Da reversão do cartão do atacante Folarin Balogun à deportação do árbitro somali Omar Artan, dos vistos negados a torcedores de diversas nações à participação do Irã, a Copa do Mundo 2026 foi marcada por diversas polêmicas envolvendo a atuação do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Em entrevista exclusiva a Zero Hora, nos Estados Unidos, o diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para o Mundial Andrew Giuliani, 40 anos, expôs a versão do governo norte-americano sobre todos os temas controversos que marcaram o Mundial.
O político garantiu que não houve intervenção de Trump na anulação do cartão de Balogun, fez críticas duras ao árbitro brasileiro Raphael Claus, disse que o árbitro da Somália foi barrado porque conversava com "pessoas ruins" e definiu como bem-sucedida a política de vistos e a logística organizada para o Irã disputar o Mundial.
Filho do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, que administrou a cidade durante os atentados de 11 de setembro, Andrew Giuliani é desde o ano passado uma espécie de "homem-forte" do governo Trump para todos os assuntos relacionados à Copa do Mundo.
Confira trecho da entrevista exclusiva de Andrew Giuliani a Zero Hora:
Gerou muita repercussão negativa no Brasil e no mundo a decisão de se anular o cartão vermelho de Folarin Balogun, que foi mostrado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. Alguns críticos viram isso como uma intervenção política do presidente Donald Trump na competição. O que o senhor diria a quem vê dessa forma?
Em primeiro lugar, é importante dizer que o presidente Trump e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, conversam três ou quatro vezes por semana, certo? Quero dizer, então, o fato de eles conversarem é apenas parte de uma conversa normal. E, depois, eu analisaria especificamente os fatos do cartão vermelho e o fato de que o árbitro (o brasileiro Raphael Claus) prestou depoimento em uma investigação sobre manipulação de partidas no passado, por mostrar cartões vermelhos irregulares (na verdade, Raphael Claus depôs como convidado na CPI de Manipulação de Jogos em 2024, sem ter sido alvo de qualquer investigação). Quando você olha para aquele minuto 64, certo, e especificamente para aquela falta de contato, um árbitro da Fifa deveria saber, naquele momento, que o VAR não poderia ser usado em câmera lenta para revisar aquilo. Quando você acrescenta isso ao que eu havia mencionado antes e vê tudo isso, então temos de analisar e dizer: bem, veja, colocamos bilhões de dólares em jogo para garantir que esta Copa do Mundo fosse um sucesso do ponto de vista da proteção e da segurança, do ponto de vista da receptividade, mas também do ponto de vista da integridade. E foi isso que, no fim das contas, analisamos. Eu acho que a Fifa acabou tomando a decisão correta neste caso, e eu esperaria que os torcedores de futebol quisessem que um país-sede garantisse que a Copa do Mundo tivesse plena integridade em seu território. Foi isso que procuramos alcançar, e foi isso que fizemos.
Por que o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi banido de entrar nos Estados Unidos?
Todos os jogadores entraram no país. Nós concedemos vistos a todos os treinadores que entraram no país. Houve um árbitro que não entrou. E você mencionou anteriormente as preocupações de segurança nacional. Ele estava conversando com algumas pessoas muito ruins durante o período que antecedeu sua viagem aos Estados Unidos da América, como disseram o secretário (de Estado, Marco) Rubio e o secretário (de Segurança Interna, Markwayne) Mullen. E minhas instruções, recebidas diretamente do presidente dos Estados Unidos, foram: nenhuma pessoa mal-intencionada entrará nos Estados Unidos da América utilizando um torneio de futebol como pretexto para vir ao nosso território. Nós alcançamos isso.
As restrições migratórias impediram que alguns torcedores viajassem aos Estados Unidos para a Copa do Mundo. Foi justa a forma como os Estados Unidos equilibraram as preocupações legítimas de segurança nacional com a necessidade de garantir que a Copa do Mundo continue sendo um evento global?
Um dos nossos verdadeiros focos na força-tarefa foi permitir a entrada do maior número possível de torcedores, desde a criação do Fifa Pass, que permitiria aos portadores de ingressos chegar à frente da fila, para que, dessa forma, pudessem ter seus pedidos de visto analisados — sem contornar as preocupações de segurança nacional — até o aumento do número de funcionários dos Assuntos Consulares do Departamento de Estado em lugares como o Rio de Janeiro, no Brasil, reduzindo os tempos de espera dos vistos B-1/B-2 de mais de 700 dias para menos de um mês. Eu acho que isso é um exemplo incrível da capacidade de equilibrar essas preocupações de segurança nacional, sem mudar o verdadeiro processo. Seguimos o processo de análise e garantimos que o maior número possível de pessoas pudessem ter o pedido (de Visa) analisado.
Nenhuma pessoa mal-intencionada entrará nos Estados Unidos da América utilizando um torneio de futebol como pretexto para vir ao nosso território.
ANDREW GIULIANI
Diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca
O Irã disputou a Copa do Mundo nos Estados Unidos durante um momento de tensão entre os dois países. Como o senhor avalia a forma como os Estados Unidos lidaram com essa situação, com o Irã ficando sediado no México e jogando nos Estados Unidos? Foi a forma mais justa?
Eu acho que a situação foi tratada de forma muito justa. Uma coisa que deve ser destacada: foi decisão do Irã mudar sua concentração de Tucson (no estado do Arizona, Estados Unidos) para Tijuana (no México). Então, essa foi uma decisão deles. Eu acho que eles disseram que estavam felizes com essa decisão. O México ficou feliz com a decisão. Nós, como Governo dos Estados Unidos, também ficamos felizes. Então, essa foi uma daquelas situações em que todos ganham. Quando avaliamos o tempo de voo de Tijuana até Los Angeles, são apenas 27 minutos. É um voo curto. Entendemos que chegar um dia antes era tempo mais do que suficiente para que eles pudessem se preparar. Então, eles chegaram um dia antes para aquele voo de 27 minutos até Los Angeles. Nós lhes demos um dia adicional para viajar a Seattle, que é um voo de três horas, para que, dessa forma, eles tivessem um dia adicional para poder chegar. Novamente, permitimos que todos os jogadores, todos os treinadores e todas aquelas pessoas que estariam dentro de campo, fosse em uma função de treinador ou de jogador, entrassem nos Estados Unidos.
Alguns integrantes da delegação iraniana tiveram visto negado para entrar nos Estados Unidos.
Não permitimos a entrada de alguns dirigentes, e isso aconteceu, francamente, por causa de suas ligações diretas com a Guarda Revolucionária Iraniana (considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos) e com o governo iraniano. Eu acho que isso foi muito justo, foi muito razoável. Você pode ver isso no empate que eles tiveram contra a Bélgica. Digamos que eles tiveram a oportunidade de alcançar o equilíbrio competitivo dentro de campo. Isso aconteceu por causa do excelente trabalho do Departamento de Segurança Interna, dos Assuntos Consulares do Departamento de Estado e da Força-Tarefa da Casa Branca.
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