
Desde o início da carreira, Neymar sempre foi um personagem que roubou as atenções. Desde os primeiros anos como jogador profissional pelo Santos, o camisa 10 da Seleção Brasileira gerou polêmicas com a maneira de agir dentro e fora de campo. Uma das controvérsias nasceu em 2010, após uma fala do treinador René Simões que dizia estar sendo criado um monstro ao se referir ao atleta.
Após 16 anos da declaração, as pessoas resgataram a fala no momento em que o povo brasileiro digere a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega.
O ex-treinador concedeu ao programa Esporte e Cia, da Rádio Gaúcha, e apresentou um posicionamento diferente do aparentado na época.
Simões afirmou ser grande fã de Neymar — inclusive, declarou que o brasileiro tem um repertório técnico maior que Messi — e mostrou-se arrependido do adjetivo utilizado em 2010
— Eu sou apaixonado pelo futebol dele. Ele é o último dos moicanos e a gente tem que começar a voltar a fabricar jogadores com ele. O Messi é mais eficiente, é mais repetitivo e com qualidade, mas o repertório do Neymar, só um jogador, na minha visão, ganhar dele, que é o Ronaldinho Gaúcho — pontuou Simões que explicou a frase proferida antigamente:
— Nunca critiquei o futebol dele, eu sempre disse que nós tínhamos que educar aquele menino naquela época. E eu até hoje diria tudo o que eu disse, só não usaria a palavra monstro, porque deu uma conotação diferente do que eu queria, que era ajudar e não apontar defeito e ser contra ele.
O contexto
O Santos venceu o Atlético-GO por 4 a 2 em um duelo válido pelo Campeonato Brasileiro de 2010. O jogo ficou marcado por uma forte discussão entre Neymar e o técnico do Peixe, na época, Dorival Júnior, após o craque desrespeitar orientações do treinador.
Ao final do jogo, em coletiva de imprensa, o comandante Atlético-GO, René Simões, disse estar impactado com a falta de respeito do jogador e cobrou educação do jovem.

— Estou desde garoto no futebol e poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Sempre trabalhei com jovens e nunca vi nada assim. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro — declarou Simões que ainda pontuaria:
— O que esse rapaz tem feito é inaceitável. Algo precisa ser feito, Neymar tem de ser educado logo. Desse jeito, ele vai virar um monstro. Fui ao Dorival dizer que estava certo ao repreendê-lo. Neymar, hoje, não é um homem, nem um grande jogador, é um projeto disso tudo. Fiquei decepcionado com o futebol depois desse episódio.
As opiniões ditas na declaração pereceram com o tempo, e René Simões tornou-se um grande admirador de Neymar.
Ancelotti errou com Neymar
Esta modificação nas crenças do treinador ficam evidentes quando ele trata sobre o aproveitamento de Neymar na atual edição da Copa do Mundo.
Simões acredita que erros foram cometidos pelo técnico Carlo Ancelotti ao não montar uma base voltada para o camisa 10.
— Acho que foi cometido um erro. Eu digo isso porque você tem que ter um diálogo direto com o jogador o tempo todo. E a figura do Neymar merecia que o Ancelotti tivesse dado uma segurança maior para ele — afirmou.
Simões acredita que o italiano deveria ter garantido a convocação do jogador e não deixar vago o nome do atleta na lista final. Na opinião do treinador, esta luta pela garantia entre os convocados agravou a lesão do camisa 10 da Seleção.

René Simões aproveitou a oportunidade e comparou a maneira como Lionel Messi é utilizado no time do técnico Lionel Scaloni — pontuando que a estratégia poderia ser repetida no Brasil através da figura de Neymar.
— Podia ter chegado na seleção fresquinho para jogar e jogar como o Messi. Observem o Messi jogando, o Messi é o jogador com menor distância percorrida de todos os 248 jogadores. Por quê? O Messi fica ali, vai mapeando, pegando o espaço dele, ele só corre dez, quinze metros para chegar na área e fazer o gol, chegar na área, fazer a tabela e deixar alguém na cara do gol. A seleção da Argentina, todo mundo joga para ele. Então eu acho que faltou esse entendimento com o Neymar — declarou.
Este sentimento de Simões é justificado por conta da expectativa gerada sobre o Brasil na Copa do Mundo. Ele reitera que depositou grande esperança na atuação do jogador do Santos no Mundial — crença que não foi concretizada.
— Estava com o sentimento de que o Neymar iria fazer alguma coisa especial nessa Copa pelo Brasil, porque eu sempre gostei do futebol dele. Eu sempre gostei do repertório dele — admitiu.
No entanto, Simões acredita que a maneira como Neymar utilizou o seu futebol, pode ter sido um fator preponderante para prejudicar a sua carreira.
— Agora, da forma como às vezes ele usava esse repertório foi o que fez ele se machucar muito. Ao invés de querer ir pro gol, às vezes ele queria driblar, porque o talento dele é incomparável — reiterou o ex-treinador.
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