
Passar por momentos conturbados, todas as seleções já passaram. No entanto, quando as três maiores campeãs do mundo vivem um período de derrocada em conjunto, é preciso se atentar aos motivos.
Único pentacampeão do mundo, o Brasil parece se apegar nesse título até que um adversário consiga igualar ou ultrapassar a marca. No atual momento, pelas gerações, a França, com dois títulos, parece ter mais chances de ser penta antes do Brasil vencer o hexa.
A busca pela sexta estrela ocorre desde 2006. No entanto, adversários europeus se tornaram carrascos da Amarelinha. França, Holanda, Alemanha (com o traumático 7 a 1), Bélgica, Croácia e, mais recentemente, a Noruega eliminaram o Brasil.

Craques não faltaram: Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Neymar e tantos outros nomes estiveram em campo pela Seleção. Porém, desde 2006, nenhum deles foi suficiente. Ademais, há algumas posições de carência à Seleção Brasileira.
— O Brasil tem uma questão para resolver na formação de novos talentos. Temos uma carência de meias, de laterais, isso é indiscutível. É uma consequência das categorias de base dos clubes que apostam muito em pontas, o jogador habilidoso, rápido e com valências ofensivas para jogar pelo lado, para vencer os seus jogos e não nos meias — avalia Gian Oddi, comentarista da ESPN.
Carlo Ancelotti, atual treinador do Brasil, não contava com opções para as laterais e para o meio de campo na Copa de 2026. Esse é um problema, no entanto, que não afeta apenas a Seleção. Tem gigante em situação bem pior.
Crise italiana
A tetracampeã Itália não participa de uma Copa do Mundo desde 2014. São três edições de ausência da Azzurra, que venceu seu último título em 2006.
Assim como o Brasil, existe problema na formação de novos jogadores. Porém, há ainda mais dificuldades que os italianos precisam superar para evitar mais fiascos.
— Em 2018, por exemplo, houve um equívoco muito grande em relação à escolha do treinador. Não é aceitável para uma escola de técnicos tão forte como é a italiana ter Gian Piero Ventura — opina Oddi, que também é especialista em futebol italiano.
— Há pouco estímulo para a utilização de jovens italianos na Série A, que é conhecida por contratar veteranos de outros países, que tiram espaço dos mais jovens italianos — complementa.
Outro fator apontado é o formato das Eliminatórias Europeias. A repescagem mudará para o próximo ciclo, deixando de ser apenas uma partida, com mando definido por sorteio. A Uefa passará a utilizar a ideia de playoffs da Champions League, com partidas de ida e volta.
Para tentar chegar na Copa do 2026, a Itália perdeu nos pênaltis para a Bósnia. O jogo único foi realizado em Zenica e os italianos tiveram um zagueiro expulso, no momento em que estavam melhores na partida. No fim, os bósnios avançaram nos pênaltis.
Portanto, os problemas da Itália passam pela formação de novos jogadores, pela falta de experiência que os poucos jovens revelados têm e pelas escolhas de treinadores nos últimos ciclos, mas também pela falta de sorte e competência na repescagem.
Alemães com dificuldades

A Alemanha é outra tetracampeã que vive momento de crise. Após aplicar 7 a 1 no Brasil e vencer a Copa do Mundo de 2014, os alemães deixaram de ser protagonistas.
Último lugar na fase de grupos de 2018. No Mundial de 2022, novamente sem chegar na segunda fase. E agora, em 2026, eliminação para o Paraguai na fase de 16 avos de final.
— Parece que a Alemanha tem problemas estruturais e já não produz tantos jogadores de classe mundial. Na Bundesliga, muitas vezes são os estrangeiros que fazem a diferença — aponta Ralf Itzel, jornalista esportivo alemão radicado no Brasil.
O principal clube do país é o Bayern de Munique, que conta no ataque com o inglês Harry Kane, o colombiano Luis Díaz e o francês Olise.
— Nos clubes da Alemanha a vida é fácil e confortável demais para os talentos. Isso reflete na personalidade dos jogadores — complementa Itzel.
Ainda sobre a formação de atletas, o jornalista explica que existe uma "abordagem acadêmica", que almeja formar jogadores parecidos.
— É preciso formar jogadores mais distintos, tipo o Denis Undav, que foi um dos poucos destaques em 2026 — acrescenta.
Outros países vivem situação oposta
O que se vê de problema em comum entre os três gigantes é a formação de jogadores. Enquanto Brasil, Itália e Alemanha sofrem com isso, há países vivendo o completo oposto.
França, Inglaterra e Marrocos são alguns exemplos de projetos que visam desenvolver talentos. Com Clairefontaine, os franceses desenvolveram Mbappé e outros atletas para chegar a quatro finais em 28 anos.
Os ingleses, com St. George’s Park, e os marroquinos, com a Academia Mohammed VI, visam desenvolver talentos para estar entre os candidatos ao título nos próximos anos.
Enquanto uns se mexem, outros ainda tentam diagnosticar os problemas, quando já deveriam trabalhar em soluções.
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