
A Noruega não tem apenas Haaland brilhando na Copa do Mundo de 2026. A seleção escandinava é uma das surpresas do Mundial, e Martin Odegaard é o maestro da equipe, que enfrenta a Seleção Brasileira no domingo (5), pelas oitavas de final.
O meio-campista, que não era nascido quando a Noruega disputou sua última partida de Copa do Mundo antes de 2026 — derrota para a Itália nas oitavas de final de 1998 —, está sendo importante na campanha nos Estados Unidos, México e Canadá.
Capitão e camisa 10, ele foi peça fundamental antes mesmo do apito inicial na Copa de 2026: disputou cinco partidas das Eliminatórias, marcou um gol e deu sete assistências. A Noruega liderou o Grupo I, com 100% de aproveitamento, mandando a Itália à repescagem e com direito a 7 a 1 no agregado dos dois confrontos.
Enquanto as atenções estavam no artilheiro Haaland, que balançou as redes 16 vezes nas Eliminatórias, Odegaard teve um papel organizacional importante no meio de campo norueguês. Por muitas vezes até ofuscado pelo compatriota.
— Ele precisa entregar passes para o Haaland, e é o que ele faz. Participa muito ativamente da construção, e mesmo sendo um jogador jovem, tem muita liderança. É acima da média — avalia Mário Marra, comentarista de futebol europeu da ESPN.
A carreira de Odegaard
Atualmente, o norueguês é um dos melhores meio-campistas do mundo e referência do Arsenal, líder da Premier League. No entanto, os holofotes estão voltados para Odegaard desde muito cedo.
Com apenas 15 anos ele era tratado como uma grande promessa do futebol mundial. Revelado pelo Strømsgodset, da Noruega, foi contratado pelo Real Madrid em 2015. O clube espanhol depositava muita esperança no jovem atleta.
Não era à toa. Odegaard estreou pela seleção norueguesa com 15 anos e 253 dias. Ele também estava sendo disputado por gigantes como Barcelona, Bayern de Munique e Manchester United.
O Real venceu a disputa, mas não deu espaço no time principal. A maior parte do tempo foi na equipe B. Para acelerar seu desenvolvimento, o clube espanhol decidiu emprestá-lo.
Entre 2016 e 2019, Odegaard atuou na elite do futebol holandês. Primeiro, o meio-campista defendeu o Heereveen, time de meio de tabela da Eridivisie. Com 19 anos, chegou ao Vitesse, que disputava posições melhores na liga holandesa.
Retorno à Espanha
As boas atuações na Holanda fizeram Odegaard voltar ao futebol espanhol. No entanto, ainda não para o Real Madrid, e sim um empréstimo à Real Sociedad. A temporada 2019/2020 foi um divisor de águas para a carreira da promessa.
O norueguês foi bastante participativo e peça importante da equipe que terminou em sexto lugar em La Liga. Lá, apagou as duras críticas que ele já havia recebido por não ter dado certo no Real Madrid.
E Odegaard realmente não deu certo no clube merengue. Na temporada 2020/2021, ele encerrou o período de empréstimos e teve algumas chances na equipe principal. Porém, não engrenou. Foram apenas sete jogos disputados e nenhum gol ou assistência.
Nova fase na carreira
Com 21 anos, Odegaard foi emprestado novamente, desta vez para o Arsenal. Foi necessária meia temporada para o norueguês se firmar no futebol inglês. Os Gunners pagaram 40 milhões de euros (cerca de 250 milhões de reais na época) para comprá-lo em definitivo.
Um movimento que mudou o patamar do Arsenal e tornou Odegaard um jogador relevante no futebol europeu. O talento, que sempre existiu, foi potencializado e novas características foram agregadas ao meio-campista.
— Um jogador muito acima da média, desde que era uma promessa contratada pelo Real Madrid até amadurecer. Tem como principal característica o controle do jogo. Já atuou mais como um 10, e de um tempo um tempo para cá tem jogado mais como um 8, baixando da linha intermediária ofensiva para atuar como um organizador. É um jogador de muito boa visão de jogo e de muito bom passe — analisa Mário Marra.
Essas características ajudaram o Arsenal a se moldar como um time competitivo, que bateu na trave três anos seguidos com o vice da Premier League. Na atual temporada, os Gunners lideram a competição e Odegaard tem papel importante no meio de campo.
A evolução também foi fundamental para a seleção norueguesa, que se classificou em segundo lugar no Grupo I, que tinha França e Senegal como principais adversários.
Na segunda fase, a Noruega passou pela Costa do Marfim. Odegaard já ajudou seu país com três assistências, em três jogos disputados no Mundial.
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