
Ainda que nos recusemos a acreditar, existem coisas maiores que o futebol em uma Copa do Mundo. Certamente, minutos antes de a bola rolar para Portugal x República Democrática do Congo, Ruben Neves (melhor amigo de Diogo Jota) e seus companheiros irão lembrar do eterno camisa 20 do Liverpool, morto no ano passado e que certamente estaria em campo não fosse uma tragédia.
Por ele, e pela última chance de uma Copa do Mundo para Cristiano Ronaldo, a geração de ouro de Portugal estreia nesta quarta-feira (17) na Copa do Mundo 2026.
Um acidente de carro em julho do ano passado, na Espanha, matou o craque da seleção portuguesa e o irmão dele, André Silva. Estão previstas, inclusive, homenagens ao jogador na partida de estreia, que acontece às 14h, em Houston.
Em um texto emocionante no The Players Tribune (publicação britânica em que atletas escrevem na primeira pessoa), o companheiro de seleção e lateral do Manchester United, Diogo Dalot, relembrou o amigo. Citou Ruben Neves, sentado sozinho no ônibus na primeira vez em que a seleção portuguesa voltou a se reunir, e "via-se que não sabia como lidar com aquilo. Nenhum de nós sabia".
E garantiu que, no sonho de todos, não serão apenas "26 jogadores. Serão 26+1". E que vão perseguir o sonho de Diogo Jota: "Ele queria desesperadamente ver Portugal tornar-se campeão do mundo. Não vamos lutar apenas pelo nosso país", garantiu.
CR7 e a "geração de ouro"

Para além da memória de Jota, um destes 26 é, "apenas", Cristiano Ronaldo. Em sua sexta Copa (jogou todas desde 2006), vai em busca de um título inédito. Para ele e para seu país. Com Eusébio em um distante 1966, Portugal foi terceiro no Mundial da Inglaterra.
Além do título, vai em busca de recordes individuais. É o único jogador a marcar em cinco edições do torneio, e vai busca de mais gols para se aproximar do recordista histórico, o alemão Miroslav Klose, com 16 (CR7 tem oito).
Possivelmente, esta seja a melhor chance de Cristiano Ronaldo conquistar uma Copa do Mundo. E muito em função de suas "companhias". A geração portuguesa que chega a Copa de 2026 é considerada como a mais talentosa em muitos ciclos recentes.
São quatro bicampeões da Liga dos Campeões na seleção convocada por Roberto Martínez. O defensor Nuno Mendes, os meias Vitinha e João Neves, e o atacante Gonçalo Ramos.
Mas os grandes nomes não param por aí. No meio-campo, jogadores completos e muito talentosos, como Bruno Fernandes, do Manchester United, e Bernardo Silva, do City.
Destacam-se, ainda, o próprio Diogo Dalot, do United, o lateral João Cancelo, do Barcelona, e o atacante Rafael Leão, do Milan. São muitos os nomes credenciados a contribuir com o sonho de Diogo Jota e dar a CR7 a despedida que ele merece, com um lugar (ainda mais) definitivo na história das Copas.
O adversário

Portugal vai enfrentar uma seleção africana que volta às Copas do Mundo. Herdeira esportiva do antigo Zaire, que jogou o Mundial de 1974 ainda sob o antigo nome, a República Democrática do Congo assegurou vaga após derrubar seleções mais tradicionais.
Na repescagem africana, passou por Camarões e Nigéria. Na eliminatória Mundial, eliminou a Jamaica para chegar a Copa do Mundo de 2026.
Nesta terça-feira (16), a seleção africana fez sua última atividade no Centro de Treinamento de Houston. O técnico francês Sébastien Desabre conta com Aaron Wan-Bissaka, do West Ham, como principal nome do seu grupo de jogadores.
Além de Portugal e RD Congo, Colômbia e Uzbequistão estão no grupo K. As duas seleções se enfrentam também nesta quarta, mas mais tarde, às 23h, no Estádio Azteca, no México.
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