
O cemitério do futebol está cheio de favoritos. É difícil precisar a origem da frase, dita mais recentemente pelo então técnico do Botafogo, Renato Paiva, na vitória por 1 a 0 sobre o PSG, no Mundial de Clubes do ano passado. Mas é fato que ela se aplica, invariavelmente, à longa história da Copa do Mundo.
A cada quatro anos, desembarcam na sede (ou sedes, como acontece no século 21) do Mundial os candidatos a encantar o mundo. Em certos casos elas de fato ficam com a taça, mas não são raras as vezes em que outra seleção — quase sempre uma mais pragmática — aparece no caminho para destroçar sonhos.
Mas há uma espécie de paradoxo nisso. Se as vencedoras entram para sempre na galeria dos eternos campeões do mundo, as favoritas passam ao imaginário popular como aquilo que poderia ter sido e não foi — e ficam tanto ou mais na memória do que as que de fato levantaram as taças.
França (2026)

A França de 2026 é o caso mais recente. Até chegar à semifinal, era considerada a que praticou o melhor futebol. Nem a algoz, Espanha, tinha jogado tão bem. Inglaterra e Argentina também haviam oscilado. Era o time a ser batido.
No entanto, sucumbiu na batalha de estilos de jogo. Encontrou no jogo de posse de bola o antídoto para as transições rápidas. O time de Luis de la Fuente neutralizou Olise, um dos responsáveis pela criação das jogadas.
Construiu o 2 a 0 com justiça para ir à final e deixar a favorita pelo caminho. Mas há outros casos. Relembre, abaixo, alguns dos mais emblemáticos.
Brasil (1982)
A Seleção de 1982 passou ao imaginário popular como uma das melhores a já vestir a amarelinha em uma Copa do Mundo. O trauma do "Sarriá" ainda ecoa quando se fala em grandes seleções que não conquistaram um Mundial.
Em 5 de julho de 1982, em Barcelona, a geração de Zico, Júnior, Falcão e Sócrates jogava por um empate para avançar às semifinais da Copa. Mas as falhas defensivas e um inspirado Paolo Rossi, que marcou três vezes na vitória da Itália por 3 a 2, encerraram o sonho e criaram um trauma para sempre.
Até hoje, não faltam candidatos (e teorias) para tentar explicar o que aconteceu em 1982. Romantizada ou não, fato é que erros como aqueles seguem se repetindo.
Holanda (1974)

Rinus Michels é considerado um dos melhores técnicos da história. A Holanda de 1974, com o "carrossel holandês", foi uma das melhores seleções da história das Copas. Todos os elementos estavam postos.
Mas faltava avisar a Alemanha. Normalmente, a seleção pragmática interrompe os sonhos das favoritas. Há outra máxima das Copas que atingiu a Holanda: é um torneio em que jogam todos, e no fim a Alemanha vence.
E de virada. Neeskens, de pênalti, abriu o placar para a Holanda. A seleção de Cruyff tomou a virada, e a Holanda ficou com o vice. Voltou a uma final em 2010, mas segue até hoje sonhando com um título de Copa do Mundo.
Hungria (1954)
Liderada por Puskas, a Hungria chegou à Copa da Suíça como uma das mais seleções mais dominantes da Europa, com invencibilidade de 27 partidas. Chegou a vencer a própria Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos, e a Coreia do Sul por 9 a 0.
Mas, na final, o favoritismo foi pelos ares. Ainda que haja a controvérsia do doping alemão (hipótese divulgada por um estudo em 2010), fato é que, em campo, a Alemanha levou a melhor. A Hungria abriu 2 a 0 com oito minutos, mas tomou a virada, com o gol da vitória por 3 a 2 anotado aos 39 do segundo tempo.
O jogo é uma das partidas de Copa do Mundo que ganhou nome: O Milagre de Berna. E virou até filme, de mesmo nome, lançado em 2003, e filmado pelo alemão Sonke Wortmann.
Quer notícias, bastidores, vídeos e análises da Copa do Mundo?🏆Inscreva-se na newsletter exclusiva de GZH e receba tudo direto no seu e-mail 📩 Clique aqui para se cadastrar.


