
O atacante Endrick está no fim da fila na hierarquia dos atacantes de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira. Para o treinador, o garoto do Real Madrid é um atacante de área e não um ponta. E, na função de 9, o atleta está atrás de Matheus Cunha e Igor Thiago. As decisões de Ancelotti mostram isso.
Convocado pela primeira vez em março pelo italiano, Endrick nunca foi titular com a atual comissão técnica. E, na estreia na Copa do Mundo, contra o Marrocos, o jovem sequer entrou, apenas viu Igor Thiago iniciar o jogo e Matheus Cunha entrar no segundo tempo.
— Eu não estou aqui para falar individualmente de um jogador, falo da equipe — esquivou-se o treinador ao ser perguntado sobre o tema após o empate por 1 a 1 com os marroquinos, no sábado (13).
A verdade é que Endrick atuou com Ancelotti em apenas três jogos, ficando em campo por 104 minutos somados. Em todos eles, formou dupla de ataque ou com Matheus Cunha ou com Igor Thiago, jamais sendo lançado antes que qualquer um dos dois.
Na véspera da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, em amistoso no dia 1º de abril, em Orlando, Ancelotti chegou a definir Endrick como um jogador para o "futuro". E mencionou o fato de o atleta estar atuando em nova função, como ponta-direita, no Lyon, time que defendeu por empréstimo no primeiro semestre
— (Endrick) É um tema interessante. Eu o conheci como atacante central, agora ele está mais do lado. Está fazendo bem, mas requer um trabalho mais defensivo. Pode fazer pela condição que tem. Estamos mirando sua evolução. Endrick vai ser o futuro da seleção — disse, à época.
No dia seguinte, contra os croatas, o garoto entrou faltando 14 minutos para o fim, o suficiente para sofrer um pênalti — convertido por Igor Thiago — e dar uma assistência para o gol de Gabriel Martinelli, que selou a vitória por 3 a 1. E, consequentemente, a vaga do atacante na lista final dos 26 convocados para a Copa do Mundo.
Depois da convocação, Endrick entrou ainda no intervalo das vitórias por 6 a 2, contra o Panamá, e por 2 a 1, diante do Egito, em amistosos preparatórios. Nessas duas partidas, formou dupla na segunda etapa com Igor Thiago e Matheus Cunha, respectivamente.
Sem a preferência de Ancelotti
No Real Madrid, na temporada 2024/25, Endrick foi titular em apenas oito partidas com Carlo Ancelotti. Afinal, como não era opção para a ponta, acabou amargando a reserva de Mbappé como centroavante.
— A relação de Carlo Ancelotti com Endrick no Real Madrid era um pouco parecida com a que ele está tendo agora com a Seleção Brasileira. Endrick chegou muito jovem, tinha muita concorrência à frente e, por isso, teve poucos minutos em campo — relata o jornalista José Palacio, da rádio Cadena Ser, da Espanha.
O fato é que, na Seleção, Endrick não está no radar de Ancelotti para jogar como ponta pela sua falta de vocação para recompor como um meia pelo lado. Já como 9, o garoto de 21 anos ainda é o terceiro na hierarquia do italiano.
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