
A Noruega é a mais nova seleção emergente e da segunda prateleira da Europa a eliminar o Brasil em uma Copa do Mundo. Após os 2 a 1 na tarde deste domingo (5), em Nova Jersey, a semelhança nas eliminações brasileiras seguem. Nos últimos três adeus da Seleção Brasileira diante de europeus em mata-matas de Mundiais, o rival não foi uma potência tradicional do mesmo patamar de Alemanha, Itália, França, Espanha ou Inglaterra. Mas sim equipes que chegaram ao torneio vivendo momentos especiais.
Foi assim com a Bélgica, que eliminou os comandados de Tite nas quartas de final da Copa de 2018, na Rússia, repetiu-se com a Croácia, responsável pela queda brasileira, novamente sob o comando de Tite, e também nas quartas do Mundial de 2022, desta vez no Catar, e agora, em 2026, contra os noruegueses, na competição disputada nos Estados Unidos, México e Canadá.
Embora cada uma tenha características próprias, as três compartilham traços semelhantes: não pertencem ao grupo mais vitorioso da história das Copas e atravessavam ciclos considerados os melhores de suas trajetórias recentes, mas ainda abaixo das principais favoritas.

A "ótima geração belga" que nunca conquistou
um título
Quando Brasil e Bélgica se encontraram em Kazan, nas quartas de final da Copa de 2018, os europeus eram frequentemente apontados como a melhor geração da história do país. Nomes como Kevin De Bruyne, Eden Hazard, Romelu Lukaku, Thibaut Courtois e Vincent Kompany formavam uma seleção que ocupava o topo do ranking da Fifa e era vista como candidata ao título mundial, apesar de não ser a grande favorita.
Apesar disso, a Bélgica treinada por Roberto Martínez carregava uma limitação importante: jamais havia conquistado uma Copa do Mundo ou Eurocopa. Ou seja, tratava-se de uma potência emergente, mas sem a tradição dos gigantes europeus.
A vitória por 2 a 1 sobre o Brasil representou o auge belga. A equipe combinava talento individual, força física e um elenco repleto de atletas atuando nos principais clubes da Europa. Era, em essência, uma seleção em seu ápice competitivo. Após eliminar os brasileiros, perderam para a França na semifinal e tiveram que se contentar com o terceiro lugar na Rússia.

Queda para a
atual vice de 2018
Quatro anos depois, o Brasil voltou a cruzar o caminho de uma seleção europeia fora do grupo das campeãs tradicionais. A Croácia já havia surpreendido o mundo ao chegar à final em 2018, mas ainda era vista como uma nação sem um grande cartaz em Mundiais.
No Catar, os croatas chegaram novamente muito competitivos. Liderados por Luka Modric, Marcelo Brozovic e Mateo Kovacic, transformaram a experiência em sua principal arma. O empate por 1 a 1 na prorrogação e a posterior vitória nos pênaltis sobre o Brasil confirmaram a consistência do treinador Zlatko Dalić, o mesmo da competição anterior.
Assim como a Bélgica, a seleção da camisa quadriculada não possuía o histórico de títulos que caracteriza as potências europeias. Porém, diferentemente dos belgas, conseguiu transformar campanhas de destaque em algo mais duradouro, alcançando a semifinal em 1998, na França, o vice-campeonato em 2018, na Rússia, e o terceiro lugar em 2022, no Catar.

Noruega e o cometa
A Noruega da Copa 2026 surge como mais um capítulo dessa tendência. O país não disputava um Mundial desde 1998 e chega ao duelo contra o Brasil impulsionado por uma geração considerada a mais talentosa das últimas décadas. A classificação para enfrentar os brasileiros foi garantida após vitória sobre a Costa do Marfim na terça-feira (30), com destaque para Antonio Nusa e Erling Haaland.
Historicamente, os noruegueses estão um degrau abaixo até mesmo de Bélgica e Croácia. Suas melhores campanhas em Mundiais terminaram nas oitavas de final, fase que também alcançaram em 1938, 1994 e 1998.
O paralelo com os adversários anteriores do Brasil é evidente. A Noruega não integra a elite histórica do futebol mundial, mas vive um raro momento de fortalecimento técnico. Haaland é um dos principais atacantes do planeta, Odegaard se consolidou entre os grandes meio-campistas da Europa e a equipe conta ainda com jovens promessas como Sorloth, capazes de elevar o nível competitivo do elenco.
Após eliminar os brasileiros, os nórdicos encaram mexicanos ou ingleses nas quartas de final do Mundial.
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