
Policiais, viaturas, sirenes e muitos ingleses e argentinos uniformizados.
São esses os elementos que mais chamam atenção nas ruas de Atlanta nas horas que antecedem o jogo entre Inglaterra e Argentina, nesta quarta (15), pela semifinal da Copa do Mundo.
Em função da rivalidade histórica entre os dois países e da alta presença de torcedores das duas seleções, o efetivo de policiais presente na cidade é superior à média de qualquer outro jogo do Mundial.
Malvinas
O principal ponto de preocupação é a rivalidade que envolve as Malvinas, cuja soberania é alvo de disputa há décadas entre Inglaterra e Argentina. Em 1982, os dois países entraram em guerra pela ilha, conflito que foi vencido pelos ingleses.
— Nós obviamente analisamos a situação geopolítica em torno de cada partida e que tipo de complicações ela pode trazer por causa disso — afirmou a Zero Hora o diretor-exexutivo da Força-Tarefa da Casa Branca para Copa do Mundo, Andrew Giuliani.
O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, pede que o público não misture a Guerra das Malvinas, com o jogo desta quarta.
— É uma partida de futebol. Não podemos misturar as coisas. Foi uma época muito triste da nossa história, e nós não podemos mudar muito essa realidade. É uma partida de futebol, nada além disso — disse o treinador.

FBI em ação
Segundo o diário argentino La Nación, o FBI ajudará na segurança do jogo, e a cidade conta com um efetivo superior a 1600 policiais. A partida é classificada como de "alto risco" pelas autoridades americanas.
A Casa Branca, porém, acredita que os hooligans ingleses e os barra-bravas argentinos com histórico de violência foram impedidos de entrar nos Estados Unidos por conta do trabalho de inteligência feito antes da competição. Mas, ainda assim, o alerta está ligado.
— Nós costumamos dizer nos Estados Unidos, quando há um time de futebol americano que tem uma torcida um pouco agitada, que uma maçã podre pode estragar todo o resto. Então, continuaremos trabalhando na preparação para esta partida para garantir que não haja nenhum problema — completa Giuliani.

Lionel Scaloni ressaltou ainda que é possível — e necessário — que a torcida argentina lembre dos amigos e entes queridos mortos na Guerra das Malvinas e, ao mesmo tempo, conviva em paz com os torcedores ingleses.
— Acho lógico que nós, argentinos, tenhamos memória daquelas pessoas, sobretudo as que perderam seus entes queridos. Mas não misturemos as coisas. Que culpa têm os jogadores? Que culpa têm as pessoas de agora? Isso aconteceu em outra época, uma época muito triste para todos, e da qual nos lembramos, logicamente. Mas estaremos equivocados se misturarmos as coisas. Isto é futebol, por favor — pediu o treinador.

Fique de olho
Argentina e Inglaterra enfrentam-se nesta quarta (15), às 16h (horário de Brasília), pela semifinal da Copa do Mundo. O vencedor enfrentará a Espanha na grande final de domingo (19).
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