE, Falcão afirmou que a competitividade não é um problema no futsal brasileiro. O que deixa a desejar é a falta de um estilo de jogo mais vistoso, assim como a ausência de ídolos capazes de atrair engajamento para o esporte.
— A gente está em um país em que o futebol vem em primeiro lugar e depois vem todos os outros esportes. E todos os outros dependem de ídolos. Eu vim de uma geração em que, quando falávamos do futebol de areia, falávamos de Júnior Negão, Benjamin, Neném, Jorginho. No vôlei você tinha Marcelo Negrão, Tande, Giba, Maurício. No futsal, Falcão, Manoel Tobias, Schumacher, Lenísio. Se você pegar todos estes esportes hoje, falta essa referência de ídolos e você acaba perdendo espaço — explicou Falcão.
Na sequência, o ex-jogador da seleção brasileira foi mais duro. Ao lembrar do título mundial conquistado em 2024, quando o Brasil venceu a Argentina, ele comenta que os atletas que estiveram em quadra não são rostos conhecidos do público.
— O esporte precisa resgatar novos ídolos, tem que retomar o jogo bonito. O Brasil foi campeão mundial no ano passado, ganhou da Argentina por 2 a 1, mas se eu perguntar o nome de três jogadores, você não vai saber. Os jogadores ganham, mas não marcam — disse o ídolo do futsal.
Público geral distante do futsal
Para reforçar a tese, Falcão lembrou do período em que era jogador. Ele destaca que, na época, além do público do futsal, outras pessoas assistiam aos jogos para ver algo atrativo e distante do comum. Desde a sua aposentaria, sente que esse público geral desistiu de acompanhar a modalidade.
— Desde que parei de jogar, a TV aberta não passou mais (jogos), porque não tem mais esta referência de sentar para ver tal pessoa. O público do futsal sempre vai existir, mas aquele público que sentava para ver um atrativo na televisão... (não vai) — lembrou o ex-jogador, que ainda concluiu:
— Estes jogadores que atraem o público estão cada vez mais escassos.

