
Técnico da seleção brasileira masculina de vôlei e referência em liderança no esporte, Bernardo Rezende, 66 anos, defendeu Carlo Ancelotti, após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo 2026. Em entrevista a Zero Hora na manhã deste domingo (12) no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, Bernardinho disse que a Seleção precisa definir o seu estilo de jogo no próximo ciclo.
— O Brasil precisa reencontrar o seu futebol e a sua forma de jogar. Precisa desenvolver algumas coisas, entender qual é o nosso DNA, qual é a nossa força e, em cima disso, voltar a evoluir — disse o técnico, enquanto se preparava para viajar a Chicago, onde a seleção de vôlei tem quatro compromissos pela Liga das Nações.
Bernardinho elogiou o técnico Carlo Ancelotti, citando que o pouco tempo de trabalho pode ter atrapalhado o treinador neste ciclo.
— É um treinador supervitorioso. Portanto, ele vai saber encontrar os caminhos. Talvez o pouco tempo de conhecimento do futebol brasileiro e desta geração possa ter condicionado um pouco o trabalho. Isso é natural. É preciso tempo e trabalho — completou.
Confira a íntegra da entrevista de Bernardinho a Zero Hora.
A frustração com a eliminação do Brasil
Como torcedor, fica a decepção, a frustração natural de quem vê a Seleção sair de uma Copa do Mundo diante da Noruega, uma equipe, em tese, com menos tradição. Dizer que é menos capaz, para mim, é difícil, até porque sou apenas um dos 200 milhões de brasileiros que acham que entendem de futebol. Quem realmente entende é quem está lá no dia a dia. Não tenho essa pretensão.
A confiança em Carlo Ancelotti
Certamente, Carlo Ancelotti é uma pessoa acima de qualquer dúvida, pela carreira que construiu. Eu comecei a minha carreira na Itália e vi Carlo Ancelotti jogando no meio-campo do Milan. Era um jogador excepcional e um líder dentro de campo. É um treinador supervitorioso. Não sei quantas vezes venceu a Liga dos Campeões (foram cinco). Foi campeão das ligas em todos os países nos quais trabalhou. Portanto, ele vai saber encontrar os caminhos.
Talvez o pouco tempo de conhecimento do futebol brasileiro e desta geração possa ter condicionado um pouco o trabalho. Isso é natural. É preciso tempo e trabalho.
Obviamente, a cobrança sobre o cargo começa a aparecer, mas é difícil fazer uma avaliação definitiva.
A adaptação de Ancelotti ao futebol brasileiro
Não sou um profundo conhecedor, mas sou admirador do trabalho que ele realiza. Se esse trabalho será o melhor para o Brasil ou não, e se ele conseguirá se adaptar, o tempo vai dizer.
É uma pessoa extremamente inteligente, capaz e competente. É um vencedor, admirado e respeitado por todos os jogadores que trabalharam com ele. Eu me recordo do Kaká, um jogador excepcional e uma figura humana maravilhosa. Ele só faz elogios a Ancelotti. E não apenas do ponto de vista da relação pessoal, que é muito importante entre um líder e seus liderados, mas também pelo conhecimento técnico e tático de Ancelotti como treinador.
O equilíbrio do futebol mundial
Há hoje um equilíbrio muito grande no futebol. Você vê a Argentina eliminando a Suíça na prorrogação. Veja o que Cabo Verde fez contra a Argentina. Isso pode acontecer com grandes equipes. Também vimos o Paraguai enfrentando a França, que é considerada por muitos a melhor seleção do mundo atualmente, cheia de jogadores talentosos. A França venceu por 1 a 0, daquela forma. Isso tem sido uma constante.
A necessidade de o Brasil reencontrar a sua identidade
O Brasil precisa reencontrar o seu futebol e a sua forma de jogar. Precisa desenvolver algumas coisas, entender qual é o nosso DNA, qual é a nossa força e, em cima disso, voltar a evoluir. Pode-se dizer que não existe uma geração excepcional, mas é possível formar um grupo excepcional. Nem sempre teremos Pelé e Garrincha, Romário, Ronaldo ou Neymar.
Teremos ótimos jogadores e o desafio é transformar esses ótimos jogadores em um grande time. Talvez essa seja uma grande meta para os próximos anos.
A pressão sobre o treinador da Seleção
Claro que futebol não é voleibol. Nós também recebemos críticas quando perdemos, mas o futebol é uma coisa diferente. No Brasil, é uma religião, não é apenas um esporte. Sei que a pressão é enorme. Mas Ancelotti é uma pessoa capaz, assim como existem treinadores brasileiros e estrangeiros capazes.
Agora é preciso torcer, oferecer as condições de trabalho, mas, obviamente, também cobrar, porque quem ocupa aquela posição será cobrado.
Desafio em Chicago pela Liga das Nações de Vôlei
Estamos indo para Chicago e fazemos escala aqui em Miami. Começamos na quarta-feira. Teremos três jogos seguidos muito duros: contra a França, os Estados Unidos e, depois, a China. Em seguida, teremos um dia de folga e mais um jogo, buscando a classificação para as finais. É um objetivo difícil. Temos mais um grande desafio pela frente, mas vamos em busca dessa classificação.




