
Uma das cenas mais divertidas e emblemáticas da Copa do Mundo 2026 é marcada por diversas controvérsias.
Símbolo do sucesso da Noruega, a remada viking dos torcedores na arquibancada, regida por Erling Haaland e seus companheiros, foi alvo de debate e de polêmica no país nórdico antes do torneio.

Histórico de violência
A discussão está ligada ao histórico de violência dos vikings, a uma suposta associação com grupos nacionalistas de extrema direita e à relação da Noruega com os vizinhos escandinavos, como Suécia e Dinamarca.
— Várias pessoas na Noruega no início não gostaram da comemoração e não aderiram — conta a Zero Hora o jornalista norueguês Henrik Simonsen, do Jornal Dagbladet
"Saques e brutalidade"
No início da Copa, o jornal inglês The Guardian destacou em uma reportagem o histórico de violência dos vikings, que segundo historiadores, atacavam e saqueavam reinos e povos vizinhos entre os séculos 7 e 9.
“A reputação dos vikings está ligada principalmente a saques, pilhagens e brutalidade”, disse a reportagem.

Extrema-direita
Além disso, o jornalista Oyvind Herrebroden, do diário norueguês VG, revela que os símbolos vikings foram utilizados recentemente por grupos nacionalistas de extrema-direita, o que aumentou a polêmica.
— Nós não temos nenhuma vergonha da cultura viking, mas existe, sim, um debate na Noruega sobre até que ponto devemos explorar essa herança. Ela às vezes é vista como algo nacionalista demais, um símbolo associado à extrema direita. A remada se popularizou, mas o uso de capacetes e roupas de viking ainda gera debate — relata.

"Tradição nórdica"
O norueguês Jan Helge Halleraker, 47 anos, trabalhador da construção civil, que viajou aos Estados Unidos especialmente para assistir à Noruega na Copa, reconhece o passado de violência dos vikings.
— Os vikings fazem parte da antiga tradição nórdica. É verdade que eles guerreavam entre si e também atravessavam o mar em seus navios rumo à Inglaterra e a outras partes da Europa, saqueando e fazendo coisas que hoje consideramos muito ruins — admite.

Gesto esportivo e cultural
Porém, com a classificação da Noruega às quartas de final e a popularização mundial da comemoração viking, sobretudo após a vitória por 2 a 1 sobre o Brasil, nas oitavas de final, o torcedor alega que a comemoração tornou-se um gesto esportivo e cultural.
— No contexto do futebol, o sentimento (expressado com a remada viking) é principalmente de orgulho. Representa de onde viemos, nossa força, nossa potência e nossa capacidade de impor respeito. A violência e todos os outros aspectos ficam em segundo plano, porque a Noruega moderna é um país pacífico, baseado no respeito, muito diferente do que era na época dos vikings — esclarece Halleraker.

Polêmica perdeu força
De certa forma, o significado futebolístico da comemoração de fato se sobressaiu. Segundo o jornalista Øyvind Herrebrøden, ao longo da Copa do Mundo, as polêmicas perderam força na Noruega.
— O fenômeno viralizou. A remada é vista hoje como uma imagem que une a nação, em um contexto em que todos trabalham na mesma direção. Até o primeiro-ministro já fez (a comemoração) — conta.

Noruegueses remavam?
Outra polêmica está ligada a uma imprecisão histórica. Segundo o The Guardian, os vikings noruegueses seriam navegadores mais transatlânticos, que usavam barcos à vela. De acordo com pesquisa feita pelo periódico inglês, os vikings que remavam em rios seriam os antepassados dos suecos.
Porém, a identidade viking parece fazer mais sentido hoje para os noruegueses.
— Acho que, na Noruega, existe uma ligação mais forte com a história viking do que em outros países. Aprendemos sobre isso na escola e em outros contextos, então acredito que essa conexão seja um pouco mais forte na Noruega do que na Suécia — opina Simonsen.

Na Copa do Mundo, porém, a remada passou a ter, para os torcedores noruegueses, um significado mais esportivo do que histórico.
— É como dizer: "Vamos remar até a praia, vamos concluir a missão". A mensagem é: "Vamos remar até a costa. Vamos até o fim. Vamos vencer". Esse é, basicamente, o significado da celebração. Chegar à costa representa alcançar o objetivo, como chegar ao título da Copa do Mundo — explica Halleraker.
A próxima oportunidade da Noruega de comemorar uma vitória com a remada viking será no sábado (11), contra a Inglaterra, em Miami, pelas quartas de final.

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