
O técnico Ricardo La Volpe acredita que a Argentina tem chances de conquistar o tetracampeonato na Copa de 2026, na América do Norte, mas faz uma ressalva em relação ao agora veterano astro Lionel Messi.
— Não acho que ele tenha condições de jogar 90 minutos — diz ele à AFP.
A lesão na perna esquerda sofrida pelo capitão da Argentina, que fará 39 anos no dia 25 de junho, em pleno Mundial, já é um sinal de alerta.
E La Volpe, campeão mundial com a Argentina em 1978, como terceiro goleiro do elenco comandado por César Luis Menotti, acredita que o tempo está se esgotando para o técnico Lionel Scaloni encontrar um substituto.
— É preciso encontrar um jogador capaz de desequilibrar as defesas, dar assistências e finalizar as jogadas — afirma o lendário treinador, que comandou a seleção mexicana e diversos clubes do México, além do Boca Juniors. Atualmente, ele atua como comentarista de televisão.
Com dois jogos de preparação pela frente, contra Honduras e Islândia, La Volpe espera "ver com quem Scaloni já está trabalhando".
— Quem será esse jogador importantíssimo? — insiste ele.
A situação envolvendo Messi, esclarece ele, não diminui as chances da 'Albiceleste' de defender o título conquistado no Catar em 2022, embora ele enxergue sérios obstáculos para isso, principalmente na vice-campeã França, assim como na Espanha e em Portugal.
Quanto à função de camisa 9, La Volpe acredita que Julián Álvarez é a escolha ideal, em detrimento de Lautaro Martínez.
— Devido à sua explosão e mobilidade, simplesmente não é possível fazer uma marcação individual contra ele — analisa.
Coração mexicano
Residente no México desde 1979 e técnico do 'El Tri' na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, onde a seleção mexicana foi eliminada pela Argentina nas oitavas de final, La Volpe prevê que o coanfitrião da Copa de 2026 vencerá o Grupo A.
— Eles terão a vantagem de um estádio lotado a seu favor — observa o treinador, embora faça um alerta sobre os cânticos homofóbicos da torcida, que já custaram ao México duas multas da Fifa em partidas disputadas em 2024.
— Nos falta fluidez futebolística, melhores transições e maior variedade tática, e se as coisas não estiverem indo bem, poderemos ouvir aquele famoso grito. Esperemos que eles esqueçam disso porque pode levar à suspensão da partida — acrescenta.
La Volpe centra sua análise sobre o México no meio-campista Gilberto Mora, a estrela em ascensão do 'El Tri', argumentando que ele possui potencial para brilhar na Copa do Mundo de 2026 atuando como "homem de ligação", e "não como volante".
— Mora tem faro de gol e a capacidade de dar assistências. Eu não gostaria de desgastar fisicamente o Mora fazendo-o jogar recuado. Eu o imagino jogando da maneira que um Messi joga, ou um James. Mais à frente — analisa.
Mora terá 17 anos e 240 dias de idade no momento da partida de abertura, marcada para 11 de junho no Estádio Azteca. É o mais jovem dos 1.248 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026.
— Ele já provou seu valor na primeira divisão. Não estamos apenas fazendo uma aposta em um garoto qualquer —conclui La Volpe, que durante sua passagem pela seleção mexicana, apostou em jovens promessas como os lendários Guillermo Ochoa e Andrés Guardado na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
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