
Nas quartas de final da Copa do Mundo, em que enfrentará o Marrocos nesta quinta-feira (9), às 17h, a França acumula resultados positivos nas últimas edições do Mundial. Desde 1998 são quatro finais, dois títulos conquistados e gerações com jogadores que entraram para a história do futebol.
A virada de chave, no entanto, ocorreu muito tempo antes. O terceiro lugar na Copa de 1986 não pode ser considerado um resultado ruim. Mas, para uma seleção que ainda não tinha nenhum título mundial, era necessário fazer algo diferente.
Assim, em 1988 foi inaugurado o Instituto Nacional de Futebol de Clairefontaine, a 64 quilômetros de Paris. O resultado demorou, mas finalmente apareceu. No décimo ano do projeto, o primeiro título conquistado. No 30º aniversário de Clairefontaine, a segunda taça para a França.
Em 2026, com uma seleção repleta de talentos, existe a possibilidade real do tricampeonato. Entenda como a França chegou a esse ponto.
A importância de Clairefontaine

Tudo começa com Clairefontaine. Um complexo de futebol de 56 hectares idealizado por Fernand Sastre, presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF) de 1972 a 1984.
O romeno Stefan Kovacs, único estrangeiro a treinar a seleção francesa na história, foi o mentor do projeto. Ele desenhou o INF de Clairefontaine inspirado nos campos de treinamento comunistas da Romênia, onde as habilidades individuais eram trabalhadas para servir o coletivo.
O atual treinador da seleção francesa, Didier Deschamps, afirma que o instituto é uma "fábrica de craques", por onde passaram nomes como Henry, Pogba, Varane, Mbappé, entre tantos outros.
Clairefontaine tem como objetivo formar jogadores flexíveis, com capacidade de desempenhar qualquer função pedida por seus treinadores.
Como funciona para ingressar

Jovens de 13 a 15 anos, que tenham passaporte francês, podem se inscrever e, a cada ano, 23 são selecionados para treinar durante dois anos no local. De segunda a sexta-feira, eles vivem na academia, com rotina de treino e estudos. Aos fins de semana são liberados para casa e podem jogar por seus clubes locais.
Há jogadores de sucesso que tentaram ingressar em Clairefontaine, mas não passaram, como os campeões de 2018 Griezmann e Kanté. Existem casos também de atletas que passaram pelo instituto, mas defenderam outras seleções, como Raphael Guerreiro, que já disputou o Mundial por Portugal, e Mejbri, que defendeu a Tunísia.
Sonho do Castelo
Além de todo trabalho de formação, o instituto também abriga a seleção adulta da França. Em 1998, no Mundial disputado no país, as instalações foram utilizadas e o castelo de Clairefontaine foi o local onde os campeões do mundo ficaram durante a competição.
Os jovens que passam pela academia sonham em ingressar no castelo, pois significa defender a seleção principal da França.
Mbappé, por exemplo, deixou o local com 15 anos e foi para a base do Monaco. Com 17, o atacante entrou pela primeira vez no castelo. Aos 18 foi campeão do mundo.

Modelo para outros países
Clairefontaine é o principal dos 13 locais espalhados pela França que ajudam a formar talentos para o futuro. Os resultados positivos inspiraram outros países a seguirem o modelo.
A Inglaterra inaugurou o centro de St. George’s Park, CT da seleção desde 2012, que serve de instalação para as seleções masculina e feminina.
Marrocos, adversário da França nas quartas de final em 2026, e semifinalista em 2022, também tem um projeto de sucesso. A Academia Mohammed VI, fundada em 2009, em Salé, foi responsável por formar alguns dos jogadores que brilham pela seleção africana.
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