
A Seleção Brasileira já sabe quem será o seu adversário na próxima fase da Copa do Mundo: Japão. Será o segundo duelo entre as equipes em Mundiais. A outra vez em que as seleções se enfrentaram foi na terceira rodada da fase de grupos da Copa da Alemanha, há 20 anos.
O Brasil havia vencido a Croácia e a Austrália e estava com a classificação para as oitavas de final confirmada — bastava apenas a definição da liderança, e um empate já servia.
Mas jogar pela ponto único não era algo presente na mentalidade do time do técnico Carlos Alberto Parreira. Desta forma, a Seleção Brasileira goleou os japoneses por 4 a 1 e despachou os orientais para a última colocação do grupo F.

Um ídolo do outro lado
O jogo, apesar de parecer protocolar, carrega um forte significado para a história do Brasil em Copas do Mundo. A começar pelo líder da casamata adversária.
Se de um lado estava o técnico do tetracampeonato da Seleção Brasileira, o comandante do Japão era nada mais nada menos que Arthur Antunes Coimbra, o Zico.

Antes da bola rolar, uma cena emblemática marcou os presentes no estádio Westfalenstadion, em Dortmund. O ex-jogador da Seleção Brasileira não se controlou e cantou o hino do Brasil junto da comissão técnica e dos jogadores brasileiros que, naquela situação, por mais estranho que fosse, eram seus adversários.
—Aprendi na escola que devo cantar o hino do meu país toda vez que ele é executado — justificou Zico na época.

Virada e Ronaldo ultrapassa Pelé
O Brasil foi a campo com o time montado da seguinte forma: Dida; Cicinho, Lúcio, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Kaká e Juninho Pernambucano; Robinho, Ronaldinho e Ronaldo.
Ainda estavam de fora Cafu, Roberto Carlos, Zé Roberto, Emerson e Adriano Imperador.
Dentro de campo, a Seleção Brasileira foi superior do início ao fim. No entanto, os japoneses colocaram gelo no chope do time de Parreira quando Tamada recebeu o passe do brasileiro naturalizado japonês, Alex Santos, e venceu Dida, abrindo o placar.

Sem se desesperar, o Brasil mostrou o motivo de, na época, defender o título conquistado em 2002 e virou a partida ao natural com gols de Ronaldo Fenômeno, duas vezes, Juninho Pernambucano e do lateral-esquerdo ex-Grêmio, Gilberto.
Com os dois gols marcados na partida, Ronaldo Fenômeno passou Pelé e se tornou o maior artilheiro brasileiro em Copas.
O atacante marcaria mais um gol contra Gana, na partida pelas oitavas de final, e chegaria aos 15 gols em Copas vestindo a camisa da Seleção, recorde que mantém até hoje.
Artilharia em Copas
Além disso, Ronaldo, terminaria a Copa de 2006 com 14 gols tornando-se, na ocasião, o jogador com mais gols em Mundiais, junto do alemão Gerd Muller. Feito que depois outro alemão, Miroslav Klose (16 gols), e mais recentemente o craque argentino Lionel Messi (18 gols) superaram.
A defesa histórica
Outro fato que engrandece ainda mais o único duelo entre Japão e Brasil em Copas do Mundo refere-se ao recorde que o sistema defensivo de Parreira alcançou.
Com o gol marcado por Tamada, encerrava-se o ciclo que durou 459 minutos do Brasil sem ter a meta ultrapassada pelos atacantes rivais em Copas. Feito este que não foi igualado desde então.
O reencontro
Na próxima segunda-feira (29), às 14h, o Estádio de Houston será palco do reencontro. Os times são diferentes, a comissão técnica da mesma forma e o contexto de eliminatórias equilibra ainda mais o confronto.
A Seleção Brasileira busca repetir a história, enquanto os japoneses querem reescrevê-la.
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