
O técnico Lionel Scaloni até tentou evitar que o contexto geopolítico entre Inglaterra e Argentina entrasse em campo na semifinal das Copa do Mundo, mas não funcionou.
Os argentinos venceram os ingleses por 2 a 1 e chegaram na grande final do Mundial. Após a virada épica ocorrida nesta quarta-feira (15), os jogadores sul-americanos estenderam uma faixa no gramado do Estádio de Atlanta com a frase "As Malvinas são argentinas".
No último sábado (11), após a vitória nas quartas de final sobre a Suíça, o técnico argentino Lionel Scaloni rechaçou com veemência qualquer tipo de influência histórica no jogo da semifinal contra a Inglaterra
— É uma partida de futebol. A mensagem é que é uma partida de futebol. Não busquemos mais nada. Vamos jogar contra uma grande seleção, com um grande treinador, que admiro muito. É um jogo de futebol. Nada mais — disse o treinador.
Antes do jogo desta quarta, a Fifa emitiu uma determinação para que fossem proibidas entradas de torcedores com qualquer referência à Guerra da Malvinas, de 1982. Também foram vetadas mensagens provocativas no Estádio de Atlanta.
Porém, a determinação não surgiu efeito e a reivindicação argentina em relação à posse das Malvinas chegou no gramado da partida. Em imagens divulgadas, foi possível ver alguns jogadores comemorando próximos à faixa.
Atletas como Giovani Lo Celso, Lisandro Martínez, Cristian Romero e Nicolas Otamendi exibiram a mensagem, enquanto o restante do elenco ficou próximo dos companheiros durante o ato. Em dado momento, a mensagem foi retirada do gramado e foi parar na arquibancada.
Contexto da faixa
A rivalidade entre Argentina e Inglaterra é uma das mais intensas do futebol mundial. Em campo, as seleções protagonizaram jogos polêmicos nas quartas de final das Copas de 1966 (vitória inglesa por 1 a 0 e expulsão de Antonio Rattín) e 1986 (dois gols de Maradona, o primeiro com a mão).
Em 1982, o contexto também virou geopolítico com a guerra pela posse das Ilhas Malvinas (para os ingleses, Falklands), no Atlântico Sul. A terra era controlada pelo Reino Unido desde 1833, mas foi reivindicada pela Argentina durante a ditadura estabelecida no país.
Após a reinvindicação, o governo britânico enviou tropas para retomar o controle da ilha e um massacre foi protagonizado pelos europeus. O resultado da agressividade foi um recuo por parte do governo da Argentina e, desde então, a terra permanece sob domínio inglês.
A localização das Ilhas Malvinas fica a 550 quilômetros do litoral argentino. Enquanto a distância da Grã-Bretanha para local é de 12.800 quilômetros. A Argentina rejeita a soberania britânica por entender que herdou da Espanha os direitos sobre o arquipélago após a independência em 1816 — considerando que o território está ocupado pelo Reino Unido desde 1833.
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