
Poucas seleções chegaram à Copa do Mundo cercadas por tantas questões extracampo quanto o Irã. Protestos, restrições e tensões diplomáticas davam a ideia de que a equipe enfrentaria um ambiente hostil no SoFi Stadium na partida contra a Nova Zelândia, nesta segunda-feira (15), em Los Angeles.
O que encontrou foi exatamente o contrário.
Horas antes da bola rolar, o entorno do estádio foi palco de uma manifestação de iranianos contrários ao atual regime do país. O esquema de segurança também chamou a atenção. Havia um número significativamente maior de viaturas e agentes em comparação ao jogo de abertura realizado na cidade dias antes. Integrantes do FBI acompanhavam a movimentação na região, enquanto agentes monitoravam o perímetro do estádio do topo de prédios próximos.
A cena reforçava a sensação de que o Irã pisaria em campo em um ambiente desfavorável.
Nos últimos dias, a delegação iraniana esteve no centro de diferentes controvérsias. Impedida de permanecer hospedada nos Estados Unidos durante a fase de grupos, a seleção estabeleceu sua base em Tijuana, no México. Também houve dificuldades na emissão de vistos para integrantes da delegação e torcedores que pretendiam acompanhar a Copa.
Tudo indicava uma noite hostil para o Irã. Mas bastaram alguns minutos dentro do estádio para essa percepção mudar.
Dos 70.108 torcedores presentes no SoFi Stadium, a ampla maioria apoiava o Irã. Quando os iranianos balançaram as redes, o estádio explodiu em comemoração.
A explicação passa, em parte, pela forte presença da comunidade iraniana no sul da Califórnia. Los Angeles abriga uma das maiores comunidades iranianas fora do país. Em Westwood, bairro da região oeste da cidade, a influência é tão grande que o local ficou conhecido como “Tehrangeles”, numa referência a Teerã.
Mas não eram apenas iranianos que torciam pela equipe. Ao longo da noite, foi possível observar torcedores de diferentes nacionalidades, incluindo mexicanos e norte-americanos, demonstrando apoio ao Irã. O resultado foi uma atmosfera típica de Copa do Mundo, distante da tensão que dominava o lado de fora do estádio poucas horas antes.
O empate por 2 a 2 contra a Nova Zelândia ficará registrado na tabela do Grupo G. Mas a principal história da noite aconteceu fora das quatro linhas.
Em meio a uma das semanas mais turbulentas da relação entre Estados Unidos e Irã nos últimos anos, a seleção iraniana chegou a Los Angeles cercada por protestos, vigilância reforçada e incertezas. Ainda assim, encontrou nas arquibancadas algo que parecia improvável: em território norte-americano, jogou como se estivesse em casa.
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