
A manhã de domingo (8) foi de homenagem às mulheres que iniciaram o futebol feminino no Rio Grande do Sul. As pioneiras de Grêmio e Inter disputaram um clássico na Orla do Guaíba, em Porto Alegre, no Dia Internacional da Mulher. As Coloradas levaram a melhor e venceram por 4 a 2.
As representantes do Tricolor saíram na frente, com gol da ex-meia Ana Gasparotto. Mas logo em seguida o Colorado deixou tudo igual, com Duda Luizelli. Antes de o primeiro tempo de 15 minutos se encerrar, o Grêmio voltou a ficar à frente, com Ketty, pioneira com a camisa do Esportivo.
No segundo tempo, porém, só deu Inter. As Gurias Coloradas marcaram mais duas vezes com Duda Luizelli e uma com a ex-meia Marina Tissi, que veio de Palhoça, em Santa Catarina, especialmente para o clássico.
— É uma homenagem inigualável. Espero que todos os anos o pessoal lembre do Dia da Mulher e junte esse povo aqui. Nós abrimos as porteiras. Eu comecei em Vacaria, vim para o Porto Alegre, hoje eu moro em Santa Catarina, e vim especialmente para esse jogo. Acho que é muito importante o que foi feito aqui hoje. Nota 10 para a organização — ressaltou a ex-jogadora para ZH.
Grande nome do jogo, com 54 anos, Duda Luizelli relembrou o seu início no futebol, junto das pioneiras homenageadas no evento da Prefeitura de Porto Alegre.
— Elas fizeram a história do futebol feminino. Realmente, começaram tudo. Eu vim na segunda geração, mas joguei com todas, porque eu tinha 12, 13 anos. Elas realmente estão de parabéns. Esse evento é para mostrar quem começou o futebol feminino no RS e no Brasil. Então, fico muito feliz de ser uma das lideranças nesse momento único — afirmou a ex-meio-campista.
Destaque para a história
Do outro lado do clássico, a homenagem também foi amplamente valorizada. Além disso, histórias do passado foram relembradas por nomes importantes para a evolução da modalidade.
— Nós batalhamos muito, sofremos muito. Eu lembro que tivemos que recolher uma grana para ir ate São Borja de trem. Fomos nas sinaleiras com a ficha de inscrição, que eu datilografei. E, hoje, chegamos nesse momento especial. Eu nunca imaginei que teria esse reconhecimento — conta Ana Maria Gasparotto, ex-meia do Tricolor.
A evolução da modalidade, desde o momento em que tiveram que desbravar um campo proibido, até os dias de hoje, quando o espaço é mais acessível para as meninas, também foi destacada:
— Todas nós estamos muito felizes por terem lembrado da gente depois de 43 anos. A gente vem de uma luta muito grande onde, antes, jogar era proibido. Então, estamos muito felizes. Foi uma ansiedade no mês, na semana, a noite para dormir também. E que aconteça mais vezes. O futebol feminino precisa disso, que as pessoas se mobilizem cada mais para que a modalidade cresça — relembra a ex-atacante Débora Carvalho.
Holofote na modalidade
O evento foi organizado pela Prefeitura de Porto Alegre e contou com a presença de cerca de 40 pioneiras. Mulheres que iniciaram o futebol feminino em Rio Grande, Bento Gonçalves e Montenegro também estiveram presentes. Afinal, o objetivo era um só: engrandecer o que elas construíram.
— Foi um momento muito importante. Estamos valorizando as pioneiras do futebol gaúcho, que jogaram futebol há 40 anos. Ano que vem, teremos Copa do Mundo aqui em Porto Alegre e queremos ter esses momentos de valorização, para que as pessoas saibam mais sobre futebol feminino — enfatizou a secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina 2027, Débora Garcia.
O evento também contou com arbitragem profissional, comandada por Andressa Hartmann. Além de ter representantes dos departamentos femininos de Grêmio e Inter. O diretor Fabrício Fontanella representou o Tricolor. Enquanto os diretores Élis Rodrigues e Rosângela Campos eram os colorados presentes.
Copa do Mundo no Brasil
A Copa do Mundo Feminina será realizada de 24 de junho a 25 de julho. Além do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, também receberão os jogos: Mineirão (Belo Horizonte), Mané Garrincha (Brasília), Castelão (Fortaleza), Arena Pernambuco (Recife), Maracanã (Rio de Janeiro), Fonte Nove (Salvador) e Arena do Corinthians (São Paulo).
A Seleção Brasileira busca uma estrela inédita. A melhor campanha foi em 2007, quando foi vice-campeã, ao perder a decisão para a Alemanha, por 2 a 0.





