
Neste domingo (5), o Brasil vai jogar contra a Noruega, contra a pressão e contra três maldições. A Seleção, em busca das quartas de final, tem uma interrogação para o time que tem a missão de eliminar Haaland e companhia. A partida será às 17h, no MetLife, sede de Nova York/Nova Jersey.
A começar pelo que não é mística. A Noruega é um adversário duríssimo. Ganhou todas as partidas das Eliminatórias, inclusive as duas contra a Itália.
Na Copa do Mundo, ganhou de Senegal, Iraque e Costa do Marfim. Perdeu para a França quando tirou seus principais jogadores. E seus principais jogadores nada mais são do que o meia do Arsenal, campeão da Premier League, e o centroavante do Manchester City, sobre o qual vale uma menção especial.
Haaland é uma máquina de fazer gols. Ele marcou em todos os últimos 13 jogos em que esteve em campo pela seleção de seu país, totalizando 25 bolas na rede nessa leva. E é um caso raro de um grandalhão, pesadão e rápido. Arrasta defesas, chuta e cabeceia. E é um líder.
— Ele faz um ótimo trabalho para nós, esteja em campo ou não. É uma figura unificadora quando está jogando e quando está fora. É um líder — elogia o técnico Stale Solbakken.

Só isso já seria um desafio e tanto, ainda mais nas altas temperaturas e no desgaste natural da temporada. Só que tem um peso.
Qualquer resultado diferente de classificação fará o Brasil entrar no maior período sem títulos desde que foi campeão mundial pela primeira vez. A Copa de 2026 é exatamente 24 anos depois da última conquista, como 1994 fora para 1970. É quase impensável para uma nação criada a futebol ficar tanto tempo sem vencer.
A coincidência dolorosa

Nesse período todo sem ganhar, uma coincidência une todas as eliminações. Desde a final da Copa de 2002, aquela manhã gloriosa contra a Alemanha, o Brasil nunca mais venceu um europeu nos matas dos Mundiais.
Só ganhou deles em fase de grupos. Em partidas eliminatórias, caiu para França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia. Matheus Cunha foi perguntado sobre isso na entrevista da antevéspera do jogo:
— Não conversamos sobre as Copas passadas. Só falamos algumas vezes sobre as eliminações, muito mais para não reviver aquilo. O adversário, de onde quer que venha, precisa ser enfrentado com a máxima dedicação. Temos de sumir com esse fantasma. Para ganhar a Copa, precisamos passar por essa dificuldade. Espero que dessa vez seja diferente e possamos contar essa história.

A outra marca que a partida pode dar ao Brasil é passar do quinto jogo. Desde 2006, o Brasil fez cinco partidas em todas as Copas menos 2014 (e o sexto foi o fatídico 7 a 1). É que 2026 teve uma eliminatória a mais, então avançar significa igualar as campanhas recentes e chegar às quartas.
O bom é que o último tabu está justamente concentrado nesse verbo, avançar. O Brasil nunca venceu a Noruega. Trata-se de um dos maiores orgulhos dos adversários. Então, até isso está em jogo.
Mas ninguém vai se importar com a manutenção dessa marca se a Seleção passar nos pênaltis. Chega de ficar no quinto jogo. Chega de cair para europeus. É hora de ser Brasil.
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