
Carlo Ancelotti dos títulos da Liga dos Campeões. Pep Guardiola e o realinhamento do futebol. Jurgen Klopp e o futebol rock and roll. José Mourinho e a estudiosa escola portuguesa. Se precisava de um rótulo para colocar o seu nome nessa turma, Diego Simeone é o técnico que forma finalistas de Copa do Mundo.
Será a terceira decisão seguida em que o Atlético de Madrid é o clube com mais jogadores. Esta edição são 10. Os espanhóis Álex Baena, Grimaldo, Llorente e Pubill. Os argentinos Almada, Giuliano Simeone, Julián Alvarez, Musso, Nahuel Molina e Nico Gonzalez.
Simeone chegou ao clube em dezembro de 2011. O Atlético de Madrid era uma equipe de meio de tabela. Nessa década e meia, se transformou em uma força espanhola, com títulos nacionais e duas finais de Liga dos Campeões.
Os resultados o transformaram no técnico mais bem pago do mundo. Simeone recebe entre 31 e 34 milhões de euros por temporada.
Poucos treinadores esculpem times à sua imagem e semelhança dos tempos de jogador. O Atléti é um time aguerrido, que pode não ter um futebol refinado, mas que nunca se entrega, assim como aquele volante argentino nos anos 1990.
— O meu papel é levar os jogadores aos seus limites, provocá-los, deixá-los irritados comigo. Esse nervosismo é a vontade de melhorar — costuma explicar.
Ter jogadores convocados por duas seleções tão diferentes, mostra que, apesar da intensidade marcante, Simeone aprimora jogadores para variados estilos de jogo.
O Atlético de Madrid está longe de ser um clube com recursos franciscanos, mas está abaixo das principais potências da atualidade. Para competir com clubes mais endinheirados, maximizou o desempenho de jogadores como Godín, Griezmann, Koke, Filipe Luís, entre outros.
— Tem o caso do Marcos Llorente, convocado para jogar na lateral da Espanha. O Llorente é o típico jogador moldado por Simeone. Ele foi para a Copa como lateral porque jogou como lateral na temporada, porém originalmente ele é volante de formação. O ponto da entrega física inegociável faz com que ele possa jogar em muitas posições, já foi até atacante com o Simeone. É um dos casos que, se não tivesse nas mão do Cholo, com certeza não estaria na Copa — conta a jornalista Tatiana Mantovani, correspondente do TNT Esportes em Madri.
Ela aponta também uma outra faceta. Apesar de toda a capacidade, nem todos se encaixam no perfil exigido por Simeone. João Félix, Thomas Lemar e Jackson Martínez não funcionaram sob a tutela do argentino.
— O Simeone é um treinador muito específico, digamos assim, não é todo jogador que funciona com ele. Nos últimos anos, o número de argentino no clube tem crescido, até pela característica que ele valoriza nos jogadores, essa entrega incondicional — avalia Tatiana.
Vença quem vencer, Simeone é um dos campeões da Copa.


