
308 gols. 104 partidas. 48 seleções. 39 dias. 12 grupos. Três sedes. Um campeão. A Copa do Mundo 2026, como muito já foi dito, mas cabe relembrar sempre, foi a maior da história não somente em fatos marcantes, mas também em números. No quesito público, ela superou a edição de 1994, também sediada nos Estados Unidos, com 4,6 milhões de pessoas.
Ao término das oitavas de final, o número total de espectadores aumentou para cerca de 6,25 milhões, o que corresponde a quase 12 vezes a população de Cabo Verde, um dos países sensação do Mundial.
Ou os números de Vozinha, ou melhor, os milhares de números do camisa 1 cabo-verdiano serão esquecidos?
Quando chegou para enfrentar na estreia a Espanha, que no domingo (19) sagrou-se bicampeã do mundo após 16 anos, o goleiro somava 50 mil seguidores em uma rede social. Fechando o paredão em 15 de junho contra os espanhóis e feito a seleção africana somar o primeiro ponto em Copas, esse número passou a subir. Hoje, beira os 30 milhões.
A estreante Cabo Verde, aliás, foi a única equipe que conseguiu parar o ímpeto europeu. Desde a primeira partida da equipe do técnico campeão Luis de la Fuente no torneio, La Roja simplesmente cozinhou seus adversários em banho-maria. A técnica de calor indireto foi fundamental para ter sempre o controle do jogo.
A arte de cozinhar da campeã
Foi assim que, depois de consagrar Vozinha, que a Espanha venceu com autoridade Arábia Saudita, Uruguai, Áustria, Portugal, Bélgica e França, antes de vencer por 1 a 0 a "imortal", mas também sortuda e competente Argentina no domingo à tarde no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
A outrora chamada de La Furia, que até 2010 não assustava ninguém em Copas e por isso o desuso do apelido, não foi só ataque, mas defesa e meio-campo também: foi apenas um mísero gol sofrido (contra os belgas) e um tripé de chefs especialistas em cozinhar adversários (Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo).
A atual campeã do mundo, que também é da Eurocopa e das Olimpíadas, será uma das sedes da próxima Copa do Mundo, em 2030. Como legado, uma geração inteira de jovens como Cubarsí, Pedri e sobretudo o craque Lamine Yamal, com toda a pinta de ter deixado os gols que faltaram em 2026 para daqui quatro anos.
Muito mais acertos do que erros
O aumento de 32 para 48 seleções, antes criticado por boa parte do público, foi simplesmente abraçado ao longo de 11 de junho a 19 de julho. O maior medo era a queda técnica com seleções estreantes na Copa, o que acabou não se confirmando. Em contrapartida foram vistos muitos gols, marcas históricas e momentos emocionantes ao longo das últimas cinco semanas.
O espetáculo pré-jogo também foi um dos grandes acertos da gestão Infantino. Os bandeirões esticados ao solo dos gramados do Canadá, Estados Unidos e México deram a atual dimensão dos confrontos antes mesmo de a bola rolar.
Acompanhados com eles, as músicas que embalavam a entrada dos atletas à campo, como a introdução instrumental de "Lose Yourself", do Eminem, "Sirius", da banda britânica The Alan Parsons Project, sempre lembrada como a música em que o Chicago Bulls entrava em quadra nos anos 1990, e claro, o hit assertivo "Dai Dai', da diva das Copas Shakira.
A Lei Vini Jr. também foi um dos fatores positivos da competição, bem como a sede desenfreada pelos recordes de Lionel Messi e Kylian Mbappé, ambos com oito gols e 10 gols, respectivamente. O argentino, que chorou de tristeza assim que pegou sua medalha honrosa de segundo lugar, chorou de alegria contra a Áustria, no dia 22 de junho, quando ultrapassou Klose e se tornou o maior artilheiro dos Mundiais.
Já o excesso de segurança, para não dizer autoritarismo e preconceito, somado ao preço abusivo dos ingressos, logística complexa com estádios quase inacessíveis ao grande público e a pausa para a hidratação são os principais fatores que a Fifa irá tentar reverter para a 24ª edição.
Agora, se tem algo que mais do que um erro e sim uma mancha negativa na dobradinha Trump-Infantino, foi a intromissão do atual presidente da maior potência do planeta no maior torneio de futebol do mundo. Após ser expulso contra a Bósnia, na segunda fase, o atacante Folarin Balogun teve sua suspensão revertida pela Fifa depois de uma ligação do presidente estadunidense para o presidente da entidade máxima do futebol.
A Copa dos 100 anos
O Mundial do Centenário não terá nomes como Manuel Neuer, Luka Modric, Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi, mas terá três países absolutamente apaixonados por futebol, diferente da recém acabada edição, onde apenas há paixão pela pela bola, grama, quatro linhas e goleiras em territórios mexicanos.
Após o pontapé inicial ser dado em 8 e 9 de junho em Montevideo, Buenos Aires e Assunção, numa espécie de celebração aos 100 anos do Mundial entre seleções da Fifa, a Copa ruma para dois continentes diferentes: África e Europa. Neles, Marrocos, Portugal e Espanha serão os responsáveis por tirar milhões de pessoas da tristeza absoluta que é esperar quatro anos para viver tudo em pouco menos de 40 dias.
Até lá, há muito chão. Desde definir qual será o estádio que abrigará a final (Madri, Barcelona e Casablanca no páreo), até saber se Carlo Ancelotti irá se inspirar na cozinha espanhola entregando um banquete ou um miojo: barato, rápido e com sabor eliminado no mata-mata para alguma seleção europeia de segunda prateleira.
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