
Estávamos indo saborear o chicken parmegiana do Tommy's, nosso reduto de segurança alimentar aqui em Morristown. A TV da recepção do hotel onde parte da equipe da RBS estava ligada. Naquela hora, o Congo acabava de abrir o placar contra a Inglaterra. O "ooohhh" de incredulidade foi instintivo.
— Não é surpresa para mim. Isso é Copa do Mundo — disse uma voz em uma mesa poucos passos atrás.
Quando nos viramos para ver quem teria a audácia de falar isso, a incredulidade foi ainda maior do que teria sido outro gol do Congo. De fato, o autor da frase tinha autoridade. Casemiro, titular da Seleção pela terceira Copa do Mundo seguida.
— A que se deve a honra da visita? — disse o repórter Rodrigo Oliveira, naquele tom bem-humorado e pomposo.
— Vim visitar meu amigo Rodrigo (Righetti, assessor de imprensa do jogador) — respondeu Casemiro.
Enquanto a Inglaterra subia a velocidade para buscar o empate, engatamos uma conversa com o cara que fez o gol de empate do Brasil contra o Japão. Sem microfone, só bate-papo mesmo.
— Se a Inglaterra não empatar rápido, vai ser que nem nós — alertou.
— Será que eles têm um volante para cabecear dentro da área? — brincou Gabardo.

— Sabe que custei a ver que o gol seria validado? Tu parecia estar tão impedido que só percebemos que era gol quando o bandeirinha correu para o meio, e com essa tecnologia toda, não ia estar errado justo agora — comentou o repórter Rafael Diverio.
— Que nada! Na área, primeiro vemos se estamos em condição e depois cabeceamos. Sabia que o gol era legal.
Nisso chegou o comentarista Leonardo Oliveira, que tinha ido guardar os equipamentos depois do Sala de Redação. Quando percebeu que era Casemiro, tomou um susto:
— Caramba! Tu aqui? Que legal! Fez um gol na Copa do Mundo e agora está aqui.
Não foi só um gol. Righetti nos lembrou que aquele foi o décimo de cabeça de Casemiro na temporada. Foram oito pelo Manchester United, um recorde histórico do clube. Casemiro igualou-se a Dwight Yorke, jogador que marcou época nos anos 1990. E que era atacante.
Casemiro nos contou que queria dar uma volta, espairecer. O hotel da Seleção é muito, muito, muito confortável. A convivência é ótima. A comida do chef Jaime Maciel, então, nem se fala. Mas como era importante dar uma volta, mudar de ambiente.
— Agora, o mental é mais importante do que as questões táticas, físicas. Sabemos o que fazer, é a elite da elite do futebol. Precisamos estar com a cabeça boa — explicou Casemiro.
Sua família está nos Estados Unidos – as crianças e a esposa estão em Orlando, aproveitando a Disney. Assim, para espairecer, as visitas foram aos amigos.
Seguimos assistindo ao jogo da Inglaterra. Casemiro olhava para a TV, mas mantinha conversas sobre outros assuntos, também.
Perguntamos se poderíamos fazer imagens, gravar um vídeo. Ele pediu desculpas, mas não podia. Entrevista de verdade é só com aval da assessoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Folga é folga também para isso.
Deixamos que ele e seu amigo continuassem a conversa. Tiramos uma selfie para recordar a visita. Agradecemos. Nos despedimos.
—Até mais, pessoal — ele disse.
— Nos vemos nos 15 minutos do treino.
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