
A presença de Espanha e Argentina na final da Copa do Mundo é a prova de que não existe necessariamente uma fórmula adequada para ser campeão. As duas seleções percorreram caminhos completamente diferentes até esse 19 de julho.
De um lado, uma equipe montada há cinco anos, que veio ganhando experiência, agregando talentos e encorpando a seu estilo. Do outro, um time que escolheu os adversários mais fracos possíveis, supostamente envelhecido e que parece jogar por diversão.
O caminho espanhol
A Espanha, viralizou a imagem essa semana, tem uma base desde a Olimpíada de 2020, disputada em 2021. Oito titulares e o técnico Luis de la Fuente estavam naquela decisão contra o Brasil de Matheus Cunha, Bruno Guimarães, Daniel Alves e André Jardine.
Dali por diante, o time foi campeão da Eurocopa de 2024, foi finalista da Nations League perdendo para Portugal nos pênaltis, depois de eliminar Holanda e França. Nas Eliminatórias, ganhou cinco e empatou um de seus seis jogos nas Eliminatórias, levando apenas dois gols.
O Campeonato Espanhol dispensa apresentações. Segunda liga que mais fatura no mundo com o equivalente a R$ 9 bilhões anuais, tem três gigantes que frequentemente atingem as finais da Champions League, Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid. Mas suas equipes de segunda prateleira, Sevilla, Bétis, Rayo Vallecano, Athletic Bilbao e Villarreal costumam ir bem em Liga Europa e Conference.
O caminho argentino
A Argentina fez o caminho oposto. À exceção de Eliminatórias e Copa América, os jogos foram contra Venezuela, Porto Rico, Mauritânia, Angola, Honduras, Zâmbia e Islândia. E, como provou a UEFA ao longo dos últimos meses, fez de tudo para não disputar a Finalíssima, partida que a colocaria, como campeã da Copa América, como adversária da Espanha, vencedora da Eurocopa.
Não houve nenhum grande acréscimo ao time. Por outro lado, saiu Ángel Di María, um dos maiores jogadores da história. Na prática, o time de 2022 envelheceu três anos e meio. Isso sem contar que peças como Messi e De Paul foram jogar na Major League Soccer.
A organização do futebol argentino lembra o Brasil nos anos 1980. O campeonato tem 30 times. Três campeões. Ou quatro (é que a AFA decidiu premiar o Rosario Central, que não tinha sido campeão nem do Apertura nem do Clausura nem da finalíssima como vencedor por ter somado mais pontos nos campeonatos). Por um tempo, ninguém foi rebaixado. A premiação para o campeão é de algo como R$ 2,5 milhões. Menos do que paga o Big Brother Brasil.
É esse o contraste entre as duas finalistas. Caminhos tão diferentes, percorridos com a organização e o planejamento de um lado e com Messi do outro. Pela última vez.
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