
Além do duelo entre Erling Haaland e Harry Kane, o jogo entre Noruega e Inglaterra, neste sábado (11), colocará em disputa as duas comemorações mais virais desta Copa do Mundo. De um lado, a remada viking dos noruegueses. Do outro, Wonderwall, clássico da banda Oasis que se transformou no grande ritual das vitórias inglesas neste Mundial. Ambas comemorações capazes de unir jogadores e torcedores após o apito final.
A reportagem de Zero Hora conversou com torcedores dos dois países para entender o significado das duas celebrações.
A remada viking: história, cultura e polêmica
A comemoração norueguesa nasceu inspirada nos antigos navegadores escandinavos. Ao som de "Row, row, row" ("Rema, rema, rema"), jogadores e torcedores simulam o movimento dos remos de um barco viking.
Para o torcedor norueguês Jan Helge Halleraker, 57 anos, o gesto representa muito mais do que uma homenagem ao passado.
— É um chamado à ação. É como dizer: "Vamos remar até a praia, vamos concluir a missão". A mensagem é: "Vamos remar até a costa. Vamos até o fim. Vamos vencer" — explica.
Na simbologia criada pelos torcedores, alcançar a praia significa atingir o objetivo maior.
— Chegar à praia representa conquistar o objetivo, como vencer a Copa do Mundo.
A inspiração vem de um dos períodos mais marcantes da história norueguesa. Entre os séculos VIII e XI, os vikings cruzaram os mares rumo à Inglaterra e a outras regiões da Europa em embarcações que se tornaram um dos maiores símbolos da Escandinávia.
— Os grandes navios, com cabeças de dragão na proa, eram muito temidos. Os vikings eram fortes, musculosos e muito bem armados. Eles causaram enorme destruição por onde passaram — lembra Halleraker, admitindo o polêmico histórico de violência de seus antepassados.
O torcedor garante, porém, que a comemoração tem outro significado nos dias de hoje.
— No futebol, o sentimento é principalmente de orgulho. Representa nossas origens, nossa força e nossa capacidade de impor respeito. A violência fica em segundo plano, porque a Noruega de hoje é um país pacífico e muito diferente da época dos vikings.
Wonderwall: música, cultura pop e união
Se a celebração norueguesa recupera um passado de mais de mil anos, a inglesa encontra sua inspiração em um dos maiores sucessos do pop britânico.
Após cada vitória, jogadores e torcida se reúnem diante das arquibancadas para cantar Wonderwall, do Oasis.
Curiosamente, os próprios ingleses afirmam que a letra pouco importa.
— O principal significado é o sentimento de união. Quando todo mundo canta a mesma música, palavra por palavra, de braços dados e passando isso de geração para geração, surge uma sensação impossível de explicar. Faz muito tempo que não sentíamos essa união. Pelo menos durante toda a minha vida, nunca vi um grupo de jogadores como este. Dá a sensação de que desta vez pode finalmente acontecer — afirma o torcedor inglês Will Bowler, de 22 anos.
Para o seu pai Dave Bowler, 68 anos, a música conseguiu aproximar diferentes gerações de torcedores.
— Wonderwall surgiu principalmente com os mais jovens. Eu sou mais velho, mas conheço todas essas músicas. Agora nós adotamos essa porque ela representa justamente essa ideia de estarmos todos juntos.
Ao contrário da remada viking, a força da celebração inglesa não está no simbolismo da canção.
— A letra não tem absolutamente nenhuma relação com o futebol. É simplesmente uma música de uma banda inglesa que todo mundo conhece e gosta. O importante é que todos cantam juntos _ explica Will.
O próprio Dave enxerga um ponto em comum entre as duas torcidas.
— É como acontece com os noruegueses e a celebração viking. Também não tem relação direta com o futebol. Tem relação com a cultura deles.
No Hard Rock Stadium, em Miami, neste sábado (11), porém, após o confronto entre Inglaterra ou Noruena haverá espaço para apenas uma comemoração: ou a remada viking ou Wonderwall.


