
Uma das maiores da história do futebol brasileiro, Duda fez mais do que jogar no Brasil, na Itália e ser campeã com a seleção. Ela conquistou um título inesquecível como protagonista do time tendo já um bebê na barriga.
A atual gestora de futebol e dona de escolinha voltada para meninas deixou para ter filho quando estivesse encerrando a carreira.
A história de Duda é uma das contadas no Especial Mães em Campo. Veja a série de reportagens no link abaixo:
Gol histórico
Duda estava grávida em novembro de 2002 quando um Gre-Nal decidia o Estadual feminino. Após vencer por 2 a 1 no jogo da ida, no suplementar do antigo Estádio Olímpico, o Inter perdia, no Beira-Rio, por 3 a 0 para um Grêmio recheado de meninas da seleção. Duda começou no banco e ninguém compreendia.
Na metade do segundo tempo, avisou que poderia entrar. Aos berros, a capitã contagiou suas colegas, que partiram para a reação: 3 a 1, 3 a 2... e ela marcou o terceiro gol. Ainda deu tempo para a virada histórica: 4 a 3.
Depois da partida, coroou a festa contando para as companheiras o que sabiam apenas ela, seu marido, o ex-jogador e técnico Renato Camarão, e o técnico colorado Cyro Leães, hoje no Grêmio.
Trauma e aprendizado
Duda perdeu aquele bebê. Era sua terceira gestação. Na quarta, em 2004, foi acompanhada por médicos dos Estados Unidos. E dela nasceu Eduardo Luizelli, hoje estudante de Direito.
— Aquilo tudo foi um trauma. Mas daí saiu o gol mais bonito da minha vida — derrete-se a mãe de Eduardo e de Renatinho, 18 anos, também jogador de futebol.

Desafios na carreira
Mesmo considerada uma das primeiras estrelas do futebol feminino, Duda teve muitos percalços na carreira. Inclusive o de ter de adiar, forçadamente, seu maior sonho, o de ser mãe.
— Tinha 22 anos, jogava no Milan, estava no auge da minha carreira e descobrimos uma gravidez. Por ser cidadã italiana e estar na Itália na época, tínhamos o direito a interromper. Foi muito difícil. Em 2004, foi a hora certa — conta.
Duda deixou os gramados, mas seguiu no futebol. Dona de escolinha, coordenadora de departamentos femininos no Inter e mais tarde na CBF, continuou precisando de ajuda para criar os filhos. A sogra ia em viagens para cuidar do neto.

— Amamentei o Dudinho até um ano e meio. Só paramos porque queríamos ter o segundo filho logo. Duas semanas depois de parar, fiquei grávida de novo. Estão os dois aí, crescidos e criados.
Esperem a carreira terminar e depois sejam mães. Tem como conseguir sucesso nos dois sonhos
Com a autoridade de uma vida dedicada ao futebol, ela dá uma dica às jogadoras que alimentam o sonho de ser mãe:
— Hoje é bem mais tranquilo para ser mãe mais tarde. E a carreira de jogadora evoluiu muito. Tem meninas jogando no Brasil e no Exterior ganhando muito bem. Eu diria: "Esperem a carreira terminar e depois sejam mães". Tem como conseguir sucesso nos dois sonhos.

Orgulho do filho
Com os olhos marejados e cuidando dos cabelos da mãe, que voavam com o vento e poderiam cobrir o microfone, Eduardo diz uma frase que certamente poderia ser falada pelos filhos das personagens desta reportagem:
— A Duda foi uma grande jogadora, até hoje reconhecida aqui no Beira-Rio. É uma honra. Mas ela é também uma ótima mãe, que nos deu tudo, até mais do que poderia. E, também, se precisarmos de gente para completar jogos, ela esta aí, né (risos)?







