
Um a um, os representantes da América do Sul foram deixando a Copa do Mundo até restar somente a Argentina, atual campeã, entre os oito melhores. É o pior resultado da ponta sul do continente desde 2002, quando apenas o Brasil chegou às quartas de final.
O último sul-americano a dar adeus à competição foi a Colômbia, que perdeu para a Suíça, nos pênaltis, na terça-feira (7), pelas oitavas de final. Paraguai e Brasil pararam na mesma fase. O Equador ficou para trás nas 16 avos de final. Grande decepção, o Uruguai nem passou da fase de grupos.
Se tratando de todo o continente, incluindo os anfitriões Estados Unidos, México e Canadá, sete seleções americanas chegaram às oitavas e apenas uma passou de fase — a Argentina. Em comparação, com a Europa aconteceu o inverso: seis classificados e um eliminado — Portugal, que enfrentou a também europeia Espanha.
Em relação ao aproveitamento, o continente africano também supera a América. Das duas seleções que chegaram às oitavas, uma avançou (o Marrocos, que eliminou o Canadá) e a outra caiu (o Egito, que perdeu para a Argentina).

Defasagem na formação de atletas, concentração de talentos na Europa, baixo nível de competitividade e, principalmente, o declínio da Seleção Brasileira são alguns motivos que explicam o desempenho dos sul-americanos na Copa do Mundo. Confira a opinião dos colunistas de Zero Hora.
O que pode explicar a crise no futebol sul-americano?
José Alberto Andrade
— O principal responsável pela solidão argentina entre os oito melhores da Copa é o Brasil. Desde 1990 nossa Seleção não ficava fora das quartas de final, mas fez de tudo para ir mal no Mundial deste ano. Apesar de a eliminação ter acontecido no campo de forma limpa, já se via pelo ciclo que o declínio brasileiro era evidente. Faltou um treinador fixo, faltaram jogadores em setores vitais como as laterais e o meio-campo e não houve tranquilidade administrativa na CBF. Cair fora nas oitavas de final era até previsível. No mais, culpe-se o Uruguai que mostrou muito pouco futebol para o elenco que tem. Quanto aos demais, nenhuma novidade, mesmo a Colômbia que parece ter grande dificuldade na hora de trocar de paradigma. Se for falar em decadência da América do Sul, que se comece pelo Brasil.
Diogo Olivier
— As seleções sul-americanas padecem do mesmo mal. Passam o ciclo de Copa sem enfrentar adversários europeus, pelo calendário. Com a facilidade absurda que viraram as Eliminatórias, os jogos não motivam como antes. Então não há testes, mas partidas arrastadas e que levam do nada a lugar algum. Sempre haverá a rodada seguinte. Além do mais, os clubes formam atacantes para vender e apostam menos em outras posições. E tem, claro, questão financeira de países como Equador, Colômbia, Paraguai. A América da Sul é muito mais pobre do que a Europa, que foi investindo e diminuindo a diferença técnica do passado.
Cristiano Munari
— Se olharmos para o passado antes da era Oscar Tabarez, a força da América do Sul estava muito dependente de Brasil e Argentina. Uruguai ficou fora das Copas de 94 e 98, caiu na fase de grupos em 2002 e não foi a 2006. O projeto Tabarez numa geração com Suárez e Cavani, principalmente, fez a América do Sul voltar a ter uma terceira força. Passado isso, voltamos depender de Argentina e Brasil. Com apenas duas fortes, bastava uma fracassar para termos o cenário atual. O Brasil fez sua pior campanha desde 1966 e deixou a Argentina isolada entre as oito melhores. A tendência é isso seguir, o continente dependendo de Brasil e Argentina, a não ser que surja uma geração acima da média em um dos outros países ou um projeto como o do Maestro Tabarez.
Mauricio Saraiva
— O combo de razões não inclui só o campo. A estrutura dos torneios e a força da moeda casada com a economia de cada país europeu onde o futebol é forte concentra talentos e, por consequência, retroalimenta a geração de dinheiro. A defasagem sul-americana em quesitos básicos do contexto do futebol amplia a distância. As seleções europeias se enfrentam o tempo todo em alto rendimento. As nossas não têm o mesmo nível de competitividade. O resultado vai para o campo.
Leonardo Oliveira
— Falta o Brasil entre as oito melhores. Porque, se formos recuar no tempo, tivemos o Uruguai, com a sua geração de ouro, a Colômbia, com a geração de Falcão García, Cuadrado e um James novinho, e o Paraguai. Figuras carimbadas, mesmo, só o Brasil e a Argentina. O ponto da Eurocopa com dois convidados é que estão ali seleções que, em determinado momento, pararam e tentaram entender a razão de estarem pegando caminhos errados e passaram a trabalhar firmes no projeto para captação e formação de talentos. Olharam para dentro e descobriram que era preciso reconfigurar o modelo de formação de jogadores. A seleção é resultado da sua base, do modelo que adota para oportunizar a talentos virarem jogadores.
Seleções da América do Sul nas oitavas da Copa desde 2002
- 2022: Brasil e Argentina
- 2018: Uruguai e Brasil
- 2014: Brasil, Colômbia e Argentina
- 2010: Uruguai, Brasil, Argentina e Paraguai
- 2006: Brasil e Argentina
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