
O país do futebol é a Espanha. O título da Copa do Mundo conquistado no domingo (19) é só mais uma conquista da nação que domina a modalidade nos últimos anos. Neste momento, La Roja unificou os títulos dos mundiais masculino e feminino, além de ostentar a medalha de ouro olímpica no masculino e a taça da Eurocopa. Chegou à final das duas edições mais recentes da Liga das Nações e venceu uma delas.
A Espanha se tornou o primeiro país a ser simultaneamente campeão mundial entre mulheres e também entre homens. Também é a única seleção com duas Copas masculinas neste século.
São sementes plantas em um processo iniciado nos anos 1990. A reestruturação do futebol espanhol passa também pela continuidade. Nos Jogos Olímpicos de 2020, disputados em 2021 devido à pandemia, a seleção espanhola perdeu a final par o Brasil.
Luis de la Fuente, o técnico campeão neste fim de semana, também fez parte daquela campanha de prata. Dos 11 titulares da derrota para os brasileiros, oito estiveram em campo no 1 a 0 sobre a Argentina.
— Me sinto muito feliz pelos nossos jogadores extraordinários. Alguns estão trabalhando conosco há muitos anos, 12 anos. Passamos por toda essa trajetória juntos, é um orgulho para mim, somos quase uma família — comemorou ao final do jogo.
Cabeça pensante
A contratação de de la Fuente, após a demissão de Luís Enrique na Copa de 2022, foi uma aposta sólida no trabalho de base. Além de treinador, ele foi por anos uma das cabeças pensantes do curso de formação de técnicos desenvolvido pela Federação Espanhol.
De certa maneira, o trabalho esteve representado nos dois lados. Principal jogador da Argentina, Messi teve sua formação futebolística no Barcelona, um dos gigantes do futebol ibérico. O técnico Lionel Scaloni foi aluno do espanhol.
Nessas duas bases de formação, de técnicos e jogadores, a Espanha refundou as estruturas de sua identidade tática. O apelido Fúria vinha da intensidade e da busca de um jogo aguerrido em campo.
A identidade tática é clara. A aposta é na ocupação de espaços e circulação de bola. Um futebol coletivo sintetizado na atuação do volante Rodri.
O jogador do Manchester City não está entre os primeiros colocados de nenhuma das estatísticas apresentadas pela Fifa. Em alguns quesitos, sequer aparece nas primeiras colocações. O que não impediu de ele ser eleito como o melhor jogador do torneio.
Rodri é a cola que une o time, que faz a bola jogar. Uma síntese da ideia do futebol espanhol. Um futebol que conquistou tudo neste século.



