
— O Harry Kane pode falar para o Brasil? — perguntei à assessora de imprensa da seleção inglesa, que trazia o centroavante à área de entrevistas do estádio Hard Rock, em Miami, logo após a classificação sobre a Noruega à semifinal da Copa do Mundo.
— Sim, depois que ele atender à BBC e à Talk Sports (duas rádios da Inglaterra), se ele quiser falar, é todo seu — me explicou a oficial de mídia.
Enquanto Kane aguardava ao meu lado o colega da BBC entrar ao vivo com ele, fiz questão de interagir com o centroavante.
— Parabéns pela vitória, Harry. E, por favor, seria muito legal se você puder responder a uma pergunta para o Brasil depois — disse a ele, fora do ar.
Kane sorriu, agradeceu com um thank you e logo depois fez um sinal de positivo.
— Yes, OK — assentiu.
Eu já tinha a garantia do próprio Harry Kane de que a entrevista rolaria. Mas será que dava para confiar?
Tudo isso ocorria na área de flash interview do estádio, uma sala de entrevistas anexa ao túnel de acesso ao gramado, local privilegiado adquirido pelo Grupo RBS para entrevistas pós-jogo, antes mesmo de os atletas ingressarem no vestiário.
Conforme orientado pela assessoria, Kane deu uma entrevista exclusiva de cerca de cinco minutos para um repórter da BBC e depois outra de tempo semelhante para a colega da Talk Sports.
Quando a segunda repórter britânica despediu-se, o atacante fez menção de ir embora e já se dirigia rumo à porta da sala. "Ué?! Mas e a minha entrevista?!", pensei.
Imediatamente, com o microfone ligado e "atropelando" o meu amigo Luciano Périco, que comandava o programa Gaúcha na Copa, chamei Kane em um tom de voz mais alto.
— Harry Kane, parabéns, direto do Brasil... — chamei.
Eu tinha falado a palavra "mágica". Quando mencionei no ar que era do Brasil, o atacante lembrou-se da "promessa" que havia me feito e, na hora, retornou ao local de entrevistas e veio em minha direção.
Questionei Harry Kane sobre uma declaração dada por ele na véspera, em que ele se definiu como um centroavante diferente de Haaland, que não só marca gols, mas que também recua para participar do jogo e ajudar na armação de jogadas.
Então, perguntei como, mesmo sem balançar as redes, ele tinha ajudado Jude Bellingham a anotar os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega. Ele respondeu:
— Sim, Jude (Bellingham) foi excepcional novamente hoje (sábado). Para mim, trata-se apenas de trabalhar pela equipe. É claro que quero marcar o máximo que puder, mas isso nem sempre é possível. É a intensidade de trabalho, jogarmos juntos e ajudarmos na defesa. Tivemos que mostrar tudo isso novamente como equipe. Foi um grande esforço de todos e, então, podemos aproveitar esta vitória — disse.
A meu ver, o centroavante demonstrou um leve incômodo por não ter marcado desta vez, embora a alegria com a classificação fosse muito maior.
Na sequência, Harry Kane exaltou a vaga na semifinal, aliada às boas campanhas recentes na Eurocopa.
— Estamos vivendo um bom momento. Chegamos a duas finais consecutivas de Eurocopa e agora estamos em uma semifinal de Copa do Mundo. Já mostramos que podemos estar nesses momentos e que podemos chegar longe nos torneios — enalteceu.
Porém, o centroavante disse que isso de nada adianta se a taça não "voltar para casa", como dizem os ingleses, inventores do futebol.
— Como sabemos, agora falta o último passo. Precisamos conquistar o troféu para transformar esta era em uma era realmente vitoriosa. Agora estamos chegando cada vez mais perto. Precisamos dar um último grande esforço nesta semana — finalizou.
Ao final, agradeci a Kane e, quando ele já estava deixando a sala, falei:
— O Brasil sente falta de alguém como você.
Não sei se ele ouviu. Mas eu precisava mencionar o meu país. Afinal, foi o que fez Harry Kane lembrar da entrevista que me havia prometido.
E assim o maior artilheiro da atualidade no futebol mundial falou na Rádio Gaúcha. Para chegar à final, precisará ajudar a Inglaterra a vencer a Argentina, na próxima quarta-feira (15), às 16h, em uma das semifinais.




